Sicario: terra de ninguém - Um filme amargo, uma obra que incomoda
Cinema

Sicario: terra de ninguém – Um filme amargo, uma obra que incomoda

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Sicario

Sicario

“A cena do jantar ao final do filme denota bem o tipo de homem que foi arrastado para aquela terra, mas acabou por se sentir à vontade naquele ambiente hostil, reconhecendo-se como parte inseparável daquele lugar”

Por João Paulo Barreto, do Película Virtual

É fácil acusar Sicario, novo trabalho do diretor Denis Villeneuve, como uma obra fascista e criada com o único intuito de se chocar o espectador. Recordo-me de ter visto comentários semelhantes na ocasião do lançamento de Tropa de Elite, no qual diversas matérias taxavam a obra de José Padilha dessa forma. No entanto, mais importante do que um rótulo, Sicario tem em sua proposta uma relevante discussão acerca da inércia das autoridades no que tange tratar bandidos monstruosos como eles realmente são.

Reconheço ser arriscado assumir lados nesse trava. Afinal, o limite entre se tornar você mesmo um fascista ao defender os pontos de vista que a obra traz sobre o modo como se deve resolver a violência do tráfico de drogas no México (ou em qualquer grande capital brasileira, diga-se) é tênue. No entanto, é imprescindível traçar uma análise acerca das ações policiais cujos atos são tão monstruosos quanto os cometidos pelos “bad guys” dessa história. Ao final, fica a pergunta: quem é o verdadeiro vilão da obra que acabamos de presenciar? Talvez, o mais relevante não seja essa pergunta, mas, sim, sabermos quem são os sobreviventes cujo futuro sombrio ainda pode ser salvo.

Juárez, no México, é o retrato de um território sem lei, no qual policiais corruptos lidam com o tráfico de forma conivente e os traficantes, a fim de demonstrar poder, penduram seus desafetos esquartejados nos viadutos que cortam a caótica cidade. É nesse ambiente que a agente estadunidense Kate Macer (Blunt) é inserida juntamente com uma equipe de superiores liderada por Matt Graver (Brolin) e por Alejandro (Del Toro), um ex-promotor colombiano que colabora nas investigações que podem levar a prisão do chefão Fausto Alarcon.

Inicialmente focado na inserção de Macer naquele novo universo que lhe é desconhecido no que se refere ao México, o longa vai, gradualmente, ampliando seu leque de abordagem, trazendo à tona vez por vez as motivações de cada personagem, para, ao final, revelar a surpreendente razão para um deles agir do modo como age e o quão chocantes podem ser seus atos. Macer, apesar de experiente na atividade policial (a cena inicial do filme, mostrando sua equipe tática invadindo uma casa repleta de traficantes impressiona), é inserida naquele ambiente de modo que sua postura passa a se moldar diante daquelas circunstâncias. Sempre irredutível quanto ao que acredita, não seria difícil imaginá-la cedendo ou desistindo à medida que a percepção que aquele universo a moldará se concretiza.


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