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Crítica: vale a pena ver o terror “A Morte Te Dá Parabéns”?

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A Morte Te Dá Parabéns

A Morte Te Dá Parabéns

Dirigido por Christopher B. Landon. Roteirizado por Christopher B. Landon, Scott Lobdell. Elenco: Jessica Rothe, Israel Broussard, Ruby Modine, Annika Harris, Rachel Matthews, Charles Aitken, Brody Lang, Rob Mello

Por Gabriella Tomasi

Antes de assistir a esse filme na sessão, houve uma pequena discussão entre alguns críticos acerca de como seria abordado este filme que se diz terror com uma classificação indicativa para 14 anos. De acordo com o Sistema de Classificação Indicativa Brasileiro, uma obra que se encontra nesta faixa apresenta em seus conteúdos algum tipo de violência sim, mas não o suficiente para ser inapropriado a menores de idade, além de poder conter nudez, insinuação a drogas, vulgaridade, relação sexual, ente outros elementos. De fato, A Morte Te Dá Parabéns causa uma confusão neste aspecto tendo em vista a irregularidade de sua proposta, pois o longa não é exatamente apenas terror, também tem um pouco de comédia adolescente, suspense e drama, mas parece que a narrativa transita entre todos esses gêneros e ao final não sabe qual se quer assumir.

Christopher Landon se especializou em filmes de terror. Contando com a saga Atividade Paranormal em seu currículo, assim como outros projetos como roteirista, o diretor parece estar perdido ao repetir muitos daqueles velhos clichês preconceituais narrativos: é a menina loira e branca com roupas brancas angelicais que é atacada e precisa escapar da morte. Para tanto, se cria aquele mesmo cenário infernal para que ela possa sofrer o máximo possível. Na trama, Teresa “Tree” Gelbman é uma estudante universitária do curso de medicina, integrante da típica república cheia de meninas fúteis comandada por uma tirana que faz bullying com suas colegas e simplesmente proíbe comer glúten ou carboidrato, ou até mesmo café da manhã. A protagonista é então morta várias vezes pelo seu assassino no dia de seu aniversário, mas revive o mesmo dia na sequencia, o que lhe concede a oportunidade não somente de tentar descobrir a identidade do antagonista, mas também de tentar consertar seus erros e reconciliar com seu passado. Sendo assim, em uma mistura de Feitiço do Tempo (1993) e Pânico (1996), Landon tenta resgatar aquela época dos anos 90 e 2000 de completo deboche e subversão (no bom sentido) dos elementos de terror.

A abordagem é eficiente muitas vezes, principalmente quando a protagonista passa a lidar e a romper com certos valores morais muito importantes atualmente como, por exemplo, a sua própria vitimização para se colocar numa posição de heroína, a preocupação exagerada com a estética da mulher, a rebeldia da idade, o descaso com os demais, as traições e até mesmo o fato de alguém não se aproveitar de uma menina bêbada e até mesmo a homossexualidade reprimida. Todavia, impossível não perceber seus defeitos que comprometem essa mensagem: muitas vezes o longa trabalha esse lado cômico e mais relaxado do terror, mas outras vezes se leva a sério demais o que torna confuso, no mínimo, para o espectador se deve se divertir às custas do personagem ou não. Outros aspectos jamais foram explicados como, por exemplo, por que Tree sempre revive o mesmo dia ou por que quando acorda sente algumas dores em razão dos ferimentos do assassino sem explicar, no entanto, por que ninguém mais parece ser afetado pelas ações da protagonista. E por fim, seu plot twist não faz o menor sentido ou sequer possui um mínimo de probabilidade para acreditarmos que poderia acontecer.

Mesmo assim é um filme que irá atingir seu público-alvo. Sua característica de terror adolescente é até certo ponto respeitada a ponto de dialogar e divertir os mais jovens, mas talvez os mais velhos irão revirar os seus olhos durante a sessão. O trabalho de Landon na direção é ainda bem feito e A Morte Te Dá Parabéns consegue extrair momentos louváveis como o jogo de ângulos holandeses, de focos e imagens distorcidas com cortes rápidos que simbolizam a confusão mental de Tree. Mas como sabemos, nem mesmo a perfeição técnica pode salvar um filme que não consegue se sustentar por noventa e seis minutos.

O ano de 2017 nos agraciou com belíssimas obras de terror como Corra!, Ao Cair da Noite, It: A Coisa, Grave. Mas infelizmente, A Morte Te Dá Parabéns não se enquadra nesta lista, resultando em um trabalho bastante mediano.

Gabriella Tomasi é crítica de cinema, graduanda em letras, membro do coletivo de mulheres críticas de cinema – ELVIRAS, e possui o blog Ícone do Cinema

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