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Entrevista com o jornalista Felipe Kieling

Felipe Kieling

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“O Brasil forma pessoas que possuem interesses rasos. Os veículos de comunicação das mais diferentes plataformas, vivem de audiência, cliques, tiragens de jornais…” (F.K.)

Por Elenilson Nascimento

À primeira, à segunda e à terceira vista, Felipe Carneiro Kieling, com apenas 29 anos, é muito sério, profissional, reservado, quieto, viajado, inteligente, namorado de uma loura linda e muito, eu disse… muito educado. Mas talvez hoje em dia tudo se tornasse bem mais simples caso as pessoas se guiassem apenas pelo sábio axioma proferido insistentemente pelo jeito de ser de caras como Kieling. “É extremamente importante formamos bons cidadãos. O problema é na raiz: educação”, disse o jovem jornalista nesta humilde, mas nem um pouco desimportante entrevista.

Outra solução para o raso momento na política, no jornalismo e na vida cotidiana que estamos vivendo seria nos embarafustarmos pelas veredas falsamente eruditas de celebridades chinfrins ou obedecer aos ensinamentos deste entrevistado, aliás, uma das entrevistas mais legais e prazerosas que este humilde escrevedor já fez. “Com uma população ignorante, fica mais fácil mentir, enganar, manipular… Infelizmente é assim”, afirmou.

Talvez inconformado com a situação do Brasil, mesmo morando na Europa, como todo bom ser pensante, Kieling parece que não consegue se desvencilhar da estranha mania de andar por caminhos necessariamente rebuscados, causando assustadoramente a tal “inveja branca” dentro das nossas infames limitações em compreender a cultura dos outros, a maneira de viver e os valores éticos dos locais em que visita. O seu jeito peculiar de fazer matérias revela um cara didático e detalhista, ele não esconde que navegar ainda é um desafio. Uma coisa de cada vez, e tudo ao mesmo tempo agora, ainda é muito pouco. Ele quer mais. E nós também.

Correspondente de esportes do Grupo Bandeirantes de Comunicação na Europa, mas que gosta mesmo é de fazer matérias sobre terrorismo, este jovem jornalista tem se destacado mais pelo carisma, pelo talento e pela clareza em suas reportagens do que pelas quantidades de horas na tela. E talvez tenha sido por isso que esta tenha sido uma das mais bacanas, simples e curiosas entrevistas que eu já realizei.

Devido a sua credibilidade alcançada, Kieling respondeu algumas perguntas sobre o seu perfil. Na entrevista ele diz que ser ético é a característica mais importante para todo jornalista, como se a opinião e a imparcialidade não pudesse ser negociada. “Infelizmente tem muito sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Eu ainda não me conformo como alguns programas de televisão ainda existem. Mas se existe coisa ruim, é porque tem gente para consumir coisa ruim”, disse o entrevistado. Kieling ainda falou sobre a influência da internet no trabalho do jornalista e a influência que a profissão traz no cenário político. Um cara muito interessante, inteligente e o melhor: jornalista dos bons e com uma bagagem cultural impressionante!

Elenilson – Como foi a sua escolha pelo jornalismo?

Felipe Kieling – Eu sabia que iria para a área de humanas. Sempre gostei de falar, ler, escrever… Estava em dúvida entre o marketing e o jornalismo. Acabei optando pelo jornalismo porque a minha intenção era viajar e tirar fotos. Nunca tirei uma foto profissionalmente, mas, ao menos, consegui viajar um pouco. Acho, inclusive, que nós não precisamos fazer uma escolha tão importante para a nossa vida muito cedo. Nem todos têm maturidade suficiente para uma decisão profissional desse tamanho aos 16, 17, 18 anos de idade.

Elenilson – Vários jornais e revistas no Brasil estão fechando, sendo vendidos para igrejas evangélicas, demitindo jornalistas em massa ou cortando cadernos inteiros para se tornarem mais popularescos; jornalistas estão sendo trocados por estagiários copiou-colou; faculdades de comunicação estão formando uma geração inteira de não-pensantes e a deseinformação virou essa foca diária e previsível de todos os dias. Com isso tudo, você acha que estamos no fim ao curto prazo do jornalismo sério?

