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Gaspar Noé: “Viver é uma impossibilidade coletiva”

Clímax
Clímax

“Há quem queira sair no meio do filme, porque se sente muito incomodado, tocado, chegando a passar mal com determinadas cenas”

Na década de 90, um grupo de dançarinos, com personalidades completamente distintas, se isola em grande galpão, longe da cidade, para um ensaio importante. Após o último ensaio eles resolvem comemorar fazendo uma festa, regado a ponche, tradicionalmente servido em uma tigela. Durante a diversão acontecem diálogos paralelos e conhecemos um pouco de cada um deles. De repente, os comportamentos começam a mudar, paranóias explícitas surgem e eles se descobrem drogados, descontrolados, desconfiados de que o ponche teria sido “batizado” com alguma substância psicotrópica muito forte mas, sem a certeza de qual, por quem e o por quê. A partir desse momento não há dúvida sobre quem assina o filme.

Conhecido como provocador, Gaspar Noé lança novo longa e não foge à regra das características dos trabalhos que assina. Porém, ele considera as suas obras necessárias, apenas com a intenção de apresentar uma realidade, o cotidiano que para quem viveu uma experiência tem uma imagem, um significado particular, e para quem assiste tem outra perspectiva completamente diferente e pode ser assustadora, por provocar sensações até mesmo angustiantes, a partir da tal observação.

E é essa a pegada do filme. Quando a droga começa a fazer efeito todos os discursos entram em contradição, porque a ética, a educação, os limites… saem de cena, os desejos reprimidos, muitas vezes inconscientes, ganham espaço, tomam as rédeas e dominam o local, mesmo para quem está “limpo”, porque é contagiado pelo clima daquela situação. Gatilhos são provocados. E o público não fica fora dessa sensação.

Gaspar Noé no Brasil
Gaspar Noé no Brasil

Há quem queira sair no meio do filme, porque se sente muito incomodado, tocado, chegando a passar mal com determinadas cenas. Mas não consegue, porque tem necessidade, curiosidade, sem entender direito o motivo, de saber o que acontece depois; quais são as consequências… do que o ser humano é capaz… o que a droga pode causar, despertar em alguém.

“Climax ” desperta essas sensações com muitas evidências, relatadas por quem participou da cabine e coletiva de imprensa no último dia 29, quando Gaspar, que veio ao Brasil para o lançamento, foi entrevistado e respondeu a todas as perguntas que lhes foram feitas. E, conforme ele falou, foi um filme de custo baixo e não teve muito tempo de preparação; mais uma característica do cineasta; inspirado num fato real, ocorrido com um grupo de teatro, que adaptou com nova roupagem, quando substituiu pela dança. Foi um roteiro pequeno, de cinco páginas, e diálogos improvisados com os atores. O sucesso dependia, portanto, da escolha do elenco, que ele optou por bailarinos que atuam, exceto duas atrizes profissionais; uma delas é Sofia Boutella, que faz Selva. O cenário, a música as câmeras, as repetições da cenas até ficarem do jeito esperado, cortes invisíveis… dançarinos que encorporam os personagens… e a direção de quem sabia o que queria, construíram “Climax” que sacode a maior parte da plateia, que perturba mesmo, que provoca, sim. Mas que vale cada desconforto sentido.

Para Gaspar, todas as reações e consequências acontecem por um detalhe: “Viver é uma impossibilidade coletiva”. Gaspar Noé.

Assista ao filme e reflita sobre isso.

Título original: CLIMAX
Data de lançamento: 31 de janeiro de 2019
Duração: 1h 33min
Direção: Gaspar Noé
Gêneros: Drama e Suspense
Nacionalidade: França
Distribuidor: Imovision
Classificação a definir.

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