Especial Oscar 2016 - Crítica O Filho de Saul: uma obra que incomoda
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Especial Oscar 2016 – Crítica O Filho de Saul: uma obra que incomoda

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O filho de Saul

O filho de Saul

Quando percebemos que, em sua fugacidade, as ambições de Saul se assemelham muito às cinzas oriundas de corpos que o vemos jogar em um rio, seu destino final nos parece inevitável.

Por João Paulo Barreto

Um dos pontos que chamam a atenção no favorito ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano, O Filho de Saul, além, claro, de seus diversos planos sequência e câmera quase que exclusivamente em primeira pessoa, é o modo como o longa consegue tornar o espectador ciente do modo desesperador como um homem que já perdeu tudo se apega a um último desejo, tornando aquilo sua ambição nas horas que se apresentam, provavelmente, como suas últimas.

Os horrores de Auschwitz na Segunda Guerra ilustram como pano de fundo a resiliência do húngaro Saul, prisioneiro judeu que trabalha na função de descartar os cadáveres das pessoas assassinadas no local. Utilizando grandes fornos ou poços para eliminar os corpos, o exército alemão a coordenar o lugar mantém uma rotina de trabalho que demonstra a maneira como o nazismo se instaurou como uma organização lucrativa, algo ilustrado no modo como todas as roupas dos recém-chegados são reviradas na busca por objetos e seus dentes de ouro são retirados dos corpos sem vida.

A busca desenfreada pela eliminação dos corpos, que têm suas cinzas jogadas em um rio a cortar a região, denota bem a preocupação do regime em não deixar rastros para seus atos. Neste contexto, Saul se depara com o momento em que um garoto que supostamente estaria morto acorda agonizante na maca de um médico alemão a fazer experimentos nos cadáveres, algo que não deixará de acontecer, uma vez que a equipe médica teve certeza de encerrar o …


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