Felipe Kieling – Realmente o momento que vive o jornalismo é triste e preocupante. Mas eu não acredito que estamos caminhando para o fim da profissão. Acho que o jornalismo – como outras áreas – é apenas um reflexo da nossa sociedade. No Brasil tem muito gestor ruim, pessoas incapacitadas, funcionários fracos, mão-de-obra barata, demissão em massa e alunos recém formados que não estão preparados. Tem muita gente boa também! No jornalismo isso está mais em evidência porque é uma área que todos têm acesso e podem julgar, ao contrário de quem é bancário, por exemplo, onde o trabalho da pessoa está restrito a uma pequena parcela da população. O jornalismo é fundamental e muito importante para uma nação e, até por isso, não acredito num fim. Acho, porém, que estamos passando por uma transição. Uma transição de forma desgovernada e que a situação do país agrava ainda mais, só que, ao contrário de muita gente, eu vejo um futuro muito promissor ao jornalismo, principalmente se for aliado às grandes novidades tecnológicas.

Elenilson – Sua chegada como correspondente da Band marca um estilo bem diferente do jornalismo raso e comum feito no Brasil, pois você é um dos poucos (que posso contar nos dedos de uma das mãos) que não fica alardeando misérias, usando miseráveis para aumentar a audiência, não ostenta mediocridades ou melhor, faz a notícia parecer menos pobre. Esse é um estilo seu mesmo, ou foi por acaso que você agregou essa maneira educada de conduzir suas participações?

Felipe Kieling – Infelizmente tem muito sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Eu ainda não me conformo como alguns programas de televisão ainda existem. Mas se existe coisa ruim, é porque tem gente para consumir coisa ruim. Cada um escolhe e aceita o trabalho que for melhor para si. No meu caso, eu prefiro fazer um jornalismo mais leve mesmo em situações extremas. O repórter acaba sendo na televisão um reflexo do que ele é no dia-a-dia. Tem os mais engraçados, os dramáticos, os educados, os que gritam, os que falam baixo…. tem estilo para todos os gostos.

Felipe Kieling

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Elenilson – Você tem muita experiência, apesar da sua cara de novinho, na elaboração de matérias bem elaboradas, mostrando de fato, uma versatilidade e comprometimento não muito comum na área, mas quais são os temas que realmente você se sente mais motivado em tratar?

Felipe Kieling – Eu “cresci” dentro do departamento de esportes da Band. Entrei lá aos 18 anos e nunca mais sai. Além de gostar, eu pratico muitos esportes. Comecei a fazer o jornalismo factual em outubro de 2016, ainda estou começando. Eu diria que o esporte é o assunto em que eu me sinto mais confortável em tratar, só que o assunto que eu me sinto mais motivado é o terrorismo. Como é algo muito intenso, que exige um esforço emocional e físico; além de ser algo imprevisível, é algo que mexe comigo de uma forma que outros assuntos não mexem.

Elenilson – Nestes tempos terríveis de preconceitos, violência, falta de educação e burrice generalizada, além da triste proliferação de emissoras popularescas e de fofocas, teve alguma outra mudança no telejornalismo brasileiro?

Felipe Kieling – Acho que estamos vivendo uma revolução tecnológica que está mudando a maneira de fazer e consumir jornalismo. Eu entro ao vivo, de qualquer lugar do mundo, através do Skype. Basta um celular e uma internet para eu falar de onde estiver com o Brasil inteiro. Isso era impensável há poucos anos. Gosto muito também das matérias em 360 graus. Ah, e cada vez mais as câmeras estão diminuindo. Acho que já passamos da hora de tirar do ombro do cinegrafista uma câmera que pesa 12,15 quilos para uma câmera de 3,4 com a mesma qualidade e funcionalidade.

Elenilson – Das coberturas que você já fez, políticas, esportivas, literárias, culturais, cotidianas, qual a que mais gostou?

Felipe Kieling – Apesar do terrorismo me exigir mais e ser algo desafiador, é impossível falar que eu gosto de cobrir terrorismo. Sem dúvida os eventos esportivos são mais legais. A Olimpíada de Londres e a Eurocopa são as minhas coberturas prediletas.

Elenilson – Quem gosta de jornalismo sente falta na Band, por exemplo, de pautas mais culturais, ao invés disso, a emissora vende horários para que a religião seja usada para adestrar porcos. Como você é um jornalista com um certo grau de responsabilidade com a coletividade, mas desprovido de deslumbramento, como analisa esse fato?

