Crítica: “Como Superar um Fora” (Soltera Codiciada)
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Crítica: “Como Superar um Fora” (Soltera Codiciada)

Como Superar um Fora

Como Superar um Fora

Filme da Netflix traz a peculiaridade de ser uma comédia romântica peruana

É mais que notório que as escolas de cinema mundo afora possuem cada uma delas as suas peculiaridades. O cinema francês, o cinema independente americano, o cinema japonês, a escola argentina, etc etc.

O cinema peruano também, que carrega uma nuance histórica, com elementos de questionamentos sociais, tal como em filmes como “La Teta Assustada” ou “Contracorriente”. Porém se há algo que podemos afirmar é que a globalização (em seu ápice) trouxe certa padronização de roteiro e de modos como se contar histórias. E desta forma chegamos a um dos mais novos lançamentos da Netflix, o filme “Como Superar Um fora”, Soltera Codiciada.

Sim, o filme é peruano, mesmo não parecendo, é divertido, e é uma ótima opção para uma sessão da tarde.

A história
Quando uma solitária publicitária sofre mais uma desilusão amorosa, ela decide que precisa desabafar sobre as coisas que ocorrem em sua vida, por mais que tenha vergonha de mostrar seus sentimentos a outras pessoas. Para driblar esse impedimento, ela cria um blog e escreve lá todos os anseios da vida de uma mulher solteira de meia-idade, mas se surpreende com o sucesso que atinge.

O filme traz em seu roteiro uma série de clichês existentes em comédias românticas e em filmes de autoajuda, ou autodescobrimento. Maria Fé pode ser entendida como aquela típica americana descolada e esquisita ao mesmo tempo, ou talvez como uma ‘Frances Há’ da vida. Um dos pontos mais positivos do filme é a empatia transmitida pela Maria Fé, interpretada por Gisela Ponce de Leon. O espectador se importa com os sentimentos dela, e consegue entender todo o percurso que ela precisa passar para que o seu ciclo de autodescobrimento se feche.

Há toda uma lógica em termos de consequências de um fim de relacionamento: ela começa pela fase da depressão, mas precisa seguir em frente, então descobre que ela é muito mais forte do que imaginava, e assim põe em prática sonhos que a gente as vezes esquece quando possui uma válvula de escape tão poderosa como é uma relação amorosa. As vezes nós jogamos no outro toda a razão de nossa felicidade e é preciso que fizemos sozinhos, e que levemos um fora, para perceber o quão independentes e autossuficientes podemos ser.

Claro que por detrás de uma argumentação desta, de caráter de autodescobrimento, se esconde uma comédia típica americana, com algumas peculiaridades que nos fazem observar que se trata de filme peruano. As canções, sobretudo. Porque até mesmo os traços que imaginamos existir na população mais geral do Peru são esquecidos no filme. O filme é urbano, e como tal possui uma identificação universal. Maria Fé podia ser brasileira, americana, francesa… o que ela passa e como ela reage mostra que somos bem parecidos.

O elenco secundário é outro ponto forte, e por conta disso “Como Superar um Fora” carrega aquela vibe também de filmes sobre amizades. As três personagens principais, Maria Fé e suas duas amigas, possuem uma sintonia das melhores, e somente por isso já se torna uma experiência prazerosa.

“Como Superar um Fora” é mais um filme típico da Netflix de tempos recentes. Está mais que claro que a gigante de streaming aposta tudo nas comédias românticas voltadas para um público jovem, adolescente. Algumas apostas são erradas, outras dão certas. Essa aqui merece ser assistida.

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Luis Fernando Pereira

Luis Fernando Pereira

Possui grande experiência na área de jornalismo cultural. Além de editor do site é colunista dos sites Coisa de Cinema, Midiorama e Feminino e Além. Fez parte de um dos júris do VII Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema.

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