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Crítica: Anjos da Noite – Guerras de Sangue estreia esta semana nos cinemas do país

Anjos da Noite - Guerras de Sangue

Anjos da Noite – Guerras de Sangue

Dirigido por Anna Foerster. Roteirizado por Cory Goodman. Elenco com: Kate Beckinsale, Theo James, Tobias Menzies, Lara Pulver, Bradley James

Por Gabriella Tomasi

A quinta sequencia da franquia Anjos da Noite chega às telas dos cinemas brasileiros. No início deste longa, Selene (Beckinsale) narra em um flashback um resumo dos quatro filmes anteriores. Para quem acompanha a saga já há algum tempo, o trabalho é eficiente em relembrar alguns dos principais pontos da trama; mas se está assistindo pela primeira vez, prepare-se para o ritmo ultra-acelerado da narração.

A história envolve a nossa protagonista, que nos conta que ela vive agora sozinha e exilada. Mesmo com a traição de seu próprio clã, seu desejo é acabar com a guerra eterna entre eles e os Lycans. Ocorre que, estes lobisomens têm um novo líder chamado Marius (Menzies), que busca poder. O meio de alcançar este fim é obtendo o sangue híbrido de sua filha e acredita que Selene possa saber seu paradeiro. Com a ameaça de um novo ataque, Semira (Pulver) – a nova líder dos vampiros – persuade os demais membros a aceitarem recrutar a ajuda de Selene.

Em relação aos aspectos técnicos, a fotografia permanece a mesma, com a utilização dos tons monocromáticos e sem contribuir em nada, artisticamente. Os efeitos especiais, em sua maioria, são prejudicados pelo uso excessivo da tecnologia CGI, fazendo com que locações e personagens se tornem muito artificiais. É possível perceber que Anna Foerster, a diretora, tenta tirar proveito de alguns dos movimentos de câmera para tornar a narrativa um pouco mais expressiva. Mesmo assim, ela falha em percorrer o mesmo caminho, pelo qual as cenas de lutas são representadas, ou seja, por meio de cortes rápidos e uma mistura de câmara lenta que, aparentemente, a franquia não quer largar mão.

Outro pecado – que já não é novidade – é que, ao invés de elaborar uma história mais memorável ou minimamente interessante, temos o resultado de mais um roteiro superficial e recheado de inconsistências realizado, desta vez, por Goodman. Como exemplo disto, há uma cena em particular em que Selene chega a uma fortaleza de gelo, Vor Dahr. No local, todos afirmam que ela estará a salvo, pois ali é um ambiente impenetrável por seres com sangue quente. Minutos depois, porém, uma emboscada de lobisomens com casacos de pele (?) acontece e Marius, em um determinado momento, chega a ficar sem camisa (?). Além disso, tudo é fácil demais, conveniente demais. Quer achar alguém? É só olhar pelas câmeras de segurança. Quer espiar alguém? Há uma passagem secreta.

Quanto às supostas reviravoltas que a história explora, além de serem previsíveis, beiram ao ridículo. Personagens mudam de opinião e comportamento sem qualquer contexto ou justificativa. Isto se dá tão facilmente, como se fosse o mesmo que mudar de time em um jogo de futebol entre amigos.

Underworld: Blood Wars

Underworld: Blood Wars

Dessa forma, somos introduzidos novamente a personagens mal aprofundados e delineados, atuações fracas e monólogos explicativos que cansam. Marius é a prova de mais um vilão desinteressante; mais uma caricatura que não intimida e; que acaba tendo um desfecho muito fácil para uma pessoa desenvolvida como poderosa, indestrutível e temida por todos. Na realidade, esta é a mesma abordagem utilizada a todos os vilões desta trama. Ainda, uma personagem feminina, a qual se prestou a compor o par romântico de Marius, é outro desperdício, sendo que a garota parece ter mais medo do vilão do que possuir algum (ou qualquer) interesse.

A narrativa de maneira geral, portanto, se desenrola de maneira inadequada. Percebemos pelo histórico de todas as suas sequencias que Anjos da Noite não é um trabalho, no qual há efetivamente uma preocupação em melhorar e realizar uma trama envolvente, complexa e interessante, ou até mesmo coesa e coerente. Guerras de Sangue acaba repetindo a forma como a saga inteira se conduz durante todos esses anos: flashbacks desnecessários, explosões sonoras, e elementos ilógicos e expositivos demais.

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Por fim, nada justifica o uso de 3D. Esta tecnologia não é empregada nem para o viés artístico, e tampouco para projetar a profundidade de campo, o que poderia inclusive ter beneficiado o enquadramento de algumas locações. Assim sendo, infelizmente se presta apenas para encarecer o ingresso do espectador.

Resta evidente, pois, que a maneira desleixada como o filme insiste em ser executado, não contribui para que ele seja realmente levado a sério.

 

GabriellaTomasiGabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o site Ícone do Cinema

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