Telinha em Pauta: entrevista com Marcelo Tas
Televisão

Telinha em Pauta: Marcelo Tas fala sobre Papo de Segunda, saída do CQC e redes sociais

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LogoColuna da jornalista Camila Botto sobre tudo que acontece no mundo televisivo

Entrevista com Marcelo Tas

Comunicativo por natureza, Marcelo Tas, 56 anos, não poderia ter outra profissão: jornalista. Na televisão desde 1983, quando incomodou politícos como o repórter Ernesto Varela, o paulista coleciona projetos importantes como o Professor Tibúrcio, do Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, e o CQC, exibido pela Band.

No GNT, sua nova casa desde junho deste ano, Tas comanda no Papo de Segunda – transmitido ao vivo nas segundas-feiras à noite – debates para lá de interessantes ao lado do jornalista e escritor Xico Sá, do músico Leo Jaime e do ator e publicitário João Vicente de Castro.

Em entrevista ao site Feminino e Além, Tas fala sobre o Papo de Segunda, sua planejada saída do CQC, destaca importância do projeto da ONU intitulado He For She e comenta ainda a importância das redes sociais na interação com o público.

O Papo de Segunda já pode ser considerado um sucesso. Como foi a concepção? Você participou ou o GNT te apresentou o projeto pronto?
O GNT me convocou e eu adorei de cara. No início, não tinha um desenho pronto, mas já tinha a ideia de criar um programa que fosse uma espécie de continuação daquele Saia Justa de Verão que era feito com homens e foi uma delícia participar dessa criação. Estou muito feliz com o resultado.

A dinâmica ao vivo é bem bacana. Como são os bastidores?
Os bastidores são uma várzea. O legal é que você pode ver os bastidores no site do GNT. Tem uma equipe grande só trabalhando para isso, para levar ao público cenas que você não vê na televisão. Para quem curte o programa poder ficar acompanhando, comentando e trocando com a gente a semana toda. O programa é o resultado de uma equipe enorme que trabalha a semana inteira…televisão é ralação. A gente só descobriu o tamanho da equipe quando fomos beber uns gorós após a estreia (risos).

Marcelo Tas

Marcelo Tas

Você, Xico Sá, Leo Jaime e João Vicente Castro. Essa turma poderosa já era sinônimo de coisa boa, não?
Eu já não sabia se ia ser bom. Sério. Mesmo quando você se dá bem com as pessoas, como eu sempre admirei o Xico, o Léo e o João, você não sabe qual vai ser o resultado. É a tal da química. Você não sabe se vai rolar. É igual relacionamento. Às vezes você é fã de uma pessoa, tarada em outra e na hora H não rola, né? No nosso caso, foi ao contrário, rolou instantaneamente.

Vocês debatem diversos assuntos. Mas há um proibido entre vocês, os machos?
Nenhum. Não tem assunto proibido. Aliás, isso é uma coisa que a gente tem consciência. A gente tem uma oportunidade muito legal com o GNT de poder abordar qualquer assunto, de falar livremente. Isso é uma coisa tão bacana da TV por assinatura. A gente se sente sortudo de estar ali. O problema para mim é que eu estava acostumado a lidar com político no CQC, bicho muito bobinho, mais primário… agora estou lidando com assuntos mais perigosos e pessoas mais gabaritadas que são as mulheres. O bicho está pegando!

Mas as mulheres gostam de vocês…
Aí que está o problema! A paixão vai nos deixando cegos (risos).

O GNT segue forte na campanha Eles por Elas e este ano você foi uma das pessoas mais envolvidas. Queria saber um pouco da sua opinião sobre esse importante movimento que combate a violência contra a mulher.
Estou honrado de ter sido convidado para ser uma das caras do He For She (ou Eles Por Elas) aqui no Brasil. Esse assunto nunca está atrasado e eles fazem permanentemente rodada de conscientização do quanto a mulher continua sendo submetida à violência e à discriminação. O quanto que nós ainda vivemos num mundo primitivo. É triste falar isso, mas é real. Só nos últimos cento e poucos anos foi permitido que a mulher fosse para a escola. Durante toda nossa história, as mulheres foram privadas da educação, ou seja, é muito recente. A barbárie contra a mulher foi até ontem e continua hoje para muita gente. O He For She é de uma extrema utilidade, pois são homens que apoiam essa visão.

O CQC tirará férias em 2016. Muita gente aponta um destaque do formato. A sua saída foi também por isso?
A minha decisão veio surgindo e foi muito amadurecida. Ela aconteceu mais ou menos um ano e meio antes de eu anunciar a minha saída. Porque é uma questão de você ter a sensibilidade de “já contribuiu”, né? Já tinha dado o que tinha que dar. Já tinha oferecido ao projeto tudo que eu podia oferecer. Foi uma bela caminhada, sete anos num programa que revelou um monte de gente talentosa, que fez um barulho grande, deu uma chacoalhada na política, no telejornalismo e no humor. Eu senti que estava na hora de inventar novas modas, de inventar outras prosas. O último ano lá foi preparando minha saída. Tenho maior carinho pelo CQC e queria que não fosse uma saída dramática. A Band teve tempo de convidar o Dan (Stulbach) e todo mundo pôde ir se acostumando com aquela troca.

Papo de Segunda

Papo de Segunda

Fora o Papo de Segunda, você tem outros planos?
O meu contrato não é tão livre. O pessoal da Globosat é ciumento (risos). Tenho algumas restrições e acho até bom. Gosto de cuidar muito dos projetos no qual atuo. Não sou aquele cara que quer abraçar o mundo, então estou superfeliz na Globosat. Mas sigo com o Papo Animado com Marcelo Tas, no Cartoon. Amo fazer televisão para as crianças, pois é uma coisa super sofisticada. Eles querem fazer mais uma temporada e eu estou louco para fazer, mas ainda não tenho data. Só sei que será em 2016.

Você é bastante atuante nas redes sociais. Só no Twitter, por exemplo, tem mais de 7 milhões de seguidores. É a rede social que mais cria interação com você?
Cada rede tem uma função. O Twitter é uma que eu amo muito para usar em tempo real, para comentar durante o Papo de Segunda, por exemplo. No quesito interação, eu ainda acho que o Facebook é muito eficiente. Quando você quer engajamento, quando quer debater um assunto, pois dá para escrever comentários mais longos. Eu também sou fã do Instagram por conta da facilidade do acompanhamento do dia a dia através de imagens. É preciso saber que somos uma rede de seres humanos e não de computadores.

Camila BottoFormada em jornalismo com pós-graduação em mídias digitais, Camila Botto é colunista do Cabine Cultural, editora-chefe do Feminino e Além e autora do livro Segredos Confessáveis.


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