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Crítica: o universo musical de Trolls | Cabine Cultural
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Crítica: o universo musical de Trolls

Trolls - Filme Divulgação

Trolls – Filme Divulgação

Dirigido por Mike Mitchell e Walt Dohrn. Roteirizado por Jonathan Aibel, Glenn Berger e Erica Rivinoja. Baseado nos bonecos Trolls de Thomas Dam. Vozes de: Anna Kendrick, Justin Timberlake, Zooey Deschanel, Russell Brand, James Corden, Gwen Stefani, Christopher Mintz-Plasse, Jeffrey Tambor

Por Gabriella Tomasi

Esses bonecos foram bastante populares entre os jovens, principalmente na época dos anos 60-70, e agora ganham vida nesta nova animação da Dreamworks.

Como estamos lidando com ícones das referidas décadas, todo o filme passa a ser representado por uma overdose psicodélica de luzes neon, cores vivas e fortes dos Trolls, assim como ambiente de rave e disco nas festas. Expressividade também encontrada na trilha, as sequencias musicais são compostas majoritariamente de paródias de clássicos, por exemplo, desde Cyndi Lauper e Lionel Richie, até os artistas um pouco mais atuais, como Gorillaz. Neste sentido, não foi ao acaso a escolha de Justin Timberlake para o cargo de produtor musical, além de emprestar sua voz para dar vida a um dos personagens.

No primeiro ato, somos introduzidos à vida das pequenas criaturas chamadas Trolls e como eles adoram dançar, cantar e se divertir. Eles são carinhosos e amáveis e possuem até um compromisso específico todos os dias que se recusam a adiar: “a hora do abraço”.

Paralelamente, conhecemos os Bergens, representados por uma palheta de cores pálidas, em tons de verdes e roxos em sua maioria. Eles, por sua vez, são ogros que sempre invejaram a felicidade dos Trolls e, apesar de a buscarem constantemente, nunca conseguem estar satisfeitos com a própria vida. Assim sendo, o ódio tomou conta deles, levando-os a perseguirem Trolls para comê-los em festivais anuais, como eles denominaram, de Trollstício – pois são deliciosos, de modo que trazem uma pequena alegria a eles.

Certo dia, o rei Peppy (Tambor) consegue escapar com todos os demais Trolls da cidade dos Bergens, antes que eles pudessem ser devorados pela primeira vez pelo príncipe Gristle (Mintz-Plasser). Furioso, o rei do local decide expulsar a chefe da cidade, a qual estava encarregada da preparação da ceia.

Trolls - Filme Divulgação

Trolls – Filme Divulgação

Vinte anos depois, encontramos os Trolls refugiados na floresta, onde eles habitam harmoniosamente. Para comemorar o tempo passado livre de qualquer intromissão dos inimigos, eles decidem fazer uma festa, mesmo sendo alertados por Tronco (Timberlake), o único troll de cor cinza – devido a sua amargura – de que certamente os Bergens voltariam para comê-los.

E ele não estava errado. Após um ataque pela própria chefe banida, a qual passou todos esses anos tentando localizá-los, ela tem sucesso em levar alguns dos amigos da princesa Poppy (Kendrick), filha do rei, uma menina otimista e determinada. Dessa mesma forma, ela convence Tronco a se juntar à ela e os dois embarcam em uma aventura para resgatar os amigos capturados.

O maior clichê desse filme, no entanto, é combinar a princesa Poppy e Tronco, sendo tão distintos um do outro, para desenvolver um relacionamento. Em inúmeras vezes presenciamos duas figuras opostas que, aparentemente não se dariam bem, mas o afeto acaba evoluindo ao final. Essa falta de originalidade acaba prejudicando a previsibilidade da história. No entanto, em Trolls, percebemos que é por meio do arco dramático de Tronco, e, por conseguinte, da superação de suas inseguranças, que permite unir os personagens principais e, assim, conduzir a narrativa ao desfecho que já esperamos. E quando ele chega, é plenamente satisfatório.

Contendo referências de sucessos cinematográficos como O Iluminado e Cinderella, este longa não traz nada a mais de inovador em sua composição, e tampouco consegue ter a força ou o impacto de Divertida Mente, por exemplo. Contudo, se tem algo que o filme acerta, é que mesmo sendo direcionado para o público infantil, algumas piadas e conteúdos diferenciados, em claramente uma tentativa de agradar o público mais velho, não se tornam agressivos a ponto de não ser apropriado para os mais novos. Ainda, ele é divertido, engraçado e será muito dificil não se emocionar.

Dessa forma, o filme é eficaz no que se propôs a fazer e ainda trasmite uma linda mensagem sobre o significado de felicidade: mesmo com as decepções na vida, o seu alcance depende unicamente de nós, do nosso interior, e não de fatores externos, nem condicionando ela ao infortúnio dos outros.”

GabriellaTomasiGabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o blog Ícone do Cinema

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