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Crítica A Luz Entre Oceanos: atuações maravilhosas de Fassbender e Vikander não salvam roteiro do filme | Cabine Cultural
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A Luz Entre Oceanos: atuações maravilhosas de Fassbender e Vikander não salvam roteiro do filme

A Luz Entre Oceanos

A Luz Entre Oceanos

Dirigido e roteirizado por Derek Cianfrance. Baseado no livro “The Light Between Oceans” por M. L. Stedman. Elenco com: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Bryan Brown, Jack Thompson

Por Gabriella Tomasi

Logo após a Primeira Guerra Mundial – ou a Grande Guerra como se costumava chamar – encontramos Tom Sherbourne (Fassbender) se alistando para trabalhar em um farol. Localizado em um lugar remoto, entre dois oceanos, em uma ilha fictícia chamada Janus, Tom acredita ser o lugar perfeito para se instalar, após os traumas vividos durante o seu serviço militar.

Lá, ele conhece a filha de seu chefe, Isabel Graysmak (Vikander). Eles se apaixonam, casam e passam a ter uma vida juntos naquele lugar.

Almejando uma família e, portanto, ser mãe, Isabel teve a infelicidade de perder dois filhos durante o período de sua gravidez. Posteriormente à perda de seu segundo, um barco emerge da costa da praia, apenas para descobrir que lá está um bebê com o seu pai, morto. Desesperada, a esposa suplica a Tom para não reportar o que aconteceu aos chefes, de modo que eles possam acolher a criança e assumi-la como a sua, já que suas famílias ainda não sabem do aborto.

Neste longa, as atuações de ambos os atores são maravilhosas: Fassbender e Vikander conferem em seus papéis a intensidade necessária para a dramaticidade. O amor entre eles é bastante palpável e é desenvolvido o suficiente para importarmos com o que eventualmente aconteça com eles.

Rachel Weisz, por sua vez, interpreta a mãe biológica do bebê encontrado pelo casal, e igualmente se destaca em tela. Um dos momentos mais memoráveis é quando sua personagem, Hannah, se depara com a filha pela primeira vez, transparecendo muito bem uma expressão de familiaridade com a criança, como se fosse um instinto materno. Ainda, a montagem faz um trabalho excepcional, principalmente nos flashbacks, ao alternar entre os planos das lembranças de Hannah e do espaço temporal atual do filme.

A Luz Entre Oceanos

A Luz Entre Oceanos

Na realidade, o que realmente se destaca nesse filme, é a impecável fotografia. Os planos abertos exaltam o ambiente da natureza: as palhetas quentes da luz do sol, a extensão da ilha e principalmente os travellings executados sobre o mar, os quais causam uma sensação de isolamento da ilha. O compositor Alexandre Desplat não deixa a desejar na trilha sonora. Responsável pelos belíssimos trabalhos em Tudo Vai Ficar Bem, O Jogo da Imitação, O Discurso do Rei, A Garota Dinamarquesa, entre outros, a música se torna bastante expressiva, em momentos como o do grito que se confunde com o som de uma gaivota ou o intenso barulho do vento que se mistura com o som das armas da guerra sendo disparadas, representando a perturbação na cabeça de Tom.

No entanto, se analisarmos bem, a narrativa não faz sentido algum, trazendo elementos absurdos e ilógicos. Por exemplo, quando o bebê chega sã e salvo à costa, a tese de que haveria uma mãe preocupada, esperando pela filha nunca foi cogitada pelos personagens. Não bastasse isso, eles forjam a documentação para parecer que Isabel dera luz a um bebê prematuro tão facilmente, que seu marido não precisou de parteiras, nem de médicos ou qualquer tipo de assistência e, mesmo assim, ninguém jamais suspeitou deste fato.

Ainda, a utilização excessiva dos planos-detalhes e primeiríssimos planos, para, por exemplo, focar em uma lágrima, uma mão, olhos, ou expressões faciais, e assim, criar um ambiente intimista, acaba se tornando cansativa, pois resultou em um tom melodramático forçado. Diz-se forçado, pois cada vez se torna mais difícil sentirmos empatia por Isabel e Tom, uma vez que eles não medem as conseqüências dos seus atos, e ao contrário do que se esperaria, suas figuras são retratadas com um olhar vitimizado. Por conseguinte, revela-se contraditório, sendo que eles mesmos se colocaram nessa situação, e voluntariamente. A trama simplesmente ignora e deixa de abordar qualquer viés moral acerca de um ato criminoso, egoísta e bastante cruel.

É notório que o filme tem uma beleza estética inquestionável, porém, não é suficiente para salvar um roteiro superficial, do qual não se consegue extrair nada que o espectador possa levar para fora do cinema.

 

GabriellaTomasiGabriella Tomasi é crítica de cinema, colunista do site Noset  e possui o blog Ícone do Cinema

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