Crítica: “Annabelle 2 – A Origem do Mal” e a sessão muito assombrada em um cinema de Salvador
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Crítica: “Annabelle 2 – A Origem do Mal” e a sessão muito assombrada em um cinema de Salvador

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Annabelle 2

Annabelle 2

A experiência em assistir ao filme da boneca tem se mostrado bem assustadora e inesquecível para algumas pessoas

No último domingo de agosto, dia 27, fomos a uma sessão lotada de “Annabelle 2 – A Origem do Mal” em uma sala da Rede UCI Orient de Cinemas em Salvador. A sala, uma das maiores do complexo, que é um dos melhores da capital baiana. O filme começou e logo nos primeiros minutos tínhamos percebido que de fato a novo terror dos cinemas iria centrar a história na sua origem.

Essa escolha da produção vem sendo bastante comum em franquias de sucesso, e nem sempre o resultado é o melhor. No caso de Annabelle, o resultado, mesmo que o espectador não contasse mais com aquela ideia assustadora de ver um filme baseado em fatos que realmente aconteceram, o resultado estava bastante satisfatório.

O clima desde o início se mostrava propício para um filme de terror: passado em uma cidade mais para o interior, em uma época do passado, com crianças nos papeis principais e uma família religiosa no centro da trama. “Annabelle 2 – A Origem do Mal” soube utilizar de modo adequado – novamente – a cartilha do bom filme de terror. E quando falamos em bom filme, talvez não estejamos nem priorizando as questões mais técnicas, e sim a relação que a história estabelece com quem assiste.

A sala de cinema lotada, de adolescentes em grande parte, seguia o filme em cada cena. As primeiras cenas de suspense e susto tiveram como resposta aquele grito que mais soava como riso, típico comportamento de jovens em filmes de terror. Para equilibrar um suposto medo, o espectador sorri para estabelecer uma relação de coragem e não de medo.

Porém no meio da história a sala já estava menos barulhenta e mais séria, pois a trama já havia entrado em momentos onde a mitologia em torno da boneca já havia sido mostrada. “Annabelle 2 – A Origem do Mal” ganha pontos ao fazer o espectador entender que o que está em jogo é uma relação entre religiosidade, crença e demônio. Estes elementos tornam possíveis as cenas, ao menos algumas – que o filme apresenta.

Com a plateia ganha, a parte final de Annabelle serviria para dar uma quantidade enorme de sustos no público, e finalizar a história com o gancho para o início da franquia, que aconteceu com o primeiro filme, e com a introdução da história, no filme “Invocação do Mal”.

Estávamos próximos ao ápice de “Annabelle 2 – A Origem do Mal” quando, na sala lotada do cinema, algo aconteceu.  Estávamos diante de uma jovem, sentada em uma cadeira ao fundo, se tremendo e gritando. Observando hoje podemos pensar em um ataque de epilepsia ou algo parecido, mas naquele momento, com um filme de terror chegando a seu momento crucial, o público inteiro da sala imaginou que se tratava de uma possessão demoníaca.

A partir daí o que se viu foi o caos: pessoas gritando, correndo, deixando tudo nas cadeiras. Muito choro e uma sensação de que algo de muito sério estava acontecendo. Estávamos na frente, então nosso comportamento foi um pouco mais racional, porém é compreensível que as pessoas próximas à menina tenham se sentido assustadas com a situação.

Demorou um pouco até a equipe médica do cinema chegar e tentar socorrer a garota. Ela foi levada para a parte de baixo da sala e então pudemos vê-la de perto: estava ainda em choque, fazendo movimentos bruscos e muitos estranhos. Claro que não acreditamos em nada sobrenatural, mas era possível que um jovem, adolescente, pensasse desta forma. O filme ajudava a pensar assim.

Cerca de 30 minutos após os primeiros gritos da menina, a sala voltou ao normal. Ou ao menos tentou. Muitos, com medo, já tinham ido embora. Outros choravam ainda. Um garoto, de uns 15 anos, havia se perdido dos amigos, e veio sentar-se ao nosso lado. O responsável pela projeção ainda teve a crueldade de voltar o filme para momentos muito antes da cena que deveria ser pausada e o resultado foi termos que rever uns 20 minutos de história já vista.

E assim, aos trancos e barrancos, “Annabelle 2 – A Origem do Mal”, chegou ao fim com a certeza de que a experiência do filme havia sido afetada, para o mal, por não termos tido a visão contínua da história, mas inesquecível, por termos história para contar para os nossos futuros filhos e netos.

Uma sessão de Annabelle que de fato foi assustadora, em todo o seu contexto.

Só esperamos que a menina em questão já esteja bem melhor em sua casa.


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