Vítimas do Machismo: os agressores | Cabine Cultural
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Vítimas do Machismo: os agressores

“Foram detectados dois pólos que, em grau menor ou maior, são demarcados nos discursos que constam dos processos judiciais. As mulheres são classificadas no espectro que vai da castidade à devassidão, da obediência à transgressão. Já os homens vão do provedor honesto ao explorador, da normalidade à monstruosidade”

Pesquisa A violência doméstica fatal: o problema do feminicídio íntimo no Brasil (Cejus/FGV, 2014)

Para muitas pessoas, a culpa das agressões e até mesmo da morte, é das próprias mulheres. Pois é. As vítimas são levadas aos bancos dos réus. Esta postura propaga a violência e mais: gera tolerância social ao assassinato de mulheres.

Violencia contra a mulher“Mulheres chegam nas DEAM’s e muitas não conseguem registrar a queixa, algumas vezes por má vontade dos profissionais, outras vezes por alegarem que o sistema está sempre fora do ar. As que conseguem registrar não saem com o seu Boletim de Ocorrência em mãos. Em Salvador, o Centro de Referência Loreta Valadares e a 1ª Vara de Violência Doméstica estão sem psicólogas, a Defensoria não consegue dar conta da demanda que surge, enfim, mulheres violentadas não são prioridade para o Estado“, afirma a advogada Laina Crisóstomo, que comanda o projeto TamoJuntas. No projeto, Laina e outras advogadas atendem gratuitamente mulheres vítimas de violência.

Existem duas teses jurídicas usadas para culpabilizar a vítima: legítima defesa da honra e crime passional. No primeiro, é justificada a violência na defesa da honra da família ou da honra conjugal. Já o crime passional é o velho discurso: ‘matou por amor’, ‘por ciúme’, ou ‘inconformado com o término do namoro’.

“Não consigo ver as agressões pelo ciúme, mas sim pelo machismo que se desdobra de várias formas, desde o impedimento de ir e vir, controle de roupa, proibição de amizades, gritos e atitudes de agressividade, vídeos de relações sexuais, agressões físicas até a morte. Tudo por conta da ideia religiosa e opressora que determina que mulheres devem ser submissas, subalternas e subjugadas pelos homens todo o tempo”, pontua Laina.

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