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A Última Ressaca do Ano: entretenimento válido, mas esquecível

A Última Ressaca do Ano

A Última Ressaca do Ano

Dirigido por Will Speck e Josh Gordon. Roteiro por Justin Malen, Laura Solon, Dan Mazer. Elenco com: Jason Bateman, Jennifer Aniston, Olivia Munn, T. J. Miller, Jillian Bell, Courtney B. Vance, Kate McKinnon, Vanessa Bayer, Karan Soni, Jamie Chung

Por Gabriella Tomasi

Após a morte de seu pai, os irmãos Clay (Miller) e Carol (Aniston) disputam o controle da empresa de tecnologia por ele deixada aos filhos. Porém, devido a metas não cumpridas, sem resultados e com crescimento fraco da filial de Nova York da qual Clay o presidente, sua irmã – prestes a se tornar CEO  – ameaça a fechar as portas e demitir 40% dos funcionários. Visando conquistar um novo cliente, o que implicaria garantir o futuro da empresa e de seus empregados, Clay pede ajuda a Josh (Bateman), seu braço direito, e Tracey (Munn) para organizar uma festa de confraternização.

Infelizmente, este é mais um filme que desperdiça uma ideia interessante e a transforma em um completo desastre, perdendo uma ótima oportunidade de utilizar a própria festa para explorar mais a fundo a revelação das verdadeiras personalidades dos trabalhadores que se encontravam escondidas no cotidiano profissional. Apesar de atuações fortes de um elenco extremamente talentoso, não se consegue salvar um roteiro muito mal elaborado.

Isto se deve principalmente pela overdose de diálogos e de piadas. Não há um momento de alívio, no qual podemos levar a serio ou uma narrativa imagética que pudesse contribuir com as situações cômicas de maneira criativa e inovadora. Ao contrário, há uma grande necessidade de que cada piada deve ser verbalizada e explicada, e, ainda, há um esforço muito grande do roteiro em arrancar risadas do espectador a cada frase que um personagem enuncia ou a cada gesto que ele faz.

No início, podemos por alguns momentos até nos divertir com o nível da loucura. Entretanto, o ritmo se torna repetitivo, cansativo e de extremo mau gosto, como o momento em que Carol xinga uma garotinha apenas para reiterar o fato de que já sabemos que ela é má; ou cenas em que o apelo sexual (como descobrir uma suruba ou uma bebida que sai de um pênis esculpido em gelo durante a festa) se torna redundante e sem graça.

A Última Ressaca do Ano

A Última Ressaca do Ano

Dessa forma, o clima de caos de festa e de bebida, do qual a narrativa deste filme gira em torno, traz grandes referências ao filme Se Beber Não Case. Contudo, o longa se perde na própria ideia e, ao invés disto, cria um ambiente de baderna e farra desmedida.

Os personagens, por sua vez, não conseguem escapar dos próprios clichês que foram concebidos. Embora os esforços dos atores, eles não são nada aproveitados: Allison (Bayer) é a menina que almeja um grande amor, mas só homens estranhos aparecem para conquistá-la;  Nate (Soni) é o nerd solitário que sofre bullying e que paga uma prostituta para impressionar os colegas na festa; Clay é o bobalhão que só se mete em confusão; Meghan (Chung) é a menina mais atraente e bonita da empresa mas não tem função alguma na trama; Mary (McKinnon – Caça-Fantasmas) é a religiosa que acaba cedendo aos “prazeres” da vida, e por aí vai.

Não bastasse isso, todos eles começam a se inserir em situações completamente previsíveis e que já vimos tantas outras vezes em outros filmes. Por exemplo, se alguém decide escorregar com um trenó em uma escada, você sabe que a pessoa irá se machucar. Quando duas pessoas decidem atirar uma à outra com pistolas de brinquedo em uma loja de luxo, você sabe que eles irão quebrar alguma coisa. Quando duas pessoas demonstram uma ligação, ou descobrem algo em comum, você sabe que daí sairá um relacionamento amoroso.

Algo que este longa consegue acertar, no entanto, é quando desenvolve a relação problemática de Carol e Clay por meio da própria narrativa. Ou seja, as situações que acabam surgindo os forçam a enfrentar seus egos e a superar diferenças, principalmente em relação à perda do pai.

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A Última Ressaca do Ano pode até ser uma distração válida durante duas horas, mas a ausência de originalidade e o exagero com que o filme é tratado, torna-se difícil para que ele seja minimamente memorável depois de sair do cinema.

GabriellaTomasiGabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o site Ícone do Cinema

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