Crítica Ponte dos Espiões: uma obra elegante, repleta de subcamadas
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Crítica Ponte dos Espiões: uma obra elegante, repleta de subcamadas

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Ponte dos Espiões

Ponte dos Espiões

“O roteiro dos Coen (baseado em fatos reais) escapa das armadilhas de um dramalhão focado nas condições adversas nas quais os espiões e o estudante que estava na hora e local errado se encontram”

Por João Paulo Barreto

Uma das características mais aprazíveis de Ponte dos Espiões, novo acerto de Steven Spielberg após os medianos Cavalo de Guerra e Lincoln, é o modo como o diretor dá preferência em desenvolver as características intimas de seus protagonistas sem necessariamente usar esse artifício como uma muleta emocional para levar adiante o filme.
Como o título já entrega, é um filme sobre espionagem. Não necessariamente um filme sobre gadjets ou rotina de espiões. Claro, vemos algo disso dos dois lados do tabuleiro EUA vs URSS, mas o ponto principal de observação aqui são as circunstâncias cruciais de vida ou morte em que aqueles homens de ambas nações são colocados sem a real vontade de estar ali, “morrendo” por seus respectivos países.

Não me entenda mal. Patriotas eles, de fato, são. Não estão dispostos a ceder perante tortura, ameaças de execução ou penas perpétuas de encarceramento. Mas é notável um peso em seus olhares cansados e desejo por outra vida que o roteiro dos irmãos Coen e do quase desconhecido Matt Charman salienta com um cuidado impressionante em não resvalar para o melodramático cuja armadilha diversas obras de guerra já caíram.

Aqui, o conflito apresentado é a Guerra Fria, quando em meados da década de cinquenta, Estados Unidos e União Soviética mediam suas forças estando ambos amarrados pela coleira que a possibilidade de um novo conflito mundial poderia trazer de consequências para ambos. A ameaça de uma nova bomba atômica assombra todo o planeta. Ambos possuem espiões infiltrados em suas redes de informações.

Em Nova York, Rudolf Abel, suposto russo cuja nacionalidade nunca é confirmada, é preso sob suspeita de passar segredos militares para os comunistas soviéticos. Sobrevoando o país comunista a 70 mil pés de altura e tirando fotos com supercâmeras, o piloto Francis Powers é abatido (em uma sequência espetacular) e preso. Na Alemanha, o estudante americano de Economia, Frederic Pryor, trabalha em sua tese sobre comunismo quando é preso diante do muro de Berlim em construção sob a acusação de espionagem.

Na difícil missão de defender Abel, o advogando da área de seguros (!?), James Donovan (Hanks), vê o caso ganhar dimensões nacionais e uma fama de vilão é aplicada a sua pessoa. Trabalhando sob o velho argumento de que todos merecem uma defesa, Jim sabe que não tem chances de ver seu cliente inocentado das acusações. Quando a pena de morte lhe é destinada, resta ao competente bacharel a ideia de convencer o juiz a manter Abel vivo como possibilidade de barganha em caso de um soldado americano ser capturado pelos soviéticos. E, obviamente, é justamente o que acontece.


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