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Crítica A Cabana: um filme recheado de simbolismos sobre Deus, vida e perdão

A Cabana

A Cabana

Filme é uma adaptação de Best Seller que vem conquistando um público bem específico nas telas de cinema

A experiência de assistir A Cabana (Assistir na Rede UCI), mais nova adaptação cinematográfica saída de Best Sellers, é bastante peculiar, pois podemos ver com o olhar de um cinéfilo somente, mas também podemos simplesmente sentir e refletir toda a atmosfera do filme, e do livro, recheada de termos e sentimentos como dor, tristeza, resignação, perdão…

Na história um homem (Mack Phillips, interpretado por Sam Worthington) vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.

A primeira parte do filme prepara o terreno para o que realmente importa na trama: o encontro de Mack com algo que é infinitamente superior a ele. Mas no início temos que entender que Mack é alguém já com um sentimento de culpa e com uma dor tremenda, por conta de sua relação destrutiva com o seu pai. Estes momentos iniciais do filme são importantes para entendermos a sua personalidade. Mack certamente não queria ser igual ao seu pai na relação com os filhos. Esta ideia é bem clara em pessoas que sofrem abusos, de qualquer natureza, de seus pais. O primeiro princípio que lhes vem à cabeça é: serei um pai diferente.

Assim, cai como uma tragédia ainda maior o desaparecimento de sua filha. Ele, já com esta bagagem, desaba em culpa e dificilmente algo teria a força para fazê-lo levantar. Daí nasce na trama a necessidade de algo muito maior que tudo para que ele entenda que a vida continua, e que somente ele poderá dar sentido novamente a sua existência.

Neste momento, já estamos entrando na segunda parte do filme, onde ele conhece a Cabana, e nos deparamos com dezenas e dezenas de simbolismos, que se você receber de uma forma saudável, então vai cair como um belo guia de auto-ajuda, no sentido próprio da palavra (se ajudar).

Octavia Spencer

Octavia Spencer é Deus

Todos os seus momentos com Deus, interpretado de forma majestosa pela já majestosa Octavia Spencer, e seu staff (Jesus, Espírito Santo…) são observados com duas óticas: a real e a simbólica. Mack está naquele momento vivendo quase que um rito de passagem. É um caminho tortuoso em busca do perdoar-se, perdoar a quem lhe fez mal, em busca do estancar a dor e seguir em frente, e, sobretudo em busca de algo para acreditar. Este é um momento bem ímpar, porque o ser humano precisa acreditar em algo, mesmo que ele seja ilusório ou inexistente. A religião vem para preencher esta brecha, mesmo que no filme, num interessante diálogo com Jesus, o mesmo diz que a religião pode não ser o ideal, mas sim a ideia de religiosidade.

O ápice do filme traz os dois momentos mais significativos da vida de Mack, as duas situações que moldaram a personalidade dele naquele instante: seu encontro com a filha, e seu encontro com o pai. Desta forma, A Cabana traz como mensagem a ideia de que temos que confrontar nossos maiores medos, nossas maiores dores, nossas maiores tragédias. Somente assim poderemos expurgar o que de ruim reside em nossa alma e recomeçar, dar uma chance para que algo novo renasça.

O encontro com o assassino de sua filha tem também um poder simbólico gigante, pois nesse momento você exercita como nunca a nobre arte de perdoar, o que em tese pode ser algo fácil, mas quando colocamos situações como esta, então nós percebemos o quão difícil esta pode ser.

A Cabana como uma adaptação da mensagem existente no livro é uma boa experiência cinematográfica. Enquanto narrativa, soa simples demais e clichê (nada que se mostra no roteiro nos é surpresa). Isso não faz do filme algo ruim, de forma alguma, mas definitivamente o que ele tem de melhor é o diálogo que estabelece desde o início com o espectador. Claro que o espectador precisa estar aberto a isso.

2 respostas para “Crítica A Cabana: um filme recheado de simbolismos sobre Deus, vida e perdão”

  1. Assisti o filme, achei muito interessante, com fortes emoçoes, deixando-nos uma liçao de vida.,pois só fui entender a mensagem no final do filme.Que apesar de todas as dores e sofrimentos, devemos praticar o que Jesus nos ensinou,perdoar uns aos outros, assim como ele nos perdou e levou pra cruz , todos os nossos pecados.

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