Crítica The Cloverfield Paradox | um balaio de bobagens
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Crítica The Cloverfield Paradox | um balaio de bobagens

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The Cloverfield Paradox

The Cloverfield Paradox

The Cloverfield Paradox era para ser mais um capítulo interessante da franquia de J.J. Abrams, mas se transformou num desperdício de tempo

Não adiantou nada o lançamento mais que revolucionário do novo filme de J.J. Abrams, um dos ícones do universo geek e aclamado por ter dado vida a uma das melhores séries de todos os tempos (sim, estamos falando de Lost). Por sinal, The Cloverfield Paradox tem muito de Lost, mas principalmente de outra série de J.J. a fantástica Fringe.

Falando em Fringe, e entrando já na análise de Cloverfield, um dos grandes pecados da equipe de roteiristas do filme foi justamente colocar de modo destacado a questão do multi universo, e da existência de realidades paralelas. Isso em Fringe funcionou, primeiro porque eles tinham cerca de 20 episódios por temporada para trabalhar aos poucos estas questões, e segundo porque, mesmo com alívio cômico, em Fringe as situações eram colocadas com seriedade.

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Em The Cloverfield Paradox nada disso funciona. E Por quê? Bem, primeiro porque demanda um roteiro mais trabalhado, denso, inteligente, mas, sobretudo, humano, que valorize também os personagens. No filme, disponibilizado pela Netflix, os termos científicos são jogados para discussão, e o espectador se preocupa mais em entender do que em torcer por algum personagem, seja a favor, ou contra. Todos eles, sem exceção, foram secundarizados em prol da discussão cientifica e vazia da possibilidade de existir um multi universo.

Outro elemento que irrita é a famosa gracinha americana (que no caso aqui é mundial) em momentos dramáticos. Tem um momento que um dos tripulantes perde o braço (sim, o braço), em uma cena bem assustadora, até. Cena esta que se quebra vê-lo fazer piada com o fato de estar sem braço. E sequências como esta são vistas a todo instante em Cloverfield, quebrando sempre a carga dramática, e não colocando nada de útil no lugar.

The Cloverfield Paradox

Antes de continuar, vamos contextualizar a história: no filme, um grupo de astronautas em uma estação espacial precisam resolver uma crise de falta de energia no planeta Terra. Entretanto, um acidente com um acelerador de partículas deixa o grupo à deriva no espaço. Quando os radares da estação captam a presença de uma nave europeia, eles precisam descobrir se é uma chance de salvação ou mais uma ameaça.

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É um tanto difícil saber onde se encontra esta sequência dentro do universo da franquia, pois enquanto os outros dois filmes lidavam com o medo do desconhecido, este aqui trabalha somente questões mais científicas, de apocalipse. A Terra corre o risco de sumir e os tripulantes são s únicos que podem evitar tamanha catástrofe.

Pegando este trecho do filme, vemos o quão bobo ele se mostra. Dentre os pretensos heróis do plante estão representantes de alguns países, como Alemanha, Brasil, Itália, Rússia… e cada um deles apresenta um estereótipo, um sotaque medonho, ou um traço de personalidade irritante. O russo talvez agregue os três elementos em sua personalidade.

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O diretor Julius Onah faz um trabalho muito aquém do que esta franquia merecia. Sem nada de novo, o filme rapidamente perde a chance de possuir uma atmosfera parecida com a de, por exemplo, Alien, e passa a se transformar num desses filmes vazios passados no espaço. Aquele clima claustrofóbico de Alien, por exemplo, só seria possível se nós, espectadores, nos importassem com os personagens, tal como nós nos importávamos com a tenente Ripley.

Em The Cloverfield Paradox nem chegamos a memorizar os nomes dos personagens.

Com um roteiro bagunçado, que buscava trazer elementos de outros projetos de J.J. Abrams, como Fringe, uma direção sem poder algum, e um desfecho dos mais bobos, o filme lançado na noite do Super Bowl pela Netflix é mais um tiro no pé que a gigante do streaming dá em termos de cinemão (Bright foi o primeiro).

Principais informações
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The Cloverfield Paradox | um balaio de bobagens
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Sobre o autor

Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

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