Crítica | Lady Bird é o triunfo genial de Greta Gerwig
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Crítica | Lady Bird é o triunfo genial de Greta Gerwig

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Lady Bird 2017

Lady Bird 2017

Crítica Lady Bird: filme que estreia no próximo dia 15 de fevereiro chega como a grande surpresa desta temporada de premiações; primeiro filme dirigido pela atriz impressiona pela inteligência

É bem difícil começar o texto sobre Lady Bird sem contextualizar o papel que ele exerce nesta temporada de cinemas nos Estados Unidos, sobretudo. O filme, dirigido pela linda e absurdamente talentosa Greta Gerwig exerce a mesma função que um dia exerceram filmes como Juno, Little Miss Sunshine, (500) Dias com Ela e até mesmo La La Land, Boyhood. Ou seja, é o representante máximo de 2017/18 do cinema independente, e principalmente, daquela vibe indie impregnada em filmes como este.

Esta atmosfera indie às vezes não precisa ser explicada, mas sim sentida. E em Lady Bird este clima é percebido da primeira a última cena, por todos os poros do filme. Desde a empatia e personalidade ímpar da protagonista (Lady Bird), passando pelo roteiro e diálogos, todos bem dinâmicos, cheio de referências e inteligentes. E podemos finalizar falando da trilha sonora que logo de cara apresenta ao espectador uma das músicas mais alternativas de Alanis Morissette.

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E tal como alguns dos exemplos citados logo no início, Lady Bird é dirigido por uma cineasta jovem e que exala este espirito alternativo. Greta Gerwig, que protagonizou um dos filmes mais representativos deste nicho (Frances Ha), debuta no trabalho de roteiro e direção de forma magistral. Linda e inteligente, ela joga muito de si em Lady Bird, a personagem, e a transforma em algo que beira o genial; lindo, sensível, emotivo e inteligente, o seu filme consegue apresentar todos os elementos de um bom cinema, e tudo do modo mais simples possível, sem a necessidade de grandes efeitos especiais ou um elenco de estrelas hollywoodianas.

Seu filme é lindo por vários motivos, mas principalmente pelo que existe de essencial no roteiro: a relação poderosa, instável e verdadeira de uma mãe e filha. Lady Bird, interpretada pela bela Saoirse possui aquela típica relação mãe e filha com Marion, interpretada por Laurie Metcalf. Os motivos? Bem, todos aqueles existentes naquela fase de uma adolescente prestes a chegar a vida adulta.

Lady Bird possui todas as inseguranças, desejos, sentimentos, bons e ruins, de uma adolescente. Odeia (ou ama sem saber) a cidade onde vive, a escola que estuda, a casa que mora, a vida que possui.  Sua meta então é sair dali rumo aos grandes centros culturais do mundo, no caso, dos Estados Unidos. As brigas com a sua mãe nascem desta contraposição de duas personalidades diferentes em termos de desejos, mas muito parecidas em termos de comportamento: ambas são fortes e é maravilhoso para quem assiste observar as duas em ação.

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É difícil, para quem conhece um pouco de Greta Gerwig, não associar a personagem principal a ela, até mesmo porque já foi falado que muito de Lady Bird existe em Greta. O filme é apaixonante justamente por isso, porque Greta enquanto diretora conseguiu transmitir integralmente a sua personalidade (pessoal e profissional) no filme. Lady Bird possui a sua ‘cara’. É tão alternativo (em termos de escolhas cinematográficas) quanto ela é como atriz e provavelmente como pessoa.

O roteiro, a cargo de Greta, também carrega esta atmosfera indie. Com diálogos rápidos, inteligentes e ácidos o texto por detrás do filme é um deleite para quem gosta de cinema. As cenas variam daquelas bem diretas, com diálogo após diálogo, até cenas mais contemplativas, onde a imagem vale mais que mil palavras. A cena do baile é um bom exemplo, quando vemos Lady Bird e sua melhor amiga se divertindo como se soubessem que a partir de então suas vidas mudariam.

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Mudar. Sim, o filme é um conto sobre ritos de passagem também. E tem muitos dos elementos: a escola, a virgindade, a faculdade, a carteira de motorista. É um show de elementos que fazem quem assiste se lembrar de como foi para ele estes momentos de passagem da vida adolescente para a vida adulta. Neste sentido, temos mais um tiro certeiro de Lady Bird.

Roteiro inteligente, direção incrivelmente competente, trilha sonora escolhida a dedo, fotografia que traz aquela atmosfera americana do pós 11 de setembro, tudo isso vemos em Lady Bird, o triunfo genial de Greta Gerwig.

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Principais informações
Data de publicação:
Título da publicação:
Lady Bird é o triunfo genial de Greta Gerwig
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Sobre o autor

Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

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