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Monólogo de muitas vozes, Pra chuva estreia no Rio de Janeiro

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“Pra chuva” é um monólogo de muitas vozes. As falas, contudo, são os resultados diretos da experiência de Ivan Vellame como ator, escritor, leitor, filho e cidadão. Apresentá-las sozinho em cena, a partir de uma dramaturgia de sua autoria, é também ratificar seu testemunho sobre um tempo presente ainda marcado pela intolerância. Dessa maneira, “Pra chuva” surge como uma voz empática, que apresenta personagens oprimidos por sua sexualidade. O espetáculo estreou nesta semana na Casa Rio, em Botafogo, e cumpre temporada até o final de fevereiro, de segunda a quarta-feira, às 21h.

A peça faz uma costura entre diferentes épocas e examina mudanças comportamentais da sociedade, especialmente em relação à vivência da sexualidade, e nos lembra que o preconceito ainda persiste. Apesar da seriedade do tema, a trama se apoia também no humor para refletir sobre as amarras que nos impedem de sermos quem somos. Intimidade, identidade, coragem e liberdade são palavras que orientam os cinco “personagens-vozes” de Pra chuva (abaixo, leia um pouco mais sobre eles). A alternância entre cenas, revela como eles vivem situações parecidas.

“Infelizmente, ainda vivemos numa sociedade extremamente machista, patriarcal, em que as liberdades individuais não têm sua legitimidade respeitadas. É imperativo que se faça entender que a liberdade sexual, falo tanto da vivência quanto do respeito à identidade sexual, integra a própria condição humana. O espetáculo nasce dessa percepção, mesclando vivências minhas com as de pessoas próximas. É assustador pensar que alguém se torna indigno de viver apenas por ser quem se é. Por isso, é tão importante renovar o olhar. Se a gente não faz isso, reforçamos um padrão que não nos faz bem”, enfatiza Ivan. Os primeiros rascunhos do texto, ele lembra, vieram a partir de leituras de Oscar Wilde e Virginia Woolf.

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Nessa apropriação de ideias, o ator recriou uma série de verbetes tendo o elemento água – tão caro a um espetáculo chamado “Pra chuva” – como mote. Assim, chega-se a outro caminho para compreender a empatia, essa palavra tão necessária: “Todo mundo tem sede de água. Um copo d’água aproxima. Um banho de chuva aproxima através do inconsciente dois mundos. Quanto mais diferentes os mundos, mais água é preciso, pra que mais forte seja a aproximação. Um copo d’água vira uma tempestade”, propõe a nova definição.

A água da chuva, evocada no espetáculo dirigido por Priscila Vidca, é aquela capaz de purificar, lavar as fronteiras e limpar preconceitos. Nada mais natural que isso seja reforçado no teatro. “O plano inicial era estrear no meio de 2019, mas não sei o que vai acontecer com a cultura no ano que vem. Eu não sei o que vai vir quando o cara assumir. Então, parafraseando o texto, é importante dizer que ‘viver é urgente’. A gente não pode deixar que o medo paralise. É o impacto que dá o impulso para continuar”, frisa.

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Conheça os personagens

Odália: se descobre homossexual em meio a uma comunidade religiosa e nada tolerante em que sua mãe atua como pastora.

Orlando: jovem que vive por 350 anos. Há um lado quixotesco no personagem, que oscila entre a identidade feminina e a masculina. Inspirado no livro homônimo de Virginia Woolf.

Oscar: baseado na história do escritor Oscar Wilde que, no fim do século 19, é preso acusado de homossexualismo (sic). Durante dois meses, ele escreve uma longa carta dirigida ao Lord Alfred Douglas, de quem foi amigo e amante.

Otília: pastora que tem a autoridade religiosa questionada quando a filha Odália descobre ser homossexual.

Ondina: durante uma crise febril no sanatório, Ondina conversa com o marido que ela matou e com a mulher por quem se apaixonou.

Ficha técnica
Solo de Ivan Vellame
Direção: Priscila Vidca
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto
Cenário: Jackson Tinoco
Figurino: Paula Stroher
Iluminação: Daniela Sanchez
Direção musical e Trilha sonora: Daniel Castanheira
Visagismo: Diego Nardes
Cenógrafo assistente: Felipe Alencar
Programação visual: Julia Sampaio
Fotos: Lorena Lima
Direção de produção: Ivan Vellame
Produção executiva: Ana Beatriz Figueras
Idealização: Ivan Vellame
Realização: Casadipai Produções
Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco e Filipe Isensee

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Serviço
“Pra chuva”
Sessão fechada para convidados: 16 de janeiro
Estreia para o público: dia 7 de janeiro
Temporada: De 7 de janeiro a 27 de fevereiro
Dias e horário: De segunda a quarta, às 21h
Local: Casa Rio – Rua São João Batista, 105, Botafogo
Mais informações: 21 2148-6999
Ingresso: R$30
Duração: 60 minutos
Classificação etária: Não recomendado para menores de 14 anos

Feminino e Além

Sobre o autor

Úrsula Neves

Úrsula Neves

Jornalista carioca, 40 anos, mãe do Heitor de 4 anos. Gerente de Conteúdo do Digitais do Marketing. Coordenadora de Projetos de Conteúdo da Web-Estratégica. Responsável pela Coluna Mãe 2.0 Beta do site Feminino e Além. Adora ler, assistir séries pelo Netflix, ir ao cinema e teatro, navegar pela internet e viajar acordada ou dormindo.

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