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“A Casa” – filme aborda ideia de senso de justiça na sociedade

A Casa
A Casa

A Casa entrou no catálogo da Netflix e já criou polêmica com o desfecho que propõe um senso de justiça contraditório; mas o cinema precisa ser justo?

O mais novo filme exibido pela Netflix, A Casa, tem um roteiro interessante, uma dinâmica que lembra filmes de suspense, com stalkers (tema que virou moda no cinema e tv no mundo anos atrás) e um desfecho surpreendente. Pois é este desfecho que vem polemizando e transformando o filme em objeto de análise social. Muitos não gostaram pela mensagem. Outros gostaram justamente pela falta de mensagem, ou mensagem às avessas.

O filme – Em A Casa, Javier Muñoz (Javier Gutiérrez) é um executivo desempregado é forçado a vender seu apartamento. Quando ele descobrir que ainda tem as chaves, ficará obcecado pela família que agora mora lá e decidirá recuperar a vida que perdeu, a qualquer preço.

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Pensar em tramas onde o protagonista ou antagonista fica obcecado por outros personagens não é difícil, então o que vem chamando atenção em A Casa é o modo como o diretor e roteirista compensa Javier em seu plano ambicioso de tomar uma família para ele. Sim, isto que acontece. Vemos num primeiro momento Javier, esposa e filho em uma vida que se assemelha a algo perfeito na sociedade. Classe média alta, carros e uma vida tranquila. O sonho de consumo de qualquer grupo capitalista.

Tudo isto rui quando ele perde o emprego e o status social, tendo que vender a sua casa e navegar por outro nível social. Enquanto esposa e filho lidam bem com este novo contexto, Javier não se conforma e logo acha uma brecha para retomar à sua vida de outrora. E encontra esta brecha justamente na sua antiga casa, agora residida por moradores que são exatamente tudo que ele gostaria de continuar sendo: bem sucedidos, felizes e economicamente estáveis.

A partir dai entra seu plano mirabolante para tomar a família para si (obviamente ele precisaria descartar a sua versão, ou seja, precisaria tirar o esposo de cena). E é nesta parte que A Casa entrega um roteiro que foge de verossimilhança, e carrega muitos elementos contraditórios, como uma facilidade incomum em convencer as pessoas (a esposa da nova família e a sua própria esposa), além de se livrar facilmente de personagens que ficam em sua frente, como o jardineiro.

Ainda assim, se no desfecho Javier fosse desmascarado, preso, ou morto, certamente o filme teria comentários mais brandos sobre sua narrativa. O grande fato de A Casa é que mesmo depois de ter sido um canalha e ter feito de tudo (tudo de ruim) para conseguir o que queria, ele termina a trama como o pai da nova família, feliz, com a sua nova esposa e a vida que sempre desejou possuir.

Mas será este elemento suficiente para destruir o filme?  Bem da verdade, podemos fazer uma discussão bem interessante com este desfecho, afinal de contas, é a vida. O que temos de pessoas que agem fora das regras, fora das leis, que matam, rouba, e ainda assim possuem uma vida (prática) invejável não está no mapa. Claro que aqui excluímos a ideia de religião, de que essas pessoas serão jugadas no pós-morte, etc…

A Casa no fim das contas acaba refletindo a sociedade em que vivemos. Injusta, sacana e contraditória. Nem sempre os mocinhos vencem e nem sempre os marginais são desmascarados.

Comentários

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  • Sinceramente,Não gostei a trama é interessante mas esse final estragou tudo embora sabemos que existem esse tipo de coisa na sociedade acredito que o mal não vence o bem o mal pode até triunfar por algum momento mas no fim o bem sempre vence.

      • Aquela torneira quis dizer que a felicidade plena é inalcançável. Quando ele estava com dificuldade e entrou no apartamento a torneira estava pingando. E no final do filme quando acho que tinha conquistado tudo uma torneira volta a pingar. Ou seja… A vida nao termina como num filme

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