Oscar 2019: um panorama dos indicados – e dos injustiçados
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Oscar 2019: um panorama dos indicados – e dos injustiçados

Roma

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Oscar 2019: um panorama dos indicados – e dos injustiçados – ao mais famoso prêmio da indústria cinematográfica

Você gostando dessa cerimônia – ou não – é inegável o fato de que o Oscar é o mais famoso – e esperado – prêmio do cinema mundial. Todos que amam a Sétima Arte estarão com olhos e ouvidos bem atentos para conhecer os vencedores, no dia 24 de fevereiro. Pois, repito, você apreciando ou não essa cerimônia, é preciso reconhecer que um filme – ou ator ou atriz – que sai com a estatueta nas mãos tem quase que garantido um sucesso de bilheteria ou, até mesmo, uma notoriedade maior, mesmo que essa notoriedade não permaneça a longo prazo.

Nessa época em que discutimos e assistimos os indicados, que torcemos pelos nossos favoritos, é necessário, antes de tudo, que reflitamos sobre aqueles filmes – relevantes filmes – que não receberam nenhuma ou pouca indicação. É o caso, por exemplo, do excelente A QUIET PLACE e dos ótimos BOY ERASED e BEAUTIFUL BOY.

BOY ERASED e BEAUTIFUL BOY são dois casos em que, pelo menos os protagonistas dessas duas obras deveriam ter sido, no mínimo, indicados. Falo de Lucas Edges – que faz o rapaz atormentado, que aceita – por razões familiares e religiosas – passar por um programa de cura gay, em BOY ERASED, e os protagonistas de BEAUTIFUL BOY: Steven Carrel e Timothéé Chalamet, ambos perfeitos como pai que luta – até certo ponto – para tirar o filho do mundo das drogas (Carrel) e como o filho viciado que, à proporção que o tempo passa, mais se afunda no vício (Chalamet).

Tão injusta quanto foi a única indicação para o excepcional A QUIET PLACE (UM LUGAR SILENCIOSO). Recebeu, apenas, a indicação para EDIÇÃO DE SOM que, provavelmente, não vai ganhar, já que, nessa categoria, ele concorre com O PRIMEIRO HOMEM e PANTERA NEGRA. Contudo, no quesito SOM, A QUIET PLACE deveria ser o vencedor. Assim como Emily Blunt, que faz a mãe, deveria ter sido indicada.

Aqui, uma curiosidade: apesar de ser, claramente, a protagonista desse filme, Emily foi indicada – e ganhou! – o SAG AWARDS 2019, na categoria Atriz Coadjuvante. No Oscar desse ano, nem por O RETORNO DE MARY POPPINS nem por UM LUGAR SILENCIOSO ela conseguiu uma indicação!

Sendo assim, levando em conta os indicados desse ano, é preciso dizer que algumas categorias já estão para lá de definidas. Mas… Não esqueçamos que o Oscar tende a ser – ano após ano – uma caixinha de surpresas. Porém, se ele seguir as outras premiações que o precederam, teremos, FINALMENTE, Glenn Close como a grande vencedora desse ano, como Melhor Atriz.

Lady Gaga está bem como a cantora de NASCE UMA ESTRELA? Sim, está. Está apenas bem. Nada mais. Olivia Colman excelente como a rainha do não menos excelente A FAVORITA. Entretanto, Glenn Close, mais uma vez, nos brinda com uma magnífica atuação. E, o mais interessante é que, dessa vez, temos Glenn num papel contido, subjetivo, bastante intimista, muito diferente dos papéis que marcaram a carreira dessa grande atriz que nunca foi premiada com o Oscar, apesar das várias indicações. Por exemplo: ATRAÇÃO FATAL e LIGAÇÕES PERIGOSAS. Acertadamente, o Oscar de Melhor Atriz vai para Glenn Close – por total merecimento.

Idem para Mahershala Ali que, muito provavelmente, vai levar sua segunda estatueta como ator coadjuvante, já que, nessa categoria, ele, de fato, consegue ficar num patamar superior do que todos os outros concorrentes, os quais não estão ruins – muitíssimo pelo contrário: Sam Elliot, por NASCE UMA ESTRELA, e Adam Driver, por INFILTRADO NA KLAN, são a prova de que temos ótimos atores nessa categoria. Mas, inegavelmente, mais uma vez, Mahershala nos brinda com um desempenho magistral no espetacular GREEN BOOK que, creio, também levará o Oscar de Melhor Roteiro Original.

E confesso que GREEN BOOK é o meu favorito para também levar o prêmio de Melhor Filme.

