Crítica: vale a pena assistir “O Dia do Atentado”, novo filme de Mark Wahlberg?
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Crítica: vale a pena assistir “O Dia do Atentado”, novo filme de Mark Wahlberg?

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Immer enger ziehen Sgt. Tommy Saunders (Mark Wahlberg) und seine Kollegen die Schlinge um die flüchtigen Attentäter.

O Dia do Atentado

Dirigido por Peter Berg. Roteirizado por Peter Berg, Matt Cook, Joshua Zetumer. Elenco: Mark Wahlberg, Kevin Bacon, John Goodman, J. K. Simmons, Michelle Monaghan

Por Gabriella Tomasi

Em 2013, a cidade de Boston nos Estados Unidos simplesmente parou devido ao maior ataque terrorista do país desde o 11 de setembro, no qual dois irmãos chechenos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev plantaram duas bombas em meio à tradicional maratona do feriado do Dia do Patriota em 15 de abril. Nas semanas subsquentes à tragédia, a polícia local em conjunto com o FBI e a população juntaram forças para capturar os terroristas. É um momento interessante de se reviver essa história que, embora recente para ser lembrada, se presta pertinente de certa forma para criar consciência da política atual do governo norte-americano e sua atitude em relação à Síria. Uma história que consolida uma homenagem à uma cidade e o seu espírito altruísta, solidário e de comunidade, assim como enaltece o trabalho da policia federal americana. Neste contexto surge o protagonista Tommy Saunders (Wahlberg), um sargento que se encontrava suspenso de seus serviços e fora rebaixado a pequenos trabalhos de controle de drogas e também escalado como segurança durante a maratona.

É visível que Mark Wahlberg está criando uma espécie de persona-herói em todos os filmes em que atua: desde o filme com o título autoexplicativo O Grande Herói (2013), até os recentes A Grande Muralha (2017) e Horizonte Profundo-Desastre do Golfo (2016), este último também executado pelo mesmo diretor. Ainda que aqui Tommy tenha mais camadas e mostre um lado mais humano das sequelas após presenciar um ataque terrorista, chama a atenção essa repetição de papéis e tramas que se tornam até cansativos e clichês demais. É rever pela enésima vez ver o mesmo roteiro que escala o mesmo ator para interpretar o mesmo típico personagem mocinho casado ou com interessante romântico para fazer os mesmos típicos atos heroicos e salvando países e comunidades e cidades de desastres. Aqui ninguém terá surpresas sobre o que esperar em O Dia do Atentado, é tudo altamente previsível apenas pela familiaridade e reiteração desses elementos em outros filmes, porque mesmo sendo baseado em fatos reais, o personagem principal de Wahlberg é o único ficcional.

Mas o trabalho do diretor Berg é ainda bastante eficiente ao construir uma narrativa inteligente e extremamente coesa. De início conhecemos diferentes personagens e o mundo particular de cada um, como se a princípio fossem subtramas à principal, qual seja, a da maratona e o que acontece depois. Vemos, por exemplo, um policial da Universidade MIT que se interessa por uma estudante; a namorada de Tamerlan; um homem asiático que conhece uma garota que trabalha em um restaurante onde ele frequenta e; outras autoridades como o sargento Jeffrey Pugliese (Simmons) e sua patrulha, entre outros. Todos eles não participam do evento da cidade e não testemunham diretamente a fatalidade, porém, conforme a narrativa progride aprendemos de que forma eles contribuíram ou interferiram na trama.

O Dia do Atentado

O Dia do Atentado

Além disso, Berg é muito fiel aos eventos antes, durante e depois, utilizando para tanto uma linguagem quase documental, na qual muitas poucas vezes presenciamos a câmera fixa, ou seja, o aparto permanece sempre em movimento, acompanhando os personagens e os acontecimentos ao redor ou ainda cai no chão algumas vezes captando alguns planos-detalhes da mesma forma como na versão original REC o terror era impresso pela câmera subjetiva da jornalista. O ambiente realista que se cria e que se torna mais palpável então também se deve ao trabalho da montagem que alterna entre as imagens filmadas e os arquivos de filmagens reais de moradores e da televisão e repórteres nos locais, algo que também foi feito em Jackie (2016).

Berg, por conseguinte, tem um excelente controle da mise-en-scène, principalmente ao transparecer com esse método o senso de urgência e a rapidez com que a policia age durante as investigações. Contudo, o maior que pecado que se comete é colocar novamente fotos, testemunhos e imagens reais após o término do longa, que somente faz reiterar tudo o que foi feito antes. O mesmo foi feito com o nomeado ao Óscar Lion – Uma Jornada Para Casa, onde foram juntadas imagens autênticas do reencontro entre filho e mãe logo após a imagem ficcional do reencontro entre filho e mãe ou os testemunhos da guerra no Japão em Até O Último Homem. É redundante e totalmente desnecessário optar por incluir planos que reiteram o conteúdo ficcional de maneira literal, ainda mais pelo fato de O Dia do Patriota já possuir um viés documental intrínseco à sua execução. É certamente eficaz para reforçar a homenagem que se pretende, mas isso não significa que isso se traduza em qualidade cinematográfica.

O Dia do Atentado é um registro simples e fiel para concretizar uma homenagem à cidade que firmou a marca “Boston Forte” após o fatídico dia e relembrar o patriótico espírito norte-americano. Nada mais.

Gabriella Tomasi é crítica de cinema e possui o blog Ícone do Cinema


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