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Crítica Inacreditável (Unbelievable): a magnífica série da Netflix

Crítica Inacreditável (Unbelievable)
Crítica Inacreditável (Unbelievable)

Nova série da Netflix, Inacreditável é baseada em fatos reais e mostra o quão devastador é o estupro para as mulheres

Inacreditável (Unbelievable) é a nova série da Netflix que promete impactar a sua audiência de tal forma, que torna impossível algum assinante do serviço de streaming terminar de ver um dos oito episódios da temporada sem se emocionar.

Dramático sem ser piegas, suspense sem ser clichê, a série tem com base uma reportagem jornalística, que tempos depois se transformou em um livro, Falsa Acusação, que acompanha o trabalho incansável de duas investigadoras em busca de um criminoso em série, que neste caso é um estuprador. E este detalhe é o mote que oferece força narrativa para a série, para a história e cria uma relevância que coloca Unbelievable como uma das principais estreias do ano no mundo do entretenimento.

Para entender, não precisamos nem no ater ao país de origem da série, os Estados Unidos. Basta pensarmos em como as mulheres brasileiras são tratadas (ainda), quando vão denunciar um crime de estupro nas delegacias do país. Em um dos mais recentes casos tivemos uma denunciante que alegou ter sido estuprada por um famoso jogador de futebol (estamos falando de Neymar) e que desde o primeiro momento foi confrontada pela polícia, pela mídia e pela sociedade. Assim ainda são tratadas as mulheres que são vítimas de estupro no Brasil, e pasmem, na nação mais poderosa do mundo.

A série então começa acompanhando o caso de Marie (Kaitlyn Dever) garota americana que ousa afirmar a policia que foi estuprada por um homem mascarado, que além de estuprar, tirou fotos suas. Esse crime aconteceu em 2008 e neste momento os investigadores a tratam como uma possível vítima, mas sobretudo como alguém que provavelmente está inventando um crime de estupro para chamar atenção. Sua palavra somente não basta. O caso de Marie seria um perfeito exemplo de como a justiça não funciona para milhões de mulheres mundo afora, que sofrem com este brutal crime mas não encontram respaldo do poder policial para encontrar justiça.

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Este é o centro do primeiro episódio, que mostra a vida confusa de uma menina que afirmara que havia sido estuprada, e que foi levada pelos investigadores a mudar seu depoimento e dizer que mentiu. Pulamos para anos depois, em um caso semelhante, com uma vítima de estupro, e o criminoso com o mesmo modus operandi, porém neste caso com a investigação liderada por uma competente e empática investigadora, Karen Duvall (Merrit Wever), que logo depois compartilha com a veterana Grace Rasmussen (Toni Collette) a responsabilidade do caso.

Paramos nestas duas personagens, pois elas que dão vida à série, e tudo que Unbelievable vencer de premiações será consequência imediata deste trabalho das duas soberbas atrizes em soberbas atuações. Incrível como o trabalho de atuação (e a vida das personagens) se completam na trama. Uma, mais experiente, outra que possui uma vontade de crescer na profissão e fazer bem o seu trabalho. A dupla Merrit e Toni Collette já sai na frente como a melhor dupla do ano em séries nesta temporada.

Os sete episódios seguintes ao primeiro possuem uma dinâmica e uma atmosfera bastante diferentes, e serve como um contraponto impactante de como a empatia conta muito em qualquer função. Enquanto que no caso de Marie temos investigadores que não se esforçam nem um pouco para se imaginar no lugar da vítima, nos casos seguintes vemos duas investigadoras que fazem de um tudo para oferecer um mínimo conforto para cada uma das vitimas, e isso só viria com a prisão do estuprador.

Estes elementos do roteiro fazem de Unbelievable uma série marcante, mas não somente isso. Seu roteiro como um todo é redondo, enxuto, sem furos e tudo muito bem desenvolvido, mesmo que numa velocidade abaixo do normal para séries que pretendem ser populares no universo da Netflix. Unbelievable é uma trama para gente grande, e todas as características provam isso, desde as atuações, passando pela direção maravilhosa de Lisa Cholodenko e d a roteirista Susannah Grant, indicada ao Oscar por Erin Brockovich, uma Mulher de Talento (2000).

Essa sensibilidade feminina no roteiro e na direção certamente foi fundamental para que a abordagem da série soasse respeitosa as mulheres, e já serem consideradas representantes feministas no mundo televisivo. O embate entre Marie e seus investigadores homens tem como contraposição a dinâmica de parceria e compreensão das outras vítimas com a dupla de investigadoras.

O final, que não traz nada de catártico, traz no entanto um desfecho maduro, simples, e muito emocionante. Sem cair na pieguice, a série é finalizada com uma conversa emocionante, que fecha de maneira sublime com toda a jornada envolvendo Marie, a menina que teve a sua vida quase destruída pela falta de fé da polícia em seu depoimento, e também Karen, uma investigadora que traz como elemento principal de sua personalidade uma empatia pelas vítimas e uma vontade sem igual em fazer justiça.

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