Lista de horror: os lugares mais assombrosos do Brasil
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Lista: os lugares mais assombrosos do Brasil

“Exímio conhecedor dos lugares mais perigosos e assombrosos do Brasil, Terci não poupa esforços, nem coragem, para visitar os locais mais estranhos, rincões de histórias fantásticas e lendas pavorosas”

Para que a literatura do horror amadurecesse no Brasil era necessário um escritor com características de evangelizador convicto e incansável, e que viesse a somar o grande cabedal do folclore e superstições brasileiras a um complexo e abundante repositório de ideias originais.

Não por acaso, o último livro de M. R. Terci, foi muito requisitado na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O autor que trouxe à vida os horrores campesinos na cultuada série “O Bairro da Cripta” e redefiniu o folclore nacional com “O Mythos – O Fim do Mundo é Logo Ali”, objeto de admiração de um número cada vez maior de leitores. Afinal, ninguém é capaz de contemplar sem deleite e surpresa as descritivas passagens de Crônicas de Pólvora e Sangue, livro 1 da série Imperiais de Gran Abuelo, publicado em 2018 pela Editora Pandorga.

Exímio conhecedor dos lugares mais perigosos e assombrosos do Brasil, Terci não poupa esforços, nem coragem, para visitar os locais mais estranhos, rincões de histórias fantásticas e lendas pavorosas, cuja reputação não decorre das respectivas tragédias, chacinas, crueldades, torturas e assassinatos, mas dos fenômenos inexplicáveis e assustadores que até hoje ainda sucedem quando o sol se põe. A lista a seguir foi idealizada pelo escritor.

Baía de Chacororé

Baía de Chacororé

Barco Fantasma – Baía de Chacororé, Pantanal, Mato Grosso: Os moradores das comunidades ribeirinhas contam que no final do século XIX, um barco afundou no pantanal mato-grossense e todos os seus tripulantes e passageiros morreram afogados. Desde o ocorrido, o valente que montar vigília em noite de lua cheia na Baía de Chacororé, poderá observar, na maré vazante, o barco ressurgindo do fundo das águas lamacentas, fantasmagoricamente estivada, rangendo em uníssono com os risos e vozerio da tripulação até desaparecer, subitamente, sem deixar vestígios;

Hospital Colônia Barbacena – Barbacena, Minas Gerais: Palco do descaso das autoridades, o lugar foi criado pelo governo estadual, em 1903, para oferecer assistência aos alienados. Milhares de vítimas travestidas de pacientes psiquiátricos, sucumbiram de fome, frio, diarreia, pneumonia, maus-tratos, abandono e tortura. Para lá eram enviados desafetos, homossexuais, militantes políticos, mães solteiras, alcoolistas, mendigos, pessoas sem documentos e todos os tipos de indesejados, inclusive, doentes mentais. Em média, 16 pessoas morriam por dia e seus corpos eram vendidos ou decompostos em ácido para viabilizar o comércio das ossadas com faculdades de medicina. Nos anos 1980, após a reforma antimanicomial o local passou a abrigar apenas 160 pacientes. Pacientes e funcionários da instituição dizem ouvir choro, gritos e pancadas nas paredes de celas vazias em uma ala desativada há muitos anos;

Penitenciária de Cariri – Juazeiro do Norte, Ceará: Dizem que as penas devem ser justas e adequadas ao crime. Mas e quando a punição se alonga para além da vida? Os detentos de Cariri, relatam que durante a noite é comum se ouvir lamentos e choro, gritos e vociferações enraivecidas nos corredores entre os blocos, muitas vezes, até mesmo dentro das celas. Houve quem, em meio a toda essa angústia e pavor, vivenciados comumente por todos os presos, desse cabo da própria vida por não suportar o medo. Não recomendo nem aos mais experientes estudiosos do paranormal;

O fantasma de Lampião – Mossoró, Rio Grande do Norte: Em 1927 a cidade de Mossoró vivia um período de expansionismo comercial e industrial. Mas a riqueza que circulava na cidade despertou a cobiça do mais famoso cangaceiro do Brasil. Após dias de sítio à cidade, combates acirrados e custosas perdas, o cangaceiro e seu bando foram afugentados. Para alguns moradores da região, o lendário cangaceiro jamais aceitou essa derrota e, de tempos em tempos, o bando fantasmagórico, tendo Virgulino Ferreira da Silva à sua vanguarda, é avistado cavalgando em redor dos limites do município, fazendo cerco, notadamente delimitado pelas nuvens de poeira que surgem sem que brisa alguma sopre. O cultista do estranho poderá constatar tal fenômeno apenas ao longo das madrugadas de maio;

Mercado Modelo – Salvador, Bahia: Famoso em todo Brasil por seu histórico de comércio, com mais de 250 lojas, grande variedade de artigos de artesanato, lembranças e restaurantes, é também conhecido por ser cenário de hórridas narrativas. O investigador do oculto que se prestar a consultar qualquer um dos lojistas do Mercado, vai ouvir sobre seus túneis assombrados. A história oficial diz que os túneis que servem dispensa de bebidas e adega, antigamente tinham outra função. Os escravos que vinham da África eram ali trancafiados e muitos entre estes nunca mais viram a luz do dia. Há ainda gente que se perdeu por ali e nunca mais foi vista. O escrutinador do fantasmagórico nunca deve descer aos túneis sozinho;

Fantasma de Bento Gonçalvez – Triunfo, Rio Grande do Sul: A casa onde nasceu Bento Gonçalves em 1788 sempre foi cercada de mistérios e estranhos avistamentos. Após ser tombada como patrimônio histórico, tornou-se museu, onde o epicurista do macabro pode examinar todo tipo de artefato da Guerra dos Farrapos, incluindo, garruchas, revolveres, sabres, espadins e uniformes manchados de sangue. Muitas pessoas da cidade relatam que, à noite, os fantasmas dos combatentes mortos, incluindo o próprio Bento, andam pelos corredores;

Castelinho do Flamengo – Rio de Janeiro: Idealizado em 1916, é mais uma construção carioca que tem muita história para contar. O atraente prédio se tornou a moradia de Avelino Fernandes, sua esposa Dona Rosalina Feu Fernandes e a sua filha Maria de Lourdes Feu Fernandes. Tudo indica que o casal Fernandes morreu em 1932, atropelados em frente à residência. Maria de Lourdes passou a ser criada por um tutor que a roubou e maltratou, deixando-a presa na torre principal da construção. Além dessa história de crime, crueldade e do assombro que o Castelinho causa em contraste com os outros prédios da região, o pesquisador atento poderá, esquivando-se dos moradores de rua da circunvizinhança, constatar que após a morte de Maria, seu fantasma voltou para assombrar o lugar em busca de vingança. Seu atormentado espírito, muitas vezes, é avistado junto às janelas baças e empoeiradas. Qualquer que seja sua vedeta, convém, entretanto, não permanecer muito no local;

Assombração da Praia dos Padres – Guarapari, Espiríto Santo: Vultos estranhos e vozes advindas do além-túmulo e um estranho episódio de exorcismo são a razão da alcunha. Mesmo os turistas desavisados relatam rumores de múltiplas vozes ouvidas na praia deserta. Avistamento de sombras e fantasmas dos nativos são comuns. Não é permitido acampar na praia e a permanência de transeuntes durante a noite tem sido reprimida pelas autoridades locais. Ao pesquisador, recomendo cautela no trato com os moradores locais que são muito reticentes e demonstram certo pavor de falar sobre o assunto;

Edifício Joelma – São Paulo: Cenário de uma das maiores tragédias paulistanas. Em 1º de fevereiro de 1974, um incêndio ceifou a vida de 191 pessoas, deixando outras 300 gravemente queimadas. As histórias macabras do local, com todas as suas assombrações e mitos, no entanto, remetem a antes do incêndio. Anos antes, um professor chamado Paulo Camargo assassinou sua mãe e suas irmãs, suicidando-se depois em um dos apartamentos do edifício. O investigante espectral atento, certamente perceberá que as assombrações relatadas vão além do incêndio e do múltiplo assassinato. A palavra para o local, dessa forma deixa de ser assombrado e toma contornos de amaldiçoado. Até o final do século XIX, o local onde construíram o edifício Joelma, abrigava um pelourinho que segundo consta dos anais judiciosos da Província de São Paulo, foi regado com muito, muito sangue de criminosos;

Assombração do Cemitério dos Caboclos – Maringá, Paraná: O cemitério em questão foi abandonado, há muitos anos, pela municipalidade local, de forma que observadas as devidas precauções, convém não se dirigir ao local sozinho. Os restos mortais de mestiços e índios foram sepultados no local até 1950. Comumente oferendas e outros rituais de religiões afro-brasileiras são encontrados sobre as lápides em péssimo estado, o que denota frequência noturna, portanto, cautela. Em princípio, é mais frutífero entrevistar os moradores da circunvizinhança. Os relatos falam de aparições, batuques e outros sons inexplicáveis, bem como uma estranha chuva de pedras – mineral – que vem atingindo todos os telhados dessa comunidade há muitos anos.

O autor
R. Terci é escritor, roteirista e poeta.  Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito Militar e mestrado em Direito Internacional, Ciência Política, Economia e Relações Internacionais. Autor de Imperiais de Gran Abuelo, publicada pela Pandorga, e o criador da série O Bairro da Cripta, lançada anteriormente pela LP-Books, obras que reforçaram seu nome como um dos principais autores brasileiros de horror da atualidade.

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Redação

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