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Crítica – O Poço, filme da Netflix, traz terror em forma de metáfora social

O Poço
O Poço

Filme tem elementos de suspense e terror, mas no fim das contas é uma bela metáfora de como falta senso de solidariedade e de união entre as pessoas

É um tanto estranho que numa época tão complicada e amedrontadora o público brasileiro tenha escolhido um filme como O Poço, para ser uma das válvulas de escape para os seus dias. Sim, o terror e suspense espanhol está lá no pódio da lista de mais assistidos da Netflix Brasil. Mas sobre o que é o filme?

O Poço conta a história de um lugar misterioso, uma prisão indescritível, um buraco profundo. Dois reclusos que vivem em cada nível. Um número desconhecido de níveis. Uma plataforma descendente contendo comida para todos eles. Não há um roteiro muito tradicional, e quando a trama termina percebemos que a ideia nunca foi exibir uma história fechada, com início meio e fim e bem mastigada. Pelo contrário, O Poço é recheado de simbolismos e metáforas, e se você tem interesse em histórias assim, o terror vai te agradar em cheio.

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A ideia que centraliza o filme traz como base uma mesa farta, gigante, que visa alimentar todos os presos do tal poço. Há alimentos para todos, porém a mesa é oferecida para cada dupla de presos em seus níveis, começando pelo 1 e indo até o 333 (só descobre-se esse número na parte final do filme). O terror nasce deste contexto.

E por quê? Bem, a comida acaba terminando sempre bem antes do nível final e assim a situação fica dramática e aterrorizante para os que não conseguem comer. Vira uma luta por sobrevivência, onde vale tudo, inclusive perder a sua humanidade. É a ideia da sobrevivência individual e não coletiva. Esta é a primeira mensagem que o filme passa, de uma maneira interessante, porém nada muito rebuscado.

Mas sim, a metáfora vale. Se cada um dos ‘prisioneiros’ se alimentasse de forma racional, e sobretudo, pensando no todo, não haveria um cenário de terror onde pessoas chegam a comer outras pessoas (literalmente). Os habitantes dos primeiros níveis se sentem privilegiados e comportam-se como tais, comendo e bebendo de forma descontrolada. O roteiro até busca criar um experimento ainda mais completo, e a cada um mês esse Poço muda os personagens de níveis, e alguém que está no topo, acaba indo para o fim, e vice-versa. Isto poderia criar um sentimento maior de solidariedade coletiva, afinal, todos eles sabem que se alimentarem de forma racional não faltaria comida para ninguém. Mas nem assim a ideia vinga.

É necessário então que o personagem principal do filme, Goreng, coloque em prática esta ideia, mesmo que de forma mais animal e menos humana. Sua ideia leva a narrativa até o fim da história, que surpreende justamente por não apresenta-la de forma tradicional. Aqui podemos discutir de O Poço oferece um desfecho, ou finaliza sem entregar algo mais fechado.

O diretor Galder Gaztelu-Urrutia talvez não esteja preocupado com isso, já que esta peculiaridade é exatamente o que difere o seu filme de outras tramas distópicas, que mostram um futuro um tanto quanto apocalíptico.

O Poço chega a Netflix mostrando como o ser humano é egoísta e pensa somente em si, perdendo assim a oportunidade de viver em uma sociedade, comunidade, ou numa prisão, como no caso, de forma mais saudável e produtiva. Mas não, por sermos seres individualizados demais, perdemos esta capacidade de pensar no outro.

O Poço assim nos mostra através de metáfora como uma sociedade se destrói.

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