Entrevista: Guillermo Planel, diretor de Abaixando a Máquina 2 – No limite da linha, em cartaz no RJ – Cabine Cultural
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Entrevista: Guillermo Planel, diretor de Abaixando a Máquina 2 – No limite da linha, em cartaz no RJ

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Logo Cultura PopColuna da jornalista Úrsula Neves sobre tudo que acontece no universo da cultura pop

Entrevista: Guillermo Planel

Entra em circuito no Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira até o dia 23 de março o documentário Abaixando a Máquina 2 – No Limite da Linha. Nele, o diretor Guillermo Planel aborda o impacto dos protestos na imprensa carioca ao entrevistar profissionais da área e apresenta cenas inéditas da tensão entre policiais, manifestantes e repórteres, especialmente os de imagens, que participaram de um dos eventos de maior repercussão na história brasileira.

Guillermo Planel nasceu em Montevideo, no Uruguai, e vive no Rio de janeiro desde 1971. É jornalista, fotógrafo, documentarista, bacharel em Comunicação Social pela Facha e é pós-graduado em Comunicação e imagem pela PUC-Rio. Como jornalista e fotógrafo, atua desde 1978 em diversas áreas da profissão. Como documentarista um dos principais focos de seu trabalho é a relação da imprensa e do fotojornalismo com a sociedade civil, através das questões que envolvem assuntos relacionados a direitos humanos, comunicação, manifestações, conflitos armados e segurança pública. Entre seus documentários mais conhecidos estão: Mais náufragos que navegantes, Mautner em Cuba, Vivendo um outro olhar, Insurgência pela paz, Abaixando a máquina – ética e dor no fotojornalismo carioca, entre outros.

Imagem do filme Abaixando a Máquina 2 (Foto: Domingos Peixoto / Divulgação Assessoria)

Imagem do filme Abaixando a Máquina 2 (Foto: Domingos Peixoto / Divulgação Assessoria)

Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva que o diretor Guillermo Planel concedeu a Coluna Cultura Pop e Etc., onde ele fala sobre o novo documentário, as principais mudanças enfrentadas pelos profissionais de mídia nos últimos anos e comenta sobre o atual momento político do Brasil.

Coluna Cultura Pop e Etc.: Guillermo, por que fazer este documentário dez anos depois de Abaixando a Máquina? Na sua opinião, as manifestações populares de 2013 mudaram algo no Brasil ou na sociedade brasileira?

Guillermo Planel: A realização deste documentário foi necessária por diversos aspectos: uma grave crise no jornalismo e, principalmente no fotojornalismo, onde assistimos a agonia de uma profissão, com prazo de validade  do jornalismo impresso, a morte do cinegrafista Santiago Andrade como um divisor de águas dentro do jornalismo brasileiro e da sociedade em si, uma nova forma de se apresentar a informação e noticiar a realizada através do midiativismo. Acredito que além de uma sacudida violenta nos políticos brasileiros, as manifestações de 2013 trouxeram uma nova forma de se fazer um jornalismo mais acessível, através da Mídia Ninja e diversos coletivos como o Carranca e o Mariachi, de uma forma mais democrática usando tecnologias novas como o streaming que até mesmo a grande mídia passou a usar também. Com a morte de Santiago Andrade se criou um abismo nesse aspecto através do fim das manifestações e da forma de se comunicar através desses canais.

Coluna Cultura Pop e Etc.: Qual a sua opinião sobre o momento atual em que a política brasileira está passando? Qual o paralelo que você faz entre as manifestações de 2013 e de 2016?

Guillermo Planel: Acho que o país passa por um crescimento de diversos sentimentos de histeria coletiva, radicalizações lamentáveis, colocando em lados opostos a sociedade civil. Não existe comparativo nestes dois movimentos na minha opinião. 2013 foi um movimento espontâneo de contestação a partir da internet por uma juventude sufocada e 2016 é um lamentável episódio de antagonismos e interesses políticos, independentes de partidos ou ideologias. Mas estas manifestações têm em comum, como todas na história social, que é ligar um sinal de alerta para os governantes de que a sociedade não está satisfeita com esses governantes e sua forma degradante de fazer politica, tanto situação como posição.

Guillermo Planel, diretor de Abaixando a Máquina 2 (Foto: Daniel Planel / Divulgação Assessoria)

Guillermo Planel, diretor de Abaixando a Máquina 2 (Foto: Daniel Planel / Divulgação Assessoria)

Coluna Cultura Pop e Etc.: O que mudou de dez anos para cá dentro do cenário vivido dia-a-dia pelos profissionais de mídia? Quais os maiores desafios enfrentados?

Guillermo Planel: Mudou a forma de se produzir e transmitir notícia. Com as novas tecnologias que, por um lado democratizam a informação e a imagem, mas por outro lado precarizam toda uma categoria de profissionais, foi criada uma mudança veloz de referências para se produzir e consumir informação. Juntado isso a uma crise avassaladora que atravessa o país, temos uma mídia cada vez mais verticalizada e ao mesmo tempo popular. Verticalizada pelos meios tradicionais de rádio, jornal e TV e popularizada pela internet através das mídias sociais e da internet.

Coluna Cultura Pop e Etc.: Quais seus próximos projetos nesta área?

Guillermo Planel: Ainda não sei exatamente qual será o meu próximo projeto. Me assusta muito este radicalismo entre esquerda x direita, pobres x ricos e uma série de posicionamento e desconstrução de um Estado democrático, que também tem relação com a mídia, que talvez seja por esse caminho.

Assista ao trailer de Abaixando a Máquina 2 – No Limite da Linha:

 

Úrsula Neves fotoJornalista carioca, mãe do Heitor. Gestora de Comunidade & Gerente de Projetos do Digitais do Marketing. Repórter do site Cabine Cultural. Adora ler, assistir séries pelo Netflix, ir ao cinema e teatro, navegar pela internet e viajar acordada ou dormindo.


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