Análise crítica | É o Oscar das mulheres, e de Lady Bird
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Análise | É o Oscar das mulheres, e de Lady Bird

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Lady Bird 2017

Lady Bird 2017

Premiação do cinema americano acontece neste domingo, nos Estados Unidos, e será o epicentro do movimento contra o assédio na indústria de Hollywood

Foi uma temporada das mais difíceis, emblemáticas e históricas da indústria de cinema em Hollywood. Com uma enxurrada de denúncias contra homens poderosos que se utilizavam do status e poder para assediar e molestar mulheres, a cena hollywoodiana de hoje já está com uma cara bem diferente de meses atrás. Nomes com Kevin Spacey, Harvey Weinstein, Dustin Hoffman, James Franco e Casey Affleck, antes venerados, agora assistirão a maior premiação de cinema no mundo através da televisão, e certamente com muita vergonha.

São tempos diferentes em Hollywood, e a entrega do Oscar será a maior demonstração desta mudança, e nunca a força das mulheres será tão visível quanto na noite deste domingo, dia 4 de março, uma noite que promete entrar para a história como uma das edições mais simbólicas do Oscar.

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O apresentador será o mesmo, e esta notícia é das melhores. Jimmy Kimmel é dos melhores comediantes e apresentadores dos Estados Unidos, sendo um dos poucos que conseguem unir bom humor, despudor e ao mesmo tempo inteligência e respeito. Caberá a ele apresentar uma edição das mais difíceis do Oscar, onde o humor estará sempre flertando com a política e com questões sociais e comportamentais bem sérias.

E não falamos somente do movimento criado por artistas mulheres nos Estados Unidos. Estamos falando de um ano dos mais complicados em se tratando de relação entre classe artística e poder político. Donald Trump continua presidente americano e Hollywood continua o odiando.

Mas vamos falar do que de fato deveria importar: os filmes.

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Porém, ao falar dos filmes, teremos que voltar aos temas essenciais do Oscar neste ano. Quando dissemos que o ano é dos mais representativos para as mulheres, é porque teremos a chance de ver novamente uma mulher no topo do mundo cinematográfico. E desta vez é uma jovem, absurdamente talentosa, e que tem tudo para colocar Hollywood em suas mãos. Greta Gerwig, a Frances Ha, se transformou rapidamente em uma das cineastas mais aplaudidas da indústria americana e o seu lindo Lady Bird tem tudo para sair da premiação com ao menos alguma estatueta importante.

Lady Bird

Qual? A de melhor filme, ou diretor (a). Por merecimento um destes prêmios, ou os dois, deveriam ir para as mãos de Greta. Lady Bird é lindo, inteligente, ingênuo e ao mesmo tempo profundo. Seu filme traz a perspectiva de uma garota que se vê em constante choque de ideias com a sua maior referência, a sua mãe. Ou seja, estamos falando de uma diretora que dirige um filme protagonizado por uma garota inquieta que tem como exemplo uma mulher forte e guerreira.

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Lady Bird é o filme que mais representa o cinema americano neste momento, e o melhor de tudo é que ele é lindo.

Se ano passado Moonlight teve esta mesma função, e igualmente é um filmaço, este ano vamos torcer para que os voos da menina que queria viver no centro do mundo cultural consiga ser representante de uma nova história.

 

Sobre o autor

Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

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