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Crítica Cidade dos Homens: nostalgia, paternidade e realidade marcam episódios iniciais

Cidade dos Homens - Divulgação Globo

Cidade dos Homens – Divulgação Globo

Retorno da série foi em grande estilo e trouxe de volta toda a atmosfera deixada décadas atrás

Quem assistiu ao primeiro episódio do novo ciclo da série Cidade dos Homens percebeu que estas três palavras (nostalgia, paternidade e realidade) serviram de alicerce para a construção de todo o novo roteiro, e se abraçaram de uma forma tão homogênea e harmoniosa que não podemos fazer outra coisa senão aplaudir a estreia da nova temporada.

Desde os segundos iniciais um sentimento de nostalgia tomou conta do espectador, ao ver novamente Acerola e Laranjinha, garotos que vimos de certa forma nascer, anos atrás, e que agora se transformaram em homens, que se tornaram homens por conta das escolhas tomadas, sobretudo no que tange ao segundo termo tirado do título: paternidade.

Fantástico ver como o roteiro de Cidade dos Homens trabalhou de uma forma muito didática, mas não simplista, os acontecimentos (em forma de flashback) da vida de Acerola, que descobriu a paternidade muito cedo e não soube inicialmente o que fazer. Estava tudo muito confuso para ele até aparecer a sua referência de amizade, Laranjinha, que lhe abriu os olhos com uma pergunta: “você vai querer que o seu futuro filho cresça sem pai, tal como nós crescemos?” “Veja quantas burradas cometemos por conta disto”. Estas não foram as palavras exatas, mas a ideia é bem esta. Neste momento que Acerola toma a decisão que muda a sua vida, que moldura a sua personalidade e que o faz ser o que ele é hoje na série.

+ Cidade dos Homens

Neste sentido o roteiro de Cidade dos Homens trabalha bem a ideia, já conhecida, de que suas escolhas hoje vão dizer quem você será no amanhã. E se Laranjinha deu esta ajuda ao amigo no passado foi porque ele também foi pego pelo tema. Quem seria o seu pai? Naquele instante ele percebeu o que poderia ter sido diferente se ele tivesse tido um pai. Estes dois momentos foram dos mais marcantes do primeiro episódio.

Só que antes disto conhecemos a dupla de amigos na atualidade, já homens, e com Laranjinha vivendo um drama: seu filho está com um problema no coração. Neste momento o conceito de realidade vem à tona na série. Voltamos a conhecer de forma mais clara o contexto e o ambiente no qual os dois vivem. Estamos falando de dois jovens rapazes de classe baixa que não possuem condições de consumir os serviços que em tese deveriam ser públicos. E se no passado Acerola e Cristiane viveram o drama de não ter um serviço de saúde que pudesse, por exemplo, interromper a gravidez dela, agora Laranjinha sofre com a velocidade do sistema público de saúde do Estado. Cada exame acontece de tempos em tempos, e o seu filho talvez não resista a tanto tempo assim.

O episódio, emocional demais, mas também com passagens mais leves, apresentou de forma perfeita a vida atual dos dois amigos, e o caminho percorrido, ao menos por Acerola, para que ele seja hoje um pai presente e orgulhoso do filho e de si mesmo.

Cidade dos Homens foi um achado na época em que foi ao ar. Relevante do ponto de vista social, e agradável no que diz respeito à narrativa, a história. Hoje em dia, com o seu retorno, fica a conclusão de que realmente a série era boa, e hoje continua sendo.

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