Últimos dias da retrospectiva inédita dos filmes de John Akomfrah
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Últimos dias da retrospectiva dos filmes de John Akomfrah no Rio de Janeiro

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Últimos dias da retrospectiva inédita dos filmes de John Akomfrah no Rio de Janeiro

Últimos dias da retrospectiva inédita dos filmes de John Akomfrah no Rio de Janeiro

Se você é fã de cinema e está no Rio de Janeiro não perder a retrospectiva inédita dos filmes de John Akomfrah. E o melhor ainda: de graça!

Até o dia 5 de março de 2018, o Centro Cultural Banco do Brasil  apresenta a mostra dos filmes de John Akomfrah. Celebrado cineasta, nascido em Gana, Akomfrah é pioneiro na abordagem de vanguarda sobre a diáspora africana. Sua obra é reconhecida por refletir sobre a luta contra a opressão racial e denunciar ramificações contemporâneas do colonialismo. A mostra incentiva o debate e traz ao país, pela primeira vez, o renomado historiador da arte T.J. Demos (Universidade da Califórnia), para uma aula magna, no CCBB-Rio. A curadoria é de Rodrigo Sombra e Lucas Murari.

A mostra apresenta 19 filmes, a maioria inédita no Brasil, entre ficções, documentários e video instalações. O programa traz um amplo painel sobre a disseminação das culturas de matriz africana no ocidente, traçando um percurso que cobre desde as raízes da escravidão, em trabalhos como Tropykos (2015), a obras de ficção científica de inspiração afro-futurista, como O último anjo da história (1995).

Destacam-se também filmes dedicados a figuras seminais da cultura negra, propondo diálogos imaginários com personagens históricos na luta política antirracista: Malcolm X, Martin Luther King e Stuart Hall. Longe de serem documentários convencionais, esses filmes tomam o relato biográfico como premissa para um salto na experimentação, do lugar do imigrante em nosso tempo.

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Além dos trabalhos de Akomfrah, serão exibidos dois filmes de Reece Auguiste, um dos mais proeminentes artistas do Black Audio Film Collective. A retrospectiva inclui ainda uma sessão especial do filme Borderline (1930), de Kenneth Macpherson. Clássico do cinema silencioso de vanguarda do Reino Unido, o filme parte de um triângulo amoroso para fazer considerações sobre relações inter-raciais, preconceito, tratamento de classe, questões de gênero e sexualidade.

Sobre John Akomfrah

Nascido em Gana em 1957, Akomfrah emigrou para a Inglaterra ainda na infância. “As agruras comuns à experiência migratória, tais como a nostalgia da terra natal e as tensões inerentes à condição de ser negro na Grã-Bretanha do pós-guerra fortemente marcada pelo racismo, teriam impacto profundo na vida e na produção de Akomfrah”, detalha Rodrigo Sombra.

Durante a década de 1980, ainda na universidade, Akomfrah participou intensamente do movimento de cineclubes e oficinas de cinema que emergia nos bairros de imigrantes da Inglaterra. Nesse período, fundou o Black Audio Film Collective, coletivo de artistas cuja atuação seria decisiva para dar visibilidade à questão diaspórica no interior da cultura inglesa.

“Ao ocupar salas de cinema, galerias e a televisão, o Black Audio dava vazão a um projeto de radicalidade estética e política realizado de uma perspectiva negra até então inédito no cinema britânico”, explica o curador Lucas Murari. É o caso de As Canções de Handsworth (1986), primeiro longa-metragem dirigido por Akomfrah. Eleito pela revista Sight and Sound como um dos 50 melhores documentários da história, o filme se apropria e imagens de arquivo para investigar como questões de raça e imigração eram representadas na mídia hegemônica.

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Nas décadas seguintes, Akomfrah aprofundaria as experimentações com imagens de arquivo, traço definidor de sua estética. Nesse sentido, seus filmes seriam celebrados pelo modo como as imagens do passado dialogam com citações literárias ou relatos ficcionais, nos quais o diretor emprega uma linguagem fortemente inspirada na história da arte. Seus filmes são celebrados pelo forte apelo literário. Em longas como As Nove Musas (2011), por exemplo, a mitologia grega e as migrações de caribenhos à Grã-Bretanha do segundo pós-guerra coabitam o mesmo plano. Neste e em outros trabalhos, o artista faz um cinema permeado de referências a escritores cuja sensibilidade dialoga com seus filmes.

Serviço: 

Confira a programação:

2 de março – sexta-feira

16h – Sessão comentada: O Projeto Stuart Hall (The Stuart Hall Project), de John Akomfrah, 2013, 95 min, DCP, Livre. Com legendagem descritiva e Libras.

19h – O Chamado da Névoa (The CallofMist), de John Akomfrah, 1998, 11 min, DCP, 14 anos

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Quem Precisa de Um Coração (Who Needs a Heart), de John Akomfrah, 1991, 80 min, DCP, 14 anos

 3 de março – sábado

17h – As Nove Musas (The Nine Muses), de John Akomfrah, 2011, 94 min, DCP, Livre

19h – Signos do Império (Signs of Empire), de John Akomfrah, 1983, 26 min, DCP, 14 anos

As Canções de Handsworth (Handsworth Songs), de John Akomfrah, 1986, 59 min, DCP, 14 anos

4 de março – domingo

17h – Peripeteia, de John Akomfrah, 2012, 18 min, DCP, 14 anos

Tropikos, de John Akomfrah, 2015, 37 min, DCP, 16 anos

Tudo o que é Sólido (AllThat Is Solid), de John Akomfrah, 2015, 30 min, DCP, 14 anos

19h – Testamento (Testament), de John Akomfrah, 1988, 79 min, DCP, 12 anos

5 de março – segunda-feira

19h – Borderline (de Kenneth MacPherson), 1930, 63 min, DCP, Livre.

Mostra retrospectiva O Cinema de  John Akomfrah

Curadoria: Rodrigo Sombra e Lucas Murari

De 14 de fevereiro a 5 de março de 2018

Dias e horários: De quarta a segunda, das 9h às 21h

Local: CCBB RJ – Cinema I

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro

Distribuição de senhas com uma hora de antecedência na bilheteria do CCBB

Espaço sujeito a lotação

Gratuito

Tel.: (21) 3808-2000

Sobre o autor

Úrsula Neves

Úrsula Neves

Jornalista carioca, 40 anos, mãe do Heitor de 4 anos. Gerente de Conteúdo do Digitais do Marketing. Coordenadora de Projetos de Conteúdo da Web-Estratégica. Responsável pela Coluna Mãe 2.0 Beta do site Feminino e Além. Adora ler, assistir séries pelo Netflix, ir ao cinema e teatro, navegar pela internet e viajar acordada ou dormindo.

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