Felipe Kieling – Tenho certeza que a Band não queria vender horários e, se pudesse, produziria muito mais conteúdo. A verdade é que os gestores precisam ser mais gestores do que jornalistas. Eu como jornalista fico triste com isso, mas se fosse gestor, talvez pensaria diferente. A saúde financeira do país está péssima e isso se reflete nas empresas. Se não há anunciantes, é preciso arrecadar dinheiro de outra forma. Apesar de ser uma concessão pública, as televisões dependem do capital privado. Enfim, é um assunto que de fora parece mais fácil analisar, mas para quem precisa equilibrar as contas, essas decisões devem ser dificílimas.

Elenilson – Um bom jornalista se faz mais pela insistência, pela sorte ou pela babação de ovo?

Felipe Kieling – Um bom jornalista se faz pela insistência, formação, talento e sorte. A babação de ovo pode ajudar uma pessoa a chegar mais longe. É importante destacar que tem jornalista bom com cargo ruim e jornalista ruim com cargo bom.

Elenilson – Em Salvador temos três jornais populares: um que se promove a base de vendas de CDs por 0,75 e fofocas de estrelinhas arrogantes do axé; o outro que virou um veículo para classificados; e o terceiro que é um diário decadente da vida dos políticos da província. O que você mandaria demolir na atual maneira de se fazer jornalismo?

Felipe Kieling – Infelizmente nada. Eu não sei exatamente as dificuldades que essas empresas passam. Uma coisa eu aprendi no jornalismo: o que eu gosto, muitas vezes não é o que a maioria gosta. Meu ciclo de amizades não reflete o real pensamento do país. Acho que o maior desafio do jornalismo é produzir aquilo que o povo quer. Eu concordo com você que o público consome muita coisa ruim, mas isso, na minha opinião, é um problema de educação. O Brasil forma pessoas que possuem interesses rasos. Os veículos de comunicação das mais diferentes plataformas, vivem de audiência, cliques, tiragens de jornais… enfim, acho que se tem coisa ruim é porque tem gente que consome coisa ruim.

Elenilson – Você acha que os blogs são nossas últimas e grandes esperanças para um jornalismo mais cidadão – para nos “apoderarmos” (essa palavra virou moda) do modo de produção e falarmos a verdade aos poderosos sem trocar de roupa por dias a fio?

Felipe Kieling – Acho que os blogs são apenas uma ferramenta do processo. Acho que hoje o jornalismo está mais fácil de se fazer. É possível escrever em blogs, montar portais, ter canal no Youtube, página no Facebook. Para mim, o maior desafio desses veículos menores é a criação da credibilidade. Em tempos de muitas notícias falsas, alguns acabam pagando o preço. Eu, por exemplo, confio nas notícias que leio em grandes veículos: BBC, The Guardian, CNN, Le Monde. Acho que grandes veículos podem ser tendenciosos, mas não mentirosos.

Elenilson – Mas, santo Deus!, por que a maioria dos porta-estandartes da revolução têm que ser tão repulsivamente obcecada por tecnologia?

Felipe Kieling – A tecnologia faz parte da nossa vida e nos facilita um montão. Hoje em dia uma mente brilhante não basta… é preciso ser uma mente brilhante aliada a tecnologia.

Felipe Kieling

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Elenilson – Como a Band quer competir, agregar conteúdo e “educar” uma população carente de bons programas, se continua divulgando uma programação alienante, rasa e demasiadamente religiosa, gastronômica e de pegação sem nenhum senso crítico de formação do cidadão, bem longe da nossa realidade, ao invés de produzir conteúdo realmente interessantes e com talentos locais?

Felipe Kieling – Essa é uma resposta semelhante ao que disse acima. A Band faz uma programação para atingir um público alvo. Vende horários para arrecadar dinheiro. Apesar de ser uma concessão pública, a Band depende do dinheiro de empresas privadas. Na teoria, essa ideia de que a televisão tem uma responsabilidade de ‘educar’ pessoas é linda, mas na prática isso não funciona bem. Eu adoro história, mas tenho certeza que entre uma pauta sobre a Revolução Industrial e uma sobre um ataque com ácido na rua, a audiência será maior na segunda.

