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Crítica: John Wick – Um Novo Dia para Matar e a volta de Keanu Reeves

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John Wick – Um Novo Dia para Matar

John Wick – Um Novo Dia para Matar

Dirigido por Chad Stahelski. Roteirizado por Derek Kolstad. Elenco: Keanu Reeves, Common, Bridget Moynahan, Ian McShane, John Leguizamo, Ruby Rose, Malcolm Tindall, Claudia Gerini, Riccardo Scamarcio

Por Gabriella Tomasi

Keanu Reeves está se consolidando pelos filmes de ação em que participa. Desde Matrix, a saga de John Wick está marcando espaço dentro do gênero, sendo bastante apreciado pela crítica especializada em geral. Nesta segunda sequencia, a história começa exatamente do ponto onde o seu antecessor terminou: o personagem-título finalmente recuperando seu carro, pelo qual tanto lutou recuperar.

Mas John Wick definitivamente não consegue se aposentar.

O protagonista, portanto, está longe de ter seu almejado descanso. Logo após estacionar o veículo na garagem, ele já é surpreendido pelo personagem Santino D’Antonio (Scamarcio), outro assassino com quem, aparentemente, mantém uma promessa de favor antiga. Assim, ele exige que Wick a satisfaça assassinando sua irmã Gianna (Gerini), para destituí-la do cargo importante em que ocupa dentro da organização secreta e, por conseguinte, ser nomeado em seu lugar.  Mas essa não é uma tarefa tão simples, já que o segurança pessoal dela, Cassian (Common), está determinado a se vingar se tal ato viesse a ser cumprido. Posteriormente, a situação passa a fugir do controle, quando D’Antonio ao mesmo tempo lança um contrato aberto de 7 milhões de dólares pela morte de John Wick.

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A narrativa, de um modo geral, é interessantíssima nos momentos em que alguns simbolismos são utilizados, tais como as pombas que indicam a representação da liberdade ou então uma escultura clássica gigantesca colocada atrás de D’Antonio demonstrando o tamanho de seu ego quando tem sua autoridade desprezada. Stahelski é um diretor bastante criativo, criando lindos planos de um corredor espelhado, o plongée maravilhoso de uma banheira cheia de água e sangue e ainda, a peculiar escolha de elementos western como, por exemplo, o duelo de armas em um disparo entre Cassian e Wick, o ângulo em 3/4 das armas que antecipam este duelo, o plano-detalhe de sapatos caminhando mascarando identidades de pessoas, assim como o plano inteiramente desfocado que introduz, aos poucos, o rosto do personagem-título da mesma forma como o personagem de Henry Fonda em Era Uma Vez no Oeste vinha nas memórias do personagem interpretado por Charles Bronson. Provando, desta forma, que são eficazes.

John Wick – Um Novo Dia para Matar

John Wick – Um Novo Dia para Matar

No entanto, é notável como o ritmo narrativo entre o primeiro e o segundo filme muda completamente. Enquanto De Volta o Jogo demonstra ser mais energético com sua trilha sonora e planos mais rápidos – sem que isso novamente implique em uma edição frenética – o ambiente era naquela época mais ativo; o personagem-título era um assassino mais impositivo, na medida em que é ele mesmo quem tinha a iniciativa de buscar uma vingança quase insaciável e que mesmo que seus motivos poderiam parecer improváveis, eles foram construídos de modo bastante plausível. Em Um Novo Dia Para Matar, em contrapartida, John Wick é colocado em uma situação que não queria estar, ela é involuntária, o que faz com que sua posição seja muito mais uma defensiva do que aquele matador que faz de tudo para que os SEUS desejos sejam satisfeitos. O que faz desconstituir um pouco a lenda criada em torno de seu personagem. Por outro lado, se as cenas de ação são muito mais lentas, sangrentas e cruéis – embora continuem tendo o mesmo nível incrível de competência – o filme recria perseguições que relembram jogos de vídeo-game em alguns momentos, e também o uso do lápis que o fez um mito. Mas as lutas demoram muito tempo para serem resolvidas, os planos são longos e, inclusive, há um desperdício enorme de tempo em momentos em que o personagem escolhe terno, armas, etc. Nada disso é ruim se você é o tipo de espectador que aprecia estes elementos e é fã incondicional deste tipo de abordagem em um filme. Na minha visão, muitas vezes esta escolha se presta para inflar a narrativa e o seu roteiro, tirando um pouco daquele charme de sua primeira sequencia.

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Outro aspecto também importante de se notar, é que mesmo que a intenção seja a de manter John Wick um personagem mitológico e misterioso, nenhuma outra novidade em relação a ele é abordada, a fim de torná-lo mais complexo. Ele continua tendo os mesmíssimos conflitos internos, qual seja, a morte de sua esposa. Os mesmos vídeos, as mesmas lembranças dos mesmos flashbacks, as mesmas referências ao “bicho-papão” são repetidos, embora talvez sirvam para aqueles que não assistiram a De Volta ao Jogo. Em outra perspectiva, se o protagonista não é aqui tão explorado, o mesmo não se pode afirmar da maravilhosa dimensão que conferiu ao Continental e ao seu “gerente” Winston (McShane). Aqui, torna-se muito mais palpável a extensão da sua comunidade, das “leis” que impõem as regras de conduta dos assassinos, e de como o “contrato” funciona internamente, o que faz com que se possa compreender mais do universo no qual estamos inseridos. Além disso, há a presença de Laurence Fishburne com uma pequena aparição que, a princípio, pode não ter uma função narrativa relevante, mas que se esta sequencia se sair bem nas bilheterias, com certeza o veremos mais vezes.

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John Wick – Um Novo Dia para Matar se distancia um pouco do seu material originário, mas é igualmente eficaz em não somente cumprir seu papel como sequencia, mas também não deixará de agradar aos seus fãs.

Gabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o blog Ícone do Cinema


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