Cinema Sicário: Dia de Soldado – Vale a pena asssitir a estreia da semana?
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Crítica: Sicário: Dia de Soldado – Vale a pena?

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Sicário: Dia de Soldado

Sicário: Dia de Soldado

 

Dirigido por Stefano Sollima. Roteirizado por Taylor Sheridan. Elenco: Benicio del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner, Jeffrey Donovan, Manuel García-Rulfo, Catherine Keener, David Castaneda, Elias Rodriguez, Matthew Modine, Ian Bohen, Jackamoe Buzzell, Silvino Suarez

Por Gabriella Tomasi

Sicário que teve sua sequencia iniciada em 2015 com a direção de Dennis Villeneuve, contava uma história do obscuro mundo do combate aos cartéis de drogas em que os valores étnicos e morais sempre estavam em jogo, principalmente pelo foco narrativo estar centrado na visão de sua então protagonista Kate, vivida por Emily Blunt.

Dia de Soldado então não só tenta expandir esse mundo, mas tenta agregar muito a ele, já que os personagens Matt Grave (Brolin) e Alejandro Gillick (del Toro) retornam nas telas para lidar com problemas mais íntimos, ao mesmo tempo em que lidam com questões extremamente atuais pelas quais o polêmico governo de Trump e a política norte-americana em geral desde sempre enfrentou: o tráfico ilegal de pessoas que cruzam a fronteira entre México e Estados Unidos, assim como os ataques terroristas perpetrados por grupos islâmicos. Na trama, a CIA descobre a existência destes terroristas na fronteira e recrutam a dupla para resolver o problema.

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A ideia inicial do confiante Grave então era a de sequestrar a filha adolescente do chefe de um dos cartéis de drogas mexicanos liderados por Carlos Reyes, chamada Isabel Reyes (Moner), e implicar a responsabilidade a um cartel rival de modo que ocasione uma guerra interna entre ambos, enquanto o Estados Unidos se beneficia com o problema. Porém, um confronto com a polícia federal mexicana muda o curso da operação e a menina é vista como dano colateral.

Por um lado, é visível a diferença com que a narrativa entre as versões de 2015 e a de 2018 foram tratadas. Se Villeneuve apostava no terror psicológico, Sollima aposta em uma abordagem muito mais visceral e sangrenta. Ambas premissas não são de todo modo ruins e Sollima tem claros momentos magníficos, como os seus planos gerais enfatizando o isolamento dos personagens nos cenários desérticos, ou então quando a câmera acompanha os passos agonizantes de um Alejandro gravemente ferido. O cineasta claramente não abre mão de mostrar o quanto a violência é impiedosa e brutal, especialmente em como ela afeta e transforma os personagens mais novos Isabel e Miguel (Rodriguez). A primeira enfrenta realmente o trabalho e o impacto dos atos de seu pai, além de passar a ver o mundo com outros olhos, enquanto o segundo representa a entrada do jovem ao mundo do crime.

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No entanto, desta vez, não há bussola moral para nos guiar (e que antes era atribuída à personagem de Blunt), tampouco há qualquer responsabilidade imputada aos personagens, e os inimigos são meros estereótipos. A mudança constante de foco narrativo em que o conflito do filme passa de atos terroristas e de contrabando de drogas, para tráfico de humanos e depois para o destino de Isabel nas mãos de Alejandro e Matt é completamente ofensiva, uma vez que o problema do terrorismo em si mesmo é inteiramente esquecido em meio ao segundo ato, e as imagens iniciais demonstrando essa brutalidade são apenas gratuitamente mostradas e provocadas sem qualquer propósito, além de serem resolvidas em cinco segundos de diálogo (“Eles são de Nova Jersey!”).  Outro exemplo do pouco caso que dão ao sofrimento gerado em todo esse processo é o fato de que, em um determinado momento, pessoas que são levadas pela corrente forte do rio durante uma passagem clandestina geram risadas involuntárias.

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Essa ambivalência entre a brutalidade e a justiça em relação aos personagens de del Toro e Brolin também desaparece nesta sequencia, e a ironia de um plano falho os vitimizam como heróis incompreendidos e que recrutam outros heróis incompreendidos ante à uma situação que eles mesmos se colocaram. Embora haja uma intenção de subversão, o efeito que ocasiona é, na realidade, o de uma trama fraca e mais ingênua. Não por incompetência de seus realizadores, mas por uma manifesta conduta de evitar falar do que Sicario é em sua essência, e em prol de uma experiência cinematográfica mais conservadora. Neste contexto, são saídas fáceis arquitetadas para resolverem assuntos geopolíticos bastante complexos e sérios. Por conseguinte, a impressão que fica ao final é uma ausência de conteúdo e sentido, embora o formato seja muito atraente.

Sicário: Dia de Soldado é, portanto, o resultado de um filme esquecível e uma sequencia desnecessária.

Principais informações
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Crítica Sicário: Dia de Soldado
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Sobre o autor

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi é crítica de cinema, graduanda em letras, membro do coletivo de mulheres críticas de cinema – ELVIRAS, e possui o blog Ícone do Cinema

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