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Crítica Tinha Que Ser Ele? Um Desastre Desnecessário

Crítica Tinha Que Ser Ele?

Crítica Tinha Que Ser Ele?

Dirigido por John Hamburg. Roteirizado por John Hamburg, Ian Helfer, Jonah Hill. Elenco: James Franco, Bryan Cranston, Zoey Deutch, Megan Mullally, Griffin Gluck, Keegan-Michael Key

Por Gabriella Tomasi

Ned Fleming (Cranston) é dono de uma gráfica em uma cidade do interior de Michigan, casado com Barb (Mullaly) e possui dois filhos: Stephanie (Deutch) de 22 de anos que estuda na Universidade de Stanford e o caçula de 15 anos Scotty (Gluck) que estagia na empresa do pai. Certo dia, no aniversário de Ned, ele tem a terrível surpresa de que sua filha está namorando Laird Mayhew (Franco), um homem mais velho e tatuado de 32 anos, dono da maior companhia de vídeo-games dos Estados Unidos. A convite da filha, o pai aceita a visitar e passar o natal na casa de Laird em Los Angeles. Contudo, o jeito excêntrico do rapaz acaba não lhe agradando nenhum um pouco, o que acaba gerando conflitos familiares.

Este é mais um filme que confirma e de certo modo consolida o rumo da comédia que a indústria de Hollywood está tomando. Desde a trilogia Se Beber Não Case até o recente A Última Ressaca do Ano é possível extrair um padrão que está firmando o gênero. O que acabo de dizer não somente não é um elogio, mas também é um indicador de retrocesso de qualidade dos filmes.

Crítica Tinha Que Ser Ele?

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Vale ressaltar que sempre foi valorizado e sempre foi considerado importante reinventar ou trazer algo de novo para o ramo: novos olhares e novas opiniões a cada novo projeto cinematográfico são necessários, ainda que seja uma história ou uma premissa bastante repetida. Na comédia, obtivemos jóias como, por exemplo, Ave César!, Fargo, Ele Está de Volta e o encantador clássico Levada da Breca, o que prova que é possível produzir um filme sério. Neste caso, nós podemos dizer que a temática da rivalidade genro/sogro é bem popular, e existem inúmeras outras produções bem sucedidas como O Pai da Noiva e Entrando Numa Fria. Mas, infelizmente, Tinha Que Ser Ele? além de não trazer nenhuma novidade, consegue ainda desenvolver clichês no pior gosto e na pior maneira possível.

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O longa até pode provocar algumas risadas pontuais no espectador, mas não de forma genuína, como se pode presumir. Ao contrário, o imenso desconforto das cenas e das situações incrivelmente vulgares criadas. Isto porque se aposta demasiado em gags e piadas sobre sexo durante quase duas horas de projeção, sempre se referido a órgãos reprodutores e recorrendo excessivamente ao uso de palavrões e privadas para ser engraçado. A própria excentricidade de Laird é um absurdo, pois além de o personagem ser construído como um bobão, rico, que beira à burrice intelectual com suas atitudes infantis, sua mansão é repleta de quadros pornográficos de animais (?), e, ainda, temos que suportar o personagem detalhando seus atos sexuais com a namorada para o pai durante o jantar (???).

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E é óbvio que aqui também somos obrigados a assistir pela milésima vez a pais dançando de maneira esquisita em uma festa de pessoas jovens, que deixa todo mundo louco e drogado; personagens cobertos de fezes; e duas cenas simplesmente pavorosas e grotescas em que, em uma delas, Ned presencia Stephanie com o namorado em momentos muito íntimos (sim, é o que vocês estão pensando), enquanto seu funcionário – casado e com dois filhos (!!!) – ouve tudo pelo celular com grande interesse pela filha. A segunda, Nerd morde Laird em um lugar do corpo bastante inapropriado durante uma briga (!!!!). E se não bastasse tudo isso, ainda temos aqui um filme de comédia que explica suas próprias piadas, em particular, uma envolvendo a referência da pantera cor-de-rosa. Sem um roteiro bom, com uma direção péssima que se resume em sua maioria no plano/contra-plano nos diálogos, Tinha Que Ser Ele?  tem o mérito de atingir níveis inexplicáveis – no mau sentido.

Crítica Tinha Que Ser Ele?

Crítica Tinha Que Ser Ele?

O único motivo pelo qual atribuo 1 estrela do total de 5 na minha avaliação é pela mensagem interessante que ela carrega por trás de incontáveis momentos enfadonhos. Nota-se como se desenvolve a interação com o personagem de Cranston com essa nova geração Y. A ausência do papel físico, ou seja, a presença de todo um ambiente computadorizado e minimalista da casa de Laird faz com que Ned não compreenda a tecnologia e as novas necessidades que os mais jovens conseguem abraçar tão rapidamente. Dessa forma, lhe custa aceitar a arquitetura moderna, a comida exótica, e principalmente contornar o fator que leva a sua empresa quase à falência: sua gráfica é totalmente impressa. Neste contexto, sua experiência como sendo mais velho é também outro elemento que faz Scotty reclamar que seu pai não ouve as ideias que tem para ajudar os negócios. Porém, por mais que eles não entendam as necessidades e as barreiras que um e outro de cada geração possui e tenta lidar, é por meio dos valores familiares que eles conseguem se aproximar e, por conseguinte, como se conduz o desfecho da trama.

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O problema, no entanto, é que para chegar até este ponto o caminho é forçado, mal desenvolvido, sem química, e sem graça alguma.

Tinha Que Ser Ele?  é um desastre desnecessário e, ainda que alguém encontre algum tipo de entretenimento neste filme, ele será facilmente esquecido.

Gabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o blog Ícone do Cinema

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