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Crítica Te Peguei: vale a pena assistir?

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Te Peguei

Te Peguei

 

Dirigido por Jeff Tomsic. Roteirizado por Rob McKittrick, Mark Steilen. Baseado no artigo jornalístico “It Takes Planning, Caution to Avoid Being It” por Russell Adams. Elenco: Ed Helms, Jake Johnson, Annabelle Wallis, Hannibal Buress, Isla Fisher, Rashida Jones, Leslie Bibb, Jon Hamm, Jeremy Renner, Rashida Jones

Muitas histórias reais que foram transpostas e adaptadas para o cinema marcam eventos reais e importantes acontecimentos, ou então contam aventuras, superações, tragédias ou mesmo prestam homenagem à determinada pessoa. Embora Te Peguei! seja também baseado em fatos reais, ele não se inclui em nenhuma das categorias antes mencionadas. Trata-se da pura e simples história inusitada de grandes amigos já em sua terceira idade e que brincam de pega-pega há mais de vinte anos.

Na trama do longa, os amigos de infância Hogan (Helms), Chilli (Johnson), Sable (Buress) e Callahan (Hamm) se reencontram para reviver a tradição anual no mês de maio, o que acaba coincidindo com a data do casamento de Jerry (Renner), este considerado o invicto da turma, já que não nenhum dos demais jamais conseguiu “pegar” ele durante vinte dos trinta anos de brincadeira. Assim sendo, o grupo enxerga no evento a perfeita oportunidade de acabar com sua invencibilidade. Em meio à jornada, eles se encontram na presença da jornalista Rebecca (Wallis) que pretende fazer uma matéria no Wall Street Jornal sobre os amigos.

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A peculiaridade de Te Peguei! é que o longa não possui necessariamente um conflito em sua narrativa ou qualquer discussão aprofundada sobre os temas que discorre, muito embora tente passar por perto disso, como uma revelação tardia de uma doença ou então sobre um suposto desentendimento dentro do círculo de amizade, por exemplo. Mesmo assim, não se tratam de situações que definem ou interferem diretamente no rumo da narrativa, mas apenas configuram como ocorrências pontuais que fazem com que alguns personagens possam refletir sobre suas atitudes.

Este aspecto não é de todo ruim, já que o filme consegue divertir muitas vezes, mas por outro lado, também não agrega nenhum propósito real que justifique o tempo e o ingresso do espectador, já que, dessa forma, o filme acaba se transformando em uma longa sequencia de uma corrida entre gato e rato, dando a impressão de ser repetitiva sem, ao mesmo tempo, nunca repetir um mesmo quadro.

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O diretor Tomsic até se esforça (até demais), neste aspecto, ao executar diferentes ângulos, efeitos, alteração do frame rate, e até mesmo trilhas sonoras que incorporem à brincadeira para que tudo não se torne exaustivo para seu público. No entanto, isso não desvia a atenção para o fato de que não há efetivamente um conteúdo próprio. Em outras palavras, para aqueles que procuram mais do que um simples filme de ação e comédia, há a possibilidade de saírem frustrados da sessão.

Outro elemento que poderia ter beneficiado o longa é a própria presença da personagem Rebecca, a qual é muitas vezes deixada de lado (reparem como ela desaparece e retorna inexplicavelmente em inúmeras cenas). Se a narrativa tivesse sido concentrada para a sua perspectiva, ou seja, para incorporar o ponto de vista de sua audiência, poderíamos vivenciar a mesma história de uma maneira muito mais relacionável e sensata, ao invés de apostar no exagero e no espalhafatoso como é feito.

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Isso porque, assim como ela, nos deparamos com pessoas peculiares, com uma relação de amizade ainda mais peculiar que, na superfície, pode soar ridículo ou absurdo para alguns. Por conseguinte, a aproximação do espectador seria muito mais proveitosa, se executada dessa maneira.

Assim sendo, o resultado de Te Peguei! é, em suma, mais um filme de comédia como tantos outros: genérico e cansativo.

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Crítica Te Peguei: vale a pena assistir?
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Sobre o autor

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi é crítica de cinema, graduanda em letras, membro do coletivo de mulheres críticas de cinema – ELVIRAS, e possui o blog Ícone do Cinema

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