Crítica | O Assassinato no Expresso Oriente: melhor filme de investigação
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Crítica | O Assassinato no Expresso Oriente: o melhor filme de investigação do ano

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O Assassinato no Expresso Oriente cinema

O Assassinato no Expresso Oriente estreia nesta quinta

Dirigido por Kenneth Branagh. Roteirizado por Michael Green. Baseado na história de Murder on the Orient Express de Agatha Christie. Elenco: Kenneth Branagh, Tom Bateman, Lucy Boynton, Olivia Colman, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Manuel Garcia-Rulfo, Derek Jacobi, Marwan Kenzari, Leslie Odom Jr., Michelle Pfeiffer, Sergei Polunin, Daisy Ridley

Por Gabriella Tomasi

O ano de 2017 nos concedeu algumas obras desastrosas do gênero policial como Assassino: Primeiro Alvo (que eu espero que não haja continuação) e Boneco de Neve mais recentemente. O Assassinato no Expresso Oriente, adaptação cinematográfica da obra homônima da famosa “Rainha do Crime” Agatha Christie, não somente traz uma fidelidade à essência ao material original, mas também traz elementos novos que não foge de modo algum com a proposta.

Primeiramente, gostaria de esclarecer sempre aos meus leitores que não busco comparar o trabalho literário com o da sétima arte, mas ao mesmo tempo não posso deixar de ressaltar o quanto o roteiro manteve o que é indispensável a um bom suspense à la Christie. Neste contexto, os fãs serão pegos de surpresa por novos plot twists e alguns obstáculos novos para desenvolver uma postura mais ativa do detetive até o ponto de, quem sabe, duvidarem do desfecho mesmo quando o já sabem, mas sem que a narrativa tire de foco o principal. Esse efeito também se deve porque Agatha Christie pouco focava seu interesse no final em seu livro, o importante era testemunhar a mente do detetive Hercule Poirot funcionar. Obviamente, este elemento é muito ressaltado por Kenneth Branagh, mas ao contrário, o final é desenvolvido de tal forma a dialogar com a jornada de todos os personagens, inclusive com o próprio Poirot – uma escolha sensacional que trabalha valores morais e o questionamento de até onde o rigorismo de seu trabalho lhe permite ser inflexível.

Aliás, Branagh merece grandes aplausos por não somente fazer um trabalho excepcional como o investigador belga, com seus maneirismos, toques, manias e sotaque impecáveis, mas por uma direção dinâmica e maravilhosa. Muito do próprio trem é explorado: no exterior, planos abertos enaltecem o isolamento de todos os personagens, o orgulho da magnífica e luxuosa estrutura que tanto se gaba Monsieur Bouc (Bateman), além da mudança climática do calor intenso para as gélidas temperaturas que não coincidentemente anunciam a morte do Sr. Rachett (Depp), um dos passageiros; no interior, por sua vez, seja o trem visto de dentro para fora ou vice-versa, sentimos o impacto do confinamento dos corredores estreitos, da limitação dos espaços nos vagões ou na parte do restaurante. Branagh utiliza de planos longos e em sequencia justamente quando quer enaltecer a geografia ou os cenários e planos mais fechados quando nos aproximamos cada vez mais do íntimo. Não é à toa quando vemos Poirot de perto quando está prestes a resolver um caso, ou um casal que é visto pelo detetive através de uma porta estreita. É um casamento perfeito entre claustrofobia e isolamento tanto físico quanto emocional.

Todos os atores vestem seus respectivos personagens de modo eficiente e são bem definidos: de fato, todos são suspeitos, todos parecem esconder algo que o roteiro aponta para várias direções, mas que são extremamente relevantes para a resolução do caso. É interessante a maneira como interagem para exporem seus próprios preconceitos ou como a tirada recorrente de chamar Poirot de Hércules e não Hercule, em uma clara referência à imagem do herói. Na realidade, o roteiro teve o cuidado com esses detalhes, mas também teve uma brilhante ideia de colocar O Assassinato no Expresso Oriente em meio a dois mistérios terminando com uma possível continuação para a realização de Morte do Nilo.

Infelizmente há alguns detalhes que incomodam, como a artificialidade do trem na neve advinda de um excessivo uso de CGI, assim como uma trilha sonora que não se destaca em nenhum momento para acompanhar a intensidade das cenas.

Mesmo assim, O Assassinato no Expresso Oriente é definitivamente o melhor filme de investigação do ano até agora. Apenas nos resta esperar por mais aventuras de Hercule Poirot.


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