Crítica As Viúvas: obra impactante e socialmente relevante
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Crítica As Viúvas: obra impactante e socialmente relevante

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Dirigido por Steve McQueen. Roteirizado por Gillian Flynn, Steve McQueen. Baseado no romância homônico de Lynda La Plante. Elenco: Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Cynthia Erivo, Colin Farrell, Brian Tyree Henry, Daniel Kaluuya, Jacki Weaver, Carrie Coon, Robert Duvall, Liam Neeson 

Steve McQueen, mais conhecido pelo seu premiado 12 Anos de Escravidão (2013), retorna com mais um projeto surpreendente – As Viúvas, uma adaptação cinematográfica do romance escrito por Lynda La Plante.

A trama se concentra na vida de Verônica Rawlings (Davis), cujo marido Harry (Neeson), chefe de uma quadrilha criminosa é morto durante uma emboscada policial. Então, a protagonista se vê vitima de Jamal Manning (Henry) e do perigoso irmão Jatemme (Kaluuya ) que cobram dela o dinheiro perdido na ocasião, o qual serviria para financiar a campanha política contra Jack Mulligan (Farrell). Assim, Verônica recruta as demais viúvas que também perderam os seus respectivos na mesma ocasião: Alice (Debicki), Amanda (Coon) e Linda (Rodriguez) para recuperar o montante.

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O brilhantismo de As Viúvas não está somente na sua bem conduzida narrativa de suspense, com as críticas já pré-estabelecidas do racismo, jogo sujo da política, da ganância, entre outros, mas também suas nuanças.

Assim, cada mulher ganha destaque para demonstrar os desafios de empoderamento dentro desse universo machista e de como todas eram dependentes de seus parceiros: Verônica, por exemplo, toma controle da situação e se torna protagonista em uma situação da qual nunca foi, não sendo à toa, pois que ela decide levar o seu plano adiante pelo simples motivo de que “ninguém espera que dê certo”; Linda, por sua vez, enfrenta os empecilhos da mãe “solteira”; Alice tenta se libertar de relacionamentos abusivos e; posteriormente com a ajuda de Belle (Erivo), percebemos ainda mais as dificuldades de ser mulher e negra nos Estados Unidos como um “alvo de caridade” para a política do país, algo, na realidade, relacionável à experiência do mundo inteiro.

As Viuvas

As Viuvas

Outras personagens femininas possuem também essa mesma abordagem provando que não somente se trata de um problema que atinge a classe mais pobre da sociedade. É o que vemos quando Mulligan faz à sua secretária uma constrangedora pergunta de conotação sexual e o descrédito que lhe é feito Tom Mulligan (Duvall), pai de Jack; isso sem mencionar os diversos preconceitos de gênero e raça que envolve uma disputa política.

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Da mesma forma, McQueen faz um excelente trabalho apostando em uma edição dinâmica que altera fatos do presente e do passado para criar um suspense, gradualmente divulgado as informações pertinentes nos momentos necessários para o espectador, fazendo ainda mais com que o suspense Oito Mulheres e Um Segredo (2018) deixe a desejar e perca ainda mais o seu brilho quando o comparamos com este longa.

A fotografia, por sua vez, traz também importantes efeitos, como a panorâmica realizada durante a sequencia de perseguição de carros e a câmera subjetiva de uma colisão de uma van que lembra o icônico acidente em Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014). As cores, ainda, concedem tonalidades expressivas às cenas, como o glamour do dourado, o preto e cinza que caracterizam o submundo e as tonalidades de azul que cada vez mais tomam conta do espaço do apartamento de Verônica.

As Viúvas é, portanto, mais um excelente resultado de um diretor talentosíssimo que merece todo o prestígio por mais uma obra impactante e socialmente relevante.

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Sobre o autor

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi

Gabriella Tomasi é crítica de cinema, graduanda em letras, membro do coletivo de mulheres críticas de cinema – ELVIRAS, e possui o blog Ícone do Cinema

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