Elenilson – Existe muita gente incompetente tanto no jornalismo, na educação, assim como na administração pública. O que é importante realmente na criação de um projeto cultural, como o do museu Rodin, para que não se caia numa descaracterização total nem numa necrofilia?

Felipe Kieling – Vontade! Vontade de todos: políticos, sociedade, iniciativa privada. Grandes artistas nós temos, o culto a eles nem tanto.

Elenilson – Sua trajetória acadêmica parece que foi bastante ascendente, e ao que parece você sempre foi muito participativo. Como você avalia os cursos de jornalismo no Brasil?

Felipe Kieling – Existem excelentes cursos e outros que são fracos. O ditado é batido, mas muito verdadeiro: quem faz a faculdade é o aluno. Se a pessoa for comprometida e esforçada vai conseguir se formar bem.

Elenilson – Atualmente o Brasil passa por um ciclo bem complicado em vários setores – graças à incompetência dos poderes públicos. Entretanto, simultaneamente, o país também vive a realidade do apagão de inteligência. Até que ponto essa falta de gente realmente qualificada pode comprometer o crescimento do país na sua opinião?

Felipe Kieling – Total. É extremamente importante formamos bons cidadãos. O problema é na raiz: educação. Por muitos anos negligenciamos (e continuamos a…) a educação. As escolas brasileiras são fracas, as pessoas não gostam de ler, pessoal na oitava série que não sabe escrever. O que fizeram e fazem com a educação brasileira e com nossos jovens – nosso maior ativo – é um crime dos mais graves.

Elenilson – Você acha que Sérgio Moro sozinho dará conta do recado em colocar toda a gangue de políticos para apodrecer na cadeia ou tudo, no final, vai virar pizza de calebresa?

Felipe Kieling – Não, não acho que ele sozinho vai acertar o país. Acho, inclusive, que apesar de fazer um trabalho fundamental e ter feito um bem danado ao país, ele usa dois pesos e duas medidas. É um cara importante, mas precisamos de mais gente assim e gente mais imparcial também.

Elenilson – O que de melhor e de pior já lhe aconteceu no jornalismo?

Felipe Kieling – Melhor: a oportunidade de ser correspondente. Poder ver o mundo com o olhar brasileiro é demais. Pior: perder inúmeros compromissos familiares por causa da profissão.

Elenilson – Você é uma pessoa muito bem formada e educada, além de ser um cara lindo, que mantém diálogos com credibilidade com seu network. Até que ponto as redes de relacionamentos podem ajudar as pessoas que estão começando uma carreira no jornalismo?

Felipe Kieling – Acho que redes de relacionamentos podem ajudar em qualquer profissão. Duas pessoas podem ser competentes, mas a diferença para uma contratação pode ser justamente o relacionamento.

Elenilson – Ainda sobre educação, a estrutura atual das escolas é do século 19, o currículo do século 20, e os alunos do século 21. Como cobrar mudanças quando o governo não investe em nada?

Felipe Kieling – É complicado. Não tem como cobrar das pessoas. Nesse caso a cobrança deve ser feita aos políticos que, como todos sabem, preferem uma população mais ignorante para massa de manobra.

Elenilson – Nas mesas de pôquer quem blefa mais se dá mal e paga a conta. Na política do Brasil, quem rouba mais, quem é corrupto e quem sabe mentir melhor, ainda é ovacionado por esses (des)governos. Comenta.

Felipe Kieling – Um bom blefe no pôquer pode render uma bolada. (risos) A resposta está acima. Com uma população ignorante, fica mais fácil mentir, enganar, manipular… Infelizmente é assim. Até a seca no nordeste é usada para angariar votos. Os políticos perderam, há muito tempo, o senso do absurdo.

Felipe Kieling

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Elenilson – Lobão, no seu excelente livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, denuncia a farsa que é a Lei Rouanet. Você, como comunicador, como avalia essa lei que anda beneficiando aqueles que não precisam tanto de dinheiro público para manter-se na mídia, milhões jogados nas mãos de algumas dezenas que formam uma panelinha com seus projetos mirabolantes? É um tal de comemorar aniversário de carreira, de lançar DVD celebrando seja lá o quê, de produções cinematográficas desde a vida de Lula até filme com a filha do Didi, peças toscas de teatro com globais, e por aí vai…. Você concorda com os que dizem que o Brasil é o túmulo da cultura com leis como a Rouanet e editais que só privilegiam as panelinhas de sempre?

