O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha reestreia no Teatro Gláucio Gil | Cabine Cultural
Agenda Cultura pop e ETC Notícias Teatro

O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha reestreia no Teatro Gláucio Gil

Coluna da jornalista Úrsula Neves sobre tudo que acontece no universo da cultura pop

O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha reestreia no Teatro Gláucio Gil

Duas mulheres se cruzam depois da Guerra da Bósnia, uma terapeuta norte-americana e uma jovem bósnia violentada. Ambas revelam suas histórias numa tentativa desesperada de encontrar forças para continuar suas trajetórias. Após três bem-sucedidas temporadas – no Sesc Copacabana, Teatro Poeira e Sesc Tijuca, e uma indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz para Fernanda Nobre, O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha, de Matéi Visniec, reestreou no dia 7 de abril, no Teatro Gláucio Gil. O espetáculo retrata duas mulheres arrasadas, feridas, que tentam reconstruir a percepção sobre si mesmas e sobre o mundo.

Através de Kate (Ester Jablonski), uma psicoterapeuta americana que trabalha como voluntária, e Dorra (Fernanda Nobre), uma refugiada bósnia vítima de estupro, Visniec deflagra um grito sobre a condição da mulher durante a guerra, quando o estupro era a tática mais utilizada para humilhar e derrotar o inimigo de ambos os lados. A dramaturgia de Matéi Visniec, aliada à direção de Fernando Philbert, tem a potência de traduzir o ser humano ao trazer para a cena a questão da violência contra a mulher sem derrotismo, mas sob o ponto de vista da luta e resistência em todas as guerras, até mesmo as do dia a dia.

Leia também:  Juli Mariano apresenta "Pelas Trilhas - Vol. 01", um tributo aos maiores sucessos das novelas, no Rio de Janeiro

O autor romeno, naturalizado francês após pedir asilo político em 1987, é considerado por muitos “o novo Ionesco”, por dar continuidade ao gênero do teatro do absurdo. Outro traço de seus trabalhos é o olhar crítico do autoritarismo e as contradições inerentes ao ser humano.

O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha

O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha

“Descobri quando vim morar no Ocidente, que as pessoas podem ser manipuladas mesmo em uma sociedade livre e democrática e que isso pode ser feito em nome da liberdade e da democracia. Descobri que a luta pelo poder pode tornar-se um espetáculo grotesco, que a demagogia tem sutilezas que se pode facilmente confundir com reflexão filosófica; e que, o que é ainda mais grave, a demagogia casa-se muito bem com os poderes das mídias. Descobri que a liberdade pode ter um lado selvagem, que a informação pode matar a comunicação, que nada jamais é definitivamente adquirido e que o ser humano deve lutar sempre por seus direitos, para preservar sua liberdade ameaçada pelos efeitos da liberdade. Acho que o teatro pode e deve falar disso, falar dos múltiplos paradoxos da sociedade industrial, moderna e democrática. A sociedade civilizada, evoluída, não está protegida dos numerosos poderes obscuros que a rondam, que a desumanizam(…)”, define Matéi.

Leia também:  Atriz Octavia Spencer está no Brasil para o lançamento do filme A Cabana

Nada mais atual. Embora escrito nos anos 90, a atualidade é uma das marcas mais contundentes do espetáculo.

Ficha Técnica
Texto: Matéi Visniec
Tradução Alexandre David
Direção: Fernando Philbert
Elenco: Ester Jablonski e Fernanda Nobre
Iluminação: Vilmar Olos
Cenário e Figurino: Natália Lana
Trilha / Música Original: Tato Taborda
Direção de Movimento: Marina Salomon
Direção de Produção: Sergio Canizio
Realização: Jablonsky Produções Artísticas Ltda
Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação

Serviço
O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha

Temporada: De 7 de abril a 1º de maio
Horários: De sexta a segunda, às 20h.
Local: Teatro I – Teatro Glaucio Gil – Praça Cardeal Arco-Verde, s/n – Copacabana – (21) 2332-7904.
Valor Ingresso: R$40,00
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama

Deixe uma resposta