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Cinema: 10 filmes para conferir nessa quarentena + 1 bomba!

Cinema 10 filmes para conferir nessa quarentena + 1 bomba!
Cinema: 10 filmes para conferir nessa quarentena + 1 bomba!

Cinema: Sem ter o que fazer nesses feriados improvisados (ou em qualquer outro dia de quarentena)? Listamos 10 filmes maravilhosos para assistir durante o período de reclusão + uma bomba para você evitar.

Por Elenilson Nascimento e Anna Carvalho

1 –  “Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississippi”. Baseado na obra de Hillary Jordan, o filme trata sobre o racismo no fim da Segunda Guerra Mundial. Na história, a tímida Laura (Carey Mulligan) acredita ter tirado a sorte grande quando encontra Henry McAllan (Jason Clarke), um homem tosco e bruto, mas interessado nela. Logo após o casamento, a família se muda para uma fazenda no chuvoso delta do Rio Mississipi. Enquanto Laura enfrenta dificuldades para se adaptar à vida rural, ela é confrontada com uma família negra, os Jackson, responsáveis por ajudar no trabalho pesado com o plantio e a colheita. Duas posições muito distintas se desenham na família: enquanto o pai idoso de Henry, Poppy (Jonathan Banks), luta para manter os “privilégios dos brancos” no terreno, o irmão de Henry, Jamie (Garrett Hedlund), desenvolve uma boa amizade com o filho dos caseiros, o inteligente Ronsell (Jason Mitchell), pelo fato de ambos compartilharem traumas da guerra. Um violento conflito de etnias, gêneros e classes sociais marca a convivência entre os McAllan e os Jackson. Um filme demasiadamente triste, mas necessário. Leia a minha resenha do livro aqui: (https://www.instagram.com/elenilson_escritor/)

Charlton Heston como Moisés em Os Dez Mandamentos.
Charlton Heston como Moisés em Os Dez Mandamentos.

2 – “Os Dez Mandamentos”. Versão de 1956, com um grande elenco: Charlton Heston (que também fez “Ben-Hur”), Anne Baxter, Yul Brynner, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Vincent Price, Richard Farnsworth, Debra Paget, John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha Scott, Judith Anderson, John Carradine, Olive Deering, Douglass Dumbrille e Robert Vaughn. Todos já mortos! Poucos livros têm tanto potencial cinematográfico como a Bíblia. Recheado de histórias grandiosas, o livro sagrado cristão é um prato cheio para cineastas ousados, que podem projetar na tela a sua visão sobre aqueles acontecimentos. Por outro lado, histórias bíblicas podem causar aversão em pessoas não cristãs e, nas mãos de diretores errados, podem se transformar em mera propaganda religiosa (*vide as produções toscas da Rede Record). Mas não foi o caso de “Os Dez Mandamentos”, épico grandioso e muito bem conduzido por Cecil B. DeMille, que narra à trajetória de Moisés desde que foi colocado ainda bebê num rio até o momento em que lidera a libertação de seu povo do Egito. Auxiliado pela direção de fotografia de Loyal Griggs, o diretor cria um universo bastante colorido e vivo, explorando muito bem as belas paisagens para criar planos marcantes, como na linda marcha dos camelos pelo deserto e na impressionante imagem do anjo destruidor que desce em forma de fumaça para matar os primogênitos egípcios. Neste e em outros momentos, como a famosa seqüência no Mar Vermelho, fica evidente a excelente condução da mise-en-scène do diretor, que coordena aquele enorme grupo de pessoas com eficiