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Crítica: Será “Neve Negra” o melhor filme argentino do ano?

Neve Negra

Neve Negra

“Para seu personagem, o sempre eficiente Ricardo Darin consegue trazer uma densidade assombrosa, algo que, através de uma postura curvada e de olhar cansado”

Por João Paulo Barreto

Algumas feridas não se cicatrizam jamais, diz a frase clichê. Essa definição é bem apropriada para a vida de Salvador, o atormentado ermitão que vive isolado na propriedade de sua família localizada na patagônia argentina. Remoendo um passado traumático, o homem sobrevive da caça e mantém-se aquecido do modo como pode, mesmo que há muito suas magoas não possam mais deixar qualquer calor penetrá-las. Tais sentimentos estão prestes a inflamar por conta da visita de sue irmão, Marcos, que, junto com sua jovem esposa grávida, vai até Salvador levando as cinzas do pai de ambos. A intenção é depositá-las no mesmo local onde o irmão caçula deles foi enterrado quando criança. Tal intento, no entanto, despertará mais dor e ódio do que qualquer possibilidade de uma recepção calorosa por parte do ermitão.

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Neve Negra cria em seu ambiente inóspito de frio congelante e ventos afiados a metáfora perfeita para o que rege a natureza familiar daqueles dois homens. Criados sob a régia tirânica e sádica de um pai violento, os dois rapazes, o garoto caçula e a irmã adolescente são apresentados ao público em eficientes flashbacks, inseridos em cena de um modo surpreendente ao utilizar o som diegético de cada ambiente, seja ele o ranger de uma escada, o barulho de uma surra de cinto sendo…Continua a leitura




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