Nesse ano, temos o fato inédito: um filme de super-heróis concorre na categoria de Melhor Filme. Mas, apesar de ter levado o SAG, creio que não ganhará como o melhor filme do ano. Por outro lado, temos um dos favoritos: ROMA. Contudo, é quase certa a vitoria de ROMA nas seguintes categorias: Melhor Filme Estrangeiro / Melhor Diretor / Melhor Fotografia. Sendo assim, muito difícil ainda levar o premio de Melhor Filme. Acredito que A FAVORITA esteja num mesmo patamar de GREEN BOOK: dois filmes muito bem produzidos e que mereciam o prêmio principal.

Cito acima que ROMA tem grandes chances em direção e fotografia.

Mas, decididamente, meus favoritos, nessas duas categorias, possuem poucas chances se compararmos com as grandes chances da ótima (apenas ótima!) obra de Alfonso Cuarón.

Fotografia, por exemplo, temos dois trabalhos excepcionais esse ano: GUERRA FRIA e a maravilhosa fotografia de A FAVORITA. Até o momento em que escrevo esse texto, não sei dizer qual dessas duas direções de fotografia me apetece mais. Assim como Melhor Diretor: Spike Lee, sim, deveria ser o grande vencedor!

Vice

Vice

São inegáveis três fatos: Spike Lee é um excelente diretor (desde o tempo de FAÇA A COISA CERTA) / ele nunca foi premiado com a estatueta/ nunca – nunca!!!!! – um diretor negro foi premiado com o Oscar.

Alfonso Cuarón ganhou, recentemente, o prêmio de melhor diretor, por GRAVIDADE. Ganhando esse ano, será a quarta vez que um diretor mexicano leva a estatueta por Direção, já que, no ano passado, Guilherme Del Toro venceu pelo excepcional A FORMA DA ÁGUA e, em 2015 e 2016, Alejandro González Inárritu venceu por BIRDMAN e O REGRESSO, respectivamente.

No que se refere à Atriz Coadjuvante, e também levando em conta as premiações precedentes ao Oscar, Regina King pode ser a vencedora. Ela faz a mãe que luta para provar a inocência do genro e, consequentemente, fazer com que a filha – grávida – sinta-se mais em paz e esperançosa, no filme SE A RUA BEALE FALASSE.

Mesmo sendo quase certa a vitória (merecida, ok!) de Regina, devo afirmar que torço por duas atrizes – ambas já ganhadoras do Oscar – que travam um maravilhoso duelo de interpretação em A FAVORITA: Emma Stone e Rachel Weisz.

Já Marina de Tavira (por ROMA) e Amy Adams (por VICE) já devem se sentir vitoriosas por terem recebido uma indicação. Até porque tirando uma única cena – lá, mas bem lá no início do filme – Amy praticamente não tem mais espaço em VICE, um filme quase ruim, artificial, metido a engraçadinho, e que nem a perfeita caracterização de Christian Bale consegue elevar essa obra a um patamar mediano. Aliás, um absurdo essa obra ter recebido sete indicações. Se for pra levar alguma estatueta, que leve (merecidamente) Maquiagem e Penteado. Só!

Até porque, o que parecia ser uma atuação estupenda – o ator engordou não sei quantos quilos e coisa e tal… – de Bale, torna-se cansativa, mais do mesmo, antes de sequer o filme chegar a uma hora de duração. Quem dirá agüentar as mais de duas horas dele.

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody

Se for para um ator vencer com merecimento a categoria Melhor Ator, que seja o maravilhoso jovem Rami Malek, que está a reencarnação de Freddie Mercury em BOHEMIAN RHAPSODY.

No mais, o Brasil, como de costume, não conseguiu que o seu filme ficasse entre os cinco finalistas para Melhor Filme Estrangeiro. A aposta era O GRANDE CIRCO MÍSTICO. Vale lembrar que a última vez que tivemos um filme brasileiro entre os indicados a Filme Estrangeiro foi em 1999, com CENTRAL DO BRASIL, que perdeu para o inferior A VIDA É BELA.

Sendo assim, vamos torcer e aguardar esse próximo domingo, para a noite de premiação. E aproveitar o final de semana para ir ao cinema e assistir os filmes que concorrem ao Oscar, pois são vários que estão em cartaz e que merecem ser vistos.

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Mauricio Amorim

Mauricio Amorim

Professor da Área de Imagem - Cinema e TV - da Universidade do Estado da Bahia e Colaborador do Cabine Cultural.

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