Nos cinemas: Love 3D, uma história de amor onde o sexo (explícito) domina a relação
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Nos cinemas: Love 3D, uma história de amor onde o sexo (explícito) domina a relação

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Love

Filme que fala de amor, traição, jogos sexuais, ciúme, insegurança e o quanto a insatisfação íntima pode leva a drogas e perdas na vida

Por Marcia Bessa

O filme Love (França) é o tão esperado e polêmico drama erótico  com cenas de sexo explícito em 3D, do diretor Gaspar Noé, conhecido pelo filme Irreversível (2002) onde ocorre uma cena de estupro  com Monica Bellucci. Love foi uma das maiores bilheterias do Festival de Cannes deste ano.

Murphy (Karl Glusman) é um jovem cineasta americano que mora em Paris ao lado da mulher Omi (Klara Kristin) e seu filho de 1 ano. A insatisfação com a vida atual o leva a frustração e depressão, e quando recebe o telefonema da mãe de sua ex-namorada e grande amor Electra (Aomi Muyock) que está desaparecida há meses, a angústia toma conta de Murphy e as lembranças com Electra afloram em sua mente. Uma viagem através do tempo principalmente dos momentos de intimidade e sexo sem pudor do casal, com suas fantasias e fetiches.

Uma história de amor entre dois jovens, onde o sexo domina a relação. Já na primeira cena nos defrontamos com sexo frontal explícito, um choque para a plateia mas o objetivo do diretor é mostrar um sexo bem feito, como se fosse uma arte, preocupado com a iluminação e a fotografia, como a quebrar tabus ao mostrar um ato sexual na sétima arte, imagine em 3D. Até a metade do filme há uma certa curiosidade do público, mas quando ultrapassa a linha tênue entre o belo e a luxúria, do amor sexual para o doentio com cenas repetitivas, banalizando o ato sexual com todo tipo de perversão, chega-se a ouvir risinhos da plateia em certas cenas.

O diretor teve preocupação com a estética nas cenas eróticas do casal Murphy e Electra, inclusive a cena com a vizinha Omi é realmente bonita, mas o ator Karl Glusman  não tem carisma nem emoção interior para segurar o filme em outros momentos. Imagino a dificuldade do diretor em encontrar atores para estes papeis, onde ficam tão expostos fisicamente.

Filme que fala de amor, traição, jogos sexuais, ciúme, insegurança e o quanto a insatisfação íntima pode leva a drogas e perdas na vida.

Sem dúvida um filme audacioso com erotismo pornográfico, uma verdadeira maratona sexual, onde dois jovens apaixonados se perdem através do sexo, tornando-se um amor doentio. E para a plateia haja fôlego e paciência para assistir algo que deixa de ser excitante para se tornar melancólico e monótono.

Afinal o amor deve ser construído e cultivado em bases sólidas e o sexo é a mola complementar. Mas em excesso, quando beira a tara ao ponto de necessitar de fetiches, vários parceiros, drogas, perde-se a motivação do amor.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog de cinema Cine Amado


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