Crítica Vidas à Deriva: Shailene Woodley em mais um drama
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Crítica Vidas à Deriva: Shailene Woodley em mais um drama sobre sobrevivência

Crítica Vidas à Deriva: Atriz já tinha dado vida a personagem principal de “A Culpa é das Estrelas”, e agora interpreta menina que ficou por mais de 40 dias sobrevivendo em mar aberto

Uma rápida olhada na sinopse de Vidas à Deriva, novo filme do diretor Baltasar Kormákur, responsável por filmes como Evereste e Sobrevivente, para sabermos que a trama que envolve o filme não é nada original, e nestes últimos anos o cinema já forneceu exemplares bem parecidos, como Até o Fim, com Robert Redford, ou o mais que clássico Náufrago, com Tom Hanks. Exemplos não faltam.

Pensando assim ficaria evidente que filmes como Vida à Deriva já estão saturados, correto? Nem tanto. Primeiro porque o tema é um dos mais interessantes para se contar histórias. Todas as possibilidades fornecidas pela mãe natureza em mar aberto mexem bastante com nossa curiosidade e imaginação. Além disto, e falando especificamente do filme, ganha pontos o fato de Vidas à Deriva ser um projeto baseado em uma linda e intrigante história real.

O filme

Apaixonados, os noivos Tami Oldham (Shailene Woodley) e Richard Sharp (Sam Claflin) velejam em mar aberto quando são atingidos por uma terrível tempestade. Passada a tormenta, ela se vê sozinha na embarcação em ruínas e tenta encontrar uma maneira de salvar a própria vida e a do parceiro debilitado.

Antes de qualquer coisa, é bem interessante frisar que o filme é apresentado como um romance dramático, o que é algo até original para este tipo de filme, exceto é claro se pensarmos em roteiros originais, como o de Titanic, por exemplo. Acredito que tanto na história real quanto na sua adaptação para o cinema a relação amorosa de Tami tenha tido um significado dos mais relevantes e fundamentais para os acontecimentos da história, principalmente depois do acidente em questão.

Com uma história de amor como base, Vidas à Deriva proporciona também grandes cenas de ação, como a das ondas gigantes indo em direção ao barco dos dois. Uma história com cenas de ação e muito drama. Esta é a receita para um filme espetacular, não é verdade?  Em tese sim, mas o que acontece aqui é que acaba faltando um ar mais original e único que desse ao filme um status de grandioso.

Vidas à Deriva

Vidas à Deriva

A trama traz todos os elementos já vistos em filmes do gênero, com uma novidade, que ajuda e atrapalha ao mesmo tempo a experiência. Vidas à Deriva tem a sua história contada de trás para frente, com cenas já finais misturadas com p início de tudo. Esta escolha não foi à toa e tem uma função primordial no filme. Esta decisão de contar o filme de modo mais subversivo dá um tom mais peculiar para o filme, porém atrapalha na questão dramática, já que não há uma crescente dramática, mas sim uma reviravolta como nos filmes de suspense.

Sobre as atuações, há duas somente que merecem ser analisadas: Shailene Woodley novamente trabalha uma personagem com uma batalha pessoal gigante pela frente. Ela agora luta pela vida em alto mar, e faz tudo com um talento visível. Shailene, que mesmo tendo ainda esta cara de menina, já é uma mulher até certo ponto experiente na indústria de Hollywood, e por isso já consegue escolher a dedo os projetos. Vidas à Deriva entra, por conta disto, no grupo de seus bons filmes.

Sam Claflin por outro lado acaba sendo somente uma escada para que o trabalho de Shailene ficasse evidenciado. Sem ser marcante, a sua atuação lembra um pouco a do parceiro dela em A Culpa é das Estrelas. Ou seja, quem será lembrada daqui a uns anos por ter feito Vidas à Deriva certamente será ela, e não Sam Claflin.

Um bom romance dramático.

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Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

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