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Crítica ‘Democracia em Vertigem’ – Petra “merece um Oscar”?

Democracia em Vertigem
Democracia em Vertigem

Democracia em Vertigem – Documentário parte de premissa usada pela esquerda e se utiliza dos fatos ocorridos entre 2002 e 2016 no Brasil

Em tempos de polarização política, nem um documentário brasileiro indicado ao Oscar sairia ileso, não é verdade? Democracia em Vertigem, de Petra Costa, terá, infelizmente, uma grande torcida contrária a sua vitória neste domingo, dia 9 de fevereiro. A reflexão que podemos fazer aqui é: o que teria feito o projeto da cineasta responsável por um dos filmes mais belos e melancólicos dos últimos anos no país (Elena) para incitar tanto ódio de políticos conservadores e de seus eleitores?

Antes de começar a responder, devemos lembrar que Petra não é a primeira cineasta chamada de antipatriota, e um dos mais celebres acusados de tal crime é o também brilhante documentarista Michael Moore, responsável por obras magníficas como Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro. O que eles têm em comum com Democracia em Vertigem? Bem, eles fazem uso de fatos consagrados para defender uma premissa pré-estabelecida. A premissa, claro, é resultado do campo ideológico abraçado por ambos. O resultado é sensacional do campo de vista cinematográfico, maravilhoso se pensarmos em roteiro, e passível de questionamentos se pensarmos somente em sua premissa.

E qual seria a sua premissa?

Afinal, a democracia no Brasil está correndo um sério risco de se dissolver?

Democracia em Vertigem abraça esta ideia, usando muito um termo que dá título a obra em inglês: limite. Estaria a nossa democracia caminhando quase fora dos limites constitucionais. O fato mais evidente desta ideia é o arranjado impeachment sofrido pela então presidenta Dilma Rousseff. Quem assiste ao documentário e não possui ainda uma visão política mais extremada, certamente irá se sentir estranho, com um sentimento de que o país é governado e representado somente por ladrões, corruptos ou incompetentes. As falas dos deputados na votação, a apresentação dos nomes mais célebres desta época, como o do então deputado Jair Bolsonaro… Tudo nos mostra um Brasil um tanto quanto tosco intelecto e culturalmente.

O que o documentário talvez falhe é no contraditório. Não que Petra não flerte com ele, pois ela em alguns momentos evidencia todas as hipocrisias do Partido dos Trabalhadores e os atos de corrupção dos grandes nomes do governo. Isso eleva o documentário para um nível merecedor de Oscar, mas soa insuficiente em tempos de polarização política. Por mais que Petra tenha buscado mostrar um olhar crítico, é notório que Democracia em Vertigem entra para a história como um documento que irá mostrar o viés conservador e de direita que o Brasil vem vivenciando nos últimos anos. Esse Brasil quase fascista é responsabilidade de empresários, de políticos corruptos e de uma sociedade sem massa crítica suficiente para não ser tão influenciado por políticos.

O grande problema foi não incluir o PT nessa lista de culpados pelo possível fim da nossa democracia, afinal, qual regime político sobrevive a atos tão sistemáticos de corrupção e de roubo do dinheiro público?

Democracia em Vertigem então é uma ficção? Claro que não, e qualquer pessoa deveria entender que os fatos que foram mostrados são facilmente verificados. A premissa utilizada que podemos questionar, mas ainda assim não podemos desqualificar de forma integral, pois para fazer isso teríamos que defender políticos como Eduardo Cunha e Michel Temer, e é muito difícil alguém em sã consciência defender tais pessoas.

Democracia em Vertigem então seria uma íntegra do que aconteceu de verdade? Também não e o próprio tom escolhido por Petra dá a entender isso. Ela narra o documentário na primeira pessoa, trazendo um pouco do paralelo de sua vida e do nascimento da nova democracia brasileira, aquela que ressurgiu em 1985 com as Diretas Já.

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É uma visão subjetiva que pode obviamente falhar em uma série de partes do documentário. Criar uma narrativa de bandidos e heróis não ajuda o trabalho de Petra a ser mais respeitado. Qualquer cidadão mediano, aquele que não está ligado a estes extremos políticos, sabe que atualmente no Brasil não há políticos 100% honestos, ou ao menos é este o sentimento passado. Ou seja, Se formos colocar num balaio nomes como Lula, Bolsonaro, Eduardo Cunha e José Dirceu, nós veremos muitas semelhanças entre todos eles, infelizmente, seja você de direita ou de esquerda.

Por fim, Democracia em Vertigem é um documentário acima de tudo melancólico, pois apresenta em vários momentos um Brasil que enfim poderia ter dado certo. Chegamos a ser a 7ª maior economia do mundo sob o governo Lula. A inflação caía, o desemprego idem, os negros e pobres estavam melhorando as suas vidas. Tudo isso levou Lula a ser um sucesso de popularidade e levou o país a ser considerado o país do presente. Então o que deu errado?

Democracia em Vertigem não responde de forma tão profunda, mas a resposta não chega a ser complexa: o que deu errado é que o Brasil ainda é um país de ladrões. E estes não se incomodam em vestir-se de vermelho ou de verde e amarelo.

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