Felipe Kieling – Eu acho que a ideia da Lei Rouanet é boa, mas a prática dela não. Artistas consagrados, milionários… não podem se beneficiar dessa lei. Ela deveria ir apenas para artistas sem receitas e jovens talentos.

Elenilson – Quais os seu autores favoritos? E os discos? E os filmes?

Felipe Kieling – São muitos, mas gosto do Gabriel García Marquez. Não sou um grande colecionador de discos… Gosto de músicas em geral: Frank Zappa, The Doors, Sublime e MPB estão sempre alimentando os meus ouvidos. Filmes são muitos também. “Prenda-me se for capaz” eu gosto muito. Mas qualquer um que envolva ação e estratégia.

Elenilson – Você faz parte da força de talento do jornalismo brazuca que chama a atenção por não ser mais um baba ovo de estrelinhas decadentes e vive o desafio como outros de dissiminar mais informação com sensibilidade, buscando um mundo mais fraterno e mais justo. Você considera que ser integro é um desafio permanente, independentemente da função?

Felipe Kieling – Acho que não deveria ser um desafio, mas uma ação natural do dia-a-dia. Acredito, porém, que isso é algo que deve ser permanente.

Elenilson – Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela queda da exigência do diploma para atuar na área de jornalismo. Milhares de estudantes e profissionais ficaram desolados, não sabendo o futuro da profissão. Qual a sua opinião sobre a necessidade do diploma?

Felipe Kieling – Eu acho que deveria ser obrigatório. É um absurdo não ser. Jornalismo é coisa séria. E as empresas sérias – ainda bem – exigem o diploma para o funcionário.

Elenilson – Qual a sua opinião para o atentando sofrido pela revista “Charlie Hebdo”, o fechamento de vários jornais importantes e até do Reinaldo Azevedo ter sido despedido da Veja e ido para a Rede TV? Acha que isso fere a liberdade de expressão, mesmo eles também carregando na tinta da intolerância?

Felipe Kieling – Acho que sim. A liberdade de expressão deve existir sempre. Gostar ou não gostar é uma questão pessoal. Tem gente que gosta das sátiras dos Charlie Hebdo, tem os que gostam do Reinaldo Azevedo… tem gente e gosto pra tudo. Cada um deveria buscar aquilo que quer pra si. Eu acho que o Charlie Hebdo passa do ponto algumas vezes, mas entre achar que ele deveria fechar ou não fazer sátiras com o que quer que seja é uma diferença enorme.

Elenilson – Aqui no Brasil, publicações como as antigas revistas “Bundas”, “Casseta e Planeta” e muitos outros chargistas também já tocaram no assunto de religião, mas sempre foram ignorados. Acha que somos mais pacíficos ou isso demostra falta de leitura? 

Felipe Kieling – Acho que hoje em dia essas pessoas teriam mais problemas. Infelizmente vivemos numa era em que nada pode, que todo mundo critica todo mundo, do politicamente correto… Qualquer um deveria ter o direito e a liberdade de desenhar ou escrever o que quiser e vai de cada um consumir aquilo ou não.

Elenilson – O que você achou do governo assistencialista petista (agora envolvido em todo tipo de maracutaia) no país das marchas e manifestações inúteis?

Felipe Kieling – Não votei no PT e não votaria, mas apesar de achar que ele fez um mal danado ao país, é impossível não reconhecer que para muita gente pobre ele foi bom. Acho que de uma maneira irresponsável, se aproveitando de um momento bom do país… Mas o PT diminuiu um pouco a desigualdade.

Elenilson – Qual seria a verdadeira revolução de baixo para cima e de muitos para muitos que nos foi prometida?

Felipe Kieling – Acho que estamos passando por uma revolução, mas muita gente não percebeu. A população está mais engajada politicamente e ela pode fazer a diferença para o país no futuro. Será a povo, vindo de baixo, que vai varrer a sujeira política que temos.

Elenilson – O que ainda podemos esperar do Felipe Kieling?

Felipe Kieling – Muita vontade e inovação. Gosto de coisas novas e por ter ainda 29 anos, tenho a energia a meu favor.

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina

fotos: arquivo particular do FK/divulgação

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