Órfãos da Terra - No caminho de ser a melhor novela
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Órfãos da Terra – No caminho de ser a melhor novela de Thelma Guedes e Duca Rachid

Órfãos da Terra

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“O inegável fato é que as tramas das 18h, há tempos, vêm se consolidando como as melhoras histórias escritas e levadas ao ar pela Rede Globo”

Sim! O subtítulo deste texto está correto: a nova trama da dupla Thelma Guedes e Duca Rachid tem muitas chances de ser uma novela ainda melhor do que a, até então, mais perfeita obra das duas autoras: Jóia Rara, trama que foi ao ar entre os anos de 2013 e 2014, e que ganhou o Emmy Internacional de Melhor Novela, em 2014.

Órfãos da Terra é o que costumeiramente chamamos de “novelão”. Termo este usado sem nenhum resquício pejorativo. Muitíssimo pelo contrário: uma novela quando é chamada de “um novelão” significa dizer que a trama tem, por exemplo, um amor impossível, um vilão (ou uma vilã) tão cruel ao ponto de ser odiado/a e, ao mesmo tempo, amado/a pelo público, muito suspense e, hoje em dia, muita ação (no sentido de correria mesmo), núcleo – ou núcleos – naturalmente cômicos, uma trilha sonora deliciosa de se ouvir… E por aí vai.

Porém, primordialmente, que seja uma trama – no seu todo – aceita, assistida e amada pelos telespectadores.

Órfãos da Terra – no ar há pouco mais de um mês – tem tudo isso. E ainda: um assassinato cujo assassino ainda é desconhecido (dando margem ao famoso e quase sempre eficaz: quem matou?), uma fotografia esplendida, um texto magistralmente escrito e atuações – no mínimo – ótimas de, praticamente, todo o elenco, com a exceção de um ou outro ator, uma ou outra atriz, que ainda não encontrou o tom certo do personagem, muito provavelmente (creio e espero) pelo fato de a novela não ter nem dois meses de exibição.

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O inegável fato é que as tramas das 18h, há tempos, vêm se consolidando como as melhoras histórias escritas e levadas ao ar pela Rede Globo. De 2010 para cá, tivemos tramas – nesse horário – de deixar no chão muitas obras que foram apresentadas no horário das 19h e das 20h. Claro que houve maravilhosas exceções, como Cheias de Charme (2012), Sangue Bom (2013), Totalmente Demais (2015-2016) e Rock Story (2016-2017): no horário das 19h; Avenida Brasil (2012), Amor à Vida (2013-2014), Império (2014-2015), A Força do Querer (2017-2017) e, sim (por que não?), Segundo Sol (2018), no horário das 20h.

Mas, se analisarmos as tramas exibidas na faixa das 18h, na Globo, perceberemos que a grande maioria dos títulos foi sucesso de crítica e, principalmente, de público.

Das tramas espíritas – Escrito nas Estrelas (2010), Além do Tempo (2015-2016), Espelho da Vida (2018-2019, fenômeno de discussão nas redes sociais) -, às tramas de época – Lado a Lado (2012-2013), Êta Mundo Bom! (2016), Orgulho e Paixão (2018), aos sempre bem vindos dramas de Walther Negrão, como foi o caso de Flor do Caribe (2013) e Sol Nascente (2016-2017), à maravilhosa junção de reis e rainhas e príncipes e princesas com o cangaço, no sertão brasileiro, como vimos em Cordel Encantado (2011), à perfeição técnica e artística de Jóia Rara (2013-2014) e às muito bem conduzidas Tempo de Amar (2017-2018) e Sete Vidas (2015).

Todas as tramas citadas, no parágrafo anterior, exibidas às 18h.

Órfãos da Terra - No caminho de ser a melhor novela

Órfãos da Terra – No caminho de ser a melhor novela

Thelma Guedes e Duca Rachid são duas escritoras experientes: elas sabem perfeitamente bem como escrever uma telenovela. Suas obras mostram isso. Órfãos da Terra está mostrando isso. Percebemos essa maestria nos diálogos e nas ações que se apresentam a cada capítulo exibido. Elas são – e estão – tão seguras no que fazem que, acredito eu, não pestanejaram e mataram um personagem maravilhoso – de longe, um dos melhores vilões já escritos: o Aziz, magistralmente interpretado por Herson Capri. Pois, experientes como são, elas sabiam muito bem que Aziz não possuía mais função alguma na trama, após casamento e gravidez de Laila, a prisão dele – de Aziz – e a ameaça de ser extraditado para o seu país de origem. E ambas também sabem perfeitamente bem o potencial do personagem Dalila, a filha de Aziz que, após ter perdido todo e qualquer vínculo no Líbano, já que Aziz – seu pai – e Soraia – sua mãe – já estão mortos – virá para o Brasil, acompanhada de um fervoroso desejo de vingança, com o intuito de infernizar e destruir a vida do casal principal da trama: Jamil e Laila.

Nesse ponto, as autoras têm um ponto a mais a seu favor: Dalila não só é um personagem que, até agora, vem sendo muito bem escrito, como é defendido por uma das melhoras atrizes dessa nova geração: Alice Wegmann.

Essa telenovela partiu de um projeto que, dizem, foi pensado em ser produzido para a faixa das 21h ou 23h. Não sei se tais informações são verídicas. O que sei e vejo é que ter sido uma sinopse aprovada para o horário das seis foi uma sábia decisão da direção de dramaturgia da Rede Globo.

Temos, ainda, mais uns cinco, seis meses para acompanharmos os encontros e (prováveis) desencontros de Laila e Jamil, as maldades (e espero que sejam muitas – pois amo vilãs) praticadas por Dalila, os sorrisos que, acertadamente, continuarão vindo com os personagens de Marcelo Médici e Verônica Debom, Osmar Prado e Flavio Migliaccio e com a divertida Santinha, de Cristiane Amorim, e as extremamente necessárias discussões sobre a vida dos refugiados no nosso país, que vem sendo muitíssimo bem representadas pelo núcleo do centro de refugiados.

Finalizo esse texto enfatizando outra bela qualidade dessa produção: a excepcional abertura, num misto de refugiados reais com personagens da trama, sob a música Diáspora, dos Tribalistas.

A novela está no início. Fato! Contudo, creio que ao chegar setembro/outubro teremos Órfãos da Terra como umas das melhores tramas de Thelma Guedes e Duca Rachid. Senão a melhor!

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Mauricio Amorim

Mauricio Amorim

Professor da Área de Imagem - Cinema e TV - da Universidade do Estado da Bahia e Colaborador do Cabine Cultural.

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