Crítica: a improvável 2ª temporada de 13 Reasons Why
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Crítica: a improvável 2ª temporada de 13 Reasons Why

2ª temporada de 13 Reasons Why

2ª temporada de 13 Reasons Why

 

“Tratar essa série como exagero ou dizer que só serve de gatilho, é fechar os olhos para um mal que está presente, todos os dias, durante anos, na vida das crianças e adolescentes”

Por Feminino e Além

Parecia improvável que “13 Reasons Why” ganhasse uma nova temporada. Após a morte de Hannah Baker, a garota que se suicida e deixa as fitas com os porquês, a primeira temporada não deixou qualquer indício de que haveria algo a ser abordado e que desse mais episódios, principalmente para quem leu o livro. Certamente ficaria superficial ou uma enrolação sem limites. Mas, ao começar a maratonar os 13 novos episódios, descobri que há muito assunto a ser tratado, sim.

O ritmo inicial é lento, parece que tudo está se arrastando. Contudo, quando engata, surpreende por trazer um conteúdo, mais uma vez, explícito, claro, pesado e, infelizmente, conhecido por muitos. Não é de se espantar que, mais uma vez, “13 Reasons Why” entre na linha de frente dos haters e seja colocada como perigosa e desnecessária. Ao meu ver, ela é o contrário disso. Serve de prevenção. É necessária! Colocar cada um como responsável pelas próprias atitudes consigo próprio e com o outro, levar os sentimentos adolescentes à tona, mostrar que pode se sentir de diversas formas e, mesmo assim, não saber pedir socorro, é importante numa geração em não se fala mais sobre as coisas que importam, onde tudo virou vitimização e “mimimi”.

Tratar essa série como exagero ou dizer que só serve de gatilho, é fechar os olhos para um mal que está presente, todos os dias, durante anos, na vida das crianças e adolescentes, que muitas vezes não sabem lidar com os próprios sentimentos e, consequentemente, não sabem pedir ajuda. A tragédia do suicídio, do bullying, do estupro, dos abusos diários não é discutida e isso é mostrado nessa temporada quando um dos alunos fica sabendo que o tema está proibido na escola. Proibir, ao invés de esclarecer, não deixa de ser uma violência… Continua a leitura

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Camila Botto

Formada em jornalismo com pós-graduação em mídias digitais, Camila Botto é colunista do Cabine Cultural, editora-chefe do Feminino e Além, autora do livro Segredos Confessáveis e sócia da Dendê Cult Press.

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