Crítica MasterChef Júnior Brasil 1ª temporada: crianças sendo exemplos para os adultos
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Crítica MasterChef Júnior Brasil 1ª temporada: crianças sendo exemplos para os adultos

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De olho no troféu, Lorenzo e Lívia disputam a final do MasterChef Júnior na próxima terça-feira


Programa termina nesta terça-feira e o saldo é mais que positivo; meninos que mais pareciam profissionais de tão talentosos e disciplinados

Por Luis Fernando Pereira

Normalmente quando falamos de um reality show, estamos falando de um entretenimento que muitas das vezes soa vazio de relevância, como os Big Brothers e A Fazenda da vida. Porém, há outros que ensinam muito e agregam tanto às nossas vidas (e as vidas dos participantes) que devemos destacar e colocar um nível acima do simples entretenimento.

O MasterChef Júnior Brasil é um desses exemplos. Programa engrandecedor, bonito de se assistir, relevante para as crianças, que certamente vão crescer como futuros profissionais da cozinha e como cidadãos mesmo. E agregador para quem assiste, e não somente por conhecermos um pouco mais de culinária, mas sim por podermos observar uma geração de crianças que podem sim mudar um país, pois são talentosos, outros inteligentes, outros educados. Nenhum perfeito, mas suas imperfeições são humanas.

O programa começou semanas atrás, e desde o seu primeiro episódio já mostrou a que veio. Uma edição dinâmica, um grupo de crianças e pré-adolescentes adoráveis e o elenco de jurados e apresentadora que permanecia da versão adulta. Tudo fluía bem, exceto uma parte de seus espectadores, que acreditando estar somente brincando, tratou uma das crianças como objeto sexual.

Mas o MasterChef Júnior Brasil acabou superando isso, e seus personagens mirins foram ganhando forma, com ótimas receitas, simpatia e educação. Desde o início se destacaram a Aisha, Sofia, Lorenzo, Lívia, Ivana, Daphne e Matheus, o mais fofo de todos. Ivana, uma das menores, teve o azar de ter nascido em uma família rica, então foi sistematicamente boicotada pelo público e qualquer defesa sua no programa era motivo de acusação de marmelada.

Masterchef Júnior

Veja que dos destaques iniciais, dois estão na final, Lorenzo e Lívia, e outros dois estavam nas semifinais, Ivana e Sofia. Isso prova que dá para perceber logo de cara quem se sobressai em um programa de talento. Não houve grandes injustiças, exceto a saída de Daphne, que parecia ser uma grande favorita. Porém o programa é eliminatório, e basta não se sair bem em uma prova para dar adeus ao programa. Assim é mais emocionante, porém talvez menos justo. Se fôssemos observar todo o programa, a final seria Lívia e Sofia, certamente.

Mas cá entre nós, o vencedor pouco importa, todos já saíram vencedores e os espectadores podem se considerar privilegiados por ver na televisão aberta um programa inofensivo, que não explora o sensacionalismo e que não quer ganhar através do apelo, seja sexual, seja de qualquer outro tipo.

Por isso a Band merece os parabéns. Ana Paula Padrão e os três jurados também; eles souberam ser sensíveis ao ponto de exercer uma função muito mais educativa e produtiva que simplesmente julgadora. A questão da competição é importante, mas não deve nunca ser o objetivo principal de quem produz o MasterChef Júnior Brasil.

Tudo funcionou bem nesta primeira temporada. O problema do horário, bem tarde para qualquer um, foi resolvido com uma reprise aos sábados pela tarde. A edição, que as vezes se prolongava, pode ser ainda melhorado, mas que fique próximo desta duração, pois propicia que quem assiste conheça melhor os participantes.

Agora resta esperar pela grande final, torcendo para que o boato de que o vencedor já havia sido divulgado por todos os cantos seja falso. Por mais que a competição seja um detalhe, a Band tem a obrigação de manter o resultado escondido a sete chaves, pois deixa o público ainda mais incitado a ver o programa e torcer pelo seu escolhido.

Fora isso, só aplausos.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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