Crítica “Trench”: Twenty One Pilots lança um dos álbuns do ano
Destaque Notícias

Crítica “Trench”: Twenty One Pilots lança um dos álbuns do ano

  •  
  •  
  •  
  •  
Trench

Trench

Duo americano lançou no dia 5 de outubro o bem elaborado Trench, mais novo trabalho de um dos grupos mais criativos da última década

Após algumas sessões escutando o mais novo álbum do Twenty One Pilots já dá para se ter uma ideia um pouco mais clara do que representa para o mercado da música, sobretudo os gêneros rock/indie/alternativo, que dão voz ao duo formado em Ohio, nos Estados Unidos. Tyler Joseph e Josh Dun jogaram para o mundo um dos principais álbuns  do ano, que continua mostrando o quanto eles se diferenciam do atual pop, e do atual rock, e do atual (ponha qualquer subgênero ao qual eles pertencem).

Trench é – numa primeira audição – um trabalho que completa os dois mais recentes álbuns do TOP (Vessel e Blurryface), mas que logo de cara não se percebe a mesma força narrativa que os anteriores, seja em forma de hits, seja em forma de conceito. Porém basta novas audições para que esta ideia venha por terra. Não dá para cravar hits em potencial, como Heatens, Stressed Out ou Ride, mas sem dúvida alguma estamos diante de algumas das melhores músicas e singles produzidos em 2018 e um conceito tão interessante que beira o genial.

Leia+  Crítica: a épica experiência visual-político-musical de Roger Waters

Trench parece aquele parque de diversões grandioso, que possui brinquedos épicos para todos os gostos. Gosta de uma batida rock, com flerte ao hardcore? Escute Jumpsuit, o primeiro single do álbum, que abre Trench com tudo. Ao vivo ela terá uma força ainda maior, e certamente será uma abertura ainda mais explosiva que Heavydirtysoul foi na turnê passada.

As batidas mais raps foram contempladas logo na segunda faixa, com Levitate, sequência imediata de Jumpsuit. Falando em sequência, chegamos então ao conceito, que continua falando dos vazios e angustias que todo jovem passa, e que Tyler, mesmo já estando quase no grupo dos trinta, certamente ainda guarda resquícios desta época, e consegue assim adentrar em cheio no espirito de qualquer jovem. Por isso talvez o grande público do TOP seja formado por este nicho.

Morph tem uma vibe mais parecida com Levitate, e acaba servindo de escada para a música que vem logo a seguir, uma das melhores e mais grudentas de Trench. Estamos diante de My Blood. Podemos dizer que My Blood finaliza a primeira parte de uma jornada, que abre de modo mais para frente, positivo, com batidas dançantes, eletrônicas, mais próximas de canções como Migraine ou Polarize, de trabalhos passados.

Leia+  Crítica Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas - Divertida animação para a família

Chlorine já abre uma perspectiva que namora diversos ritmos, e que tem também Smithereens. É o elo mais fraco do álbum.

Crítica “Trench”: Twenty One Pilots lança um dos álbuns do ano

Twenty One Pilots lança um dos álbuns do ano

Neon Gravestones inaugura então a fase mais angustiante e maravilhosa de Trench, e que coloca Tyler e Josh como dois dos nomes que mais conseguiram entender uma geração quebrada e cheia de dúvidas sobre a sua existência. The Hype é uma das mais grudentas e maravilhosas, e parece conversar a todo instante com os fãs do duo, e com o mundo em geral, que desde Blurryface colocou o Twenty One Pilots no mainstream musical.

Nico And The Niners, Cut My Lip e Bandito fazem parte (de um modo mais intenso) da mitologia criada pelos dois para a criação e divulgação de Trench. Bandito dá nome a próxima turnê e é basicamente a música mais grudenta e incrível do álbum, que consegue unir todos os elementos do Twenty One Pilots em 5 minutos.

Leia+  Crítica Tal Pai, Tal Filha: Netflix estreia filme perfeito para o Dia dos Pais

Pet Cheetah e Legend dá aquela atmosfera de fim de festa, que é potencializada sobremaneira com Leave the City, que finaliza o álbum e que tem a mesma força narrativa de Trees, um dos grandes sucessos deles, e que até então é a música que fecha os shows.

O Twenty One Pilots está de volta, com um trabalho tão poderoso quanto o anterior, o multiplatinado Blurryface. É difícil prever o mesmo sucesso comercial, já que o seu antecessor está na história como um dos trabalhos mais bem sucedidos desta nossa era digital. Sem músicas aparentemente tão radiofônicas quanto Ride ou Stressed Out, mas com canções que acabam se aprofundando ainda mais num universo que Tyler e Josh se especializaram, que é o universo da geração atual, cheia de perguntas sobre a existência.

Principais informações
Data de publicação:
Título da publicação:
Crítica “Trench”: Twenty One Pilots lança um dos álbuns do ano
Classificação:
41star1star1star1stargray

Sobre o autor

Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

Deixe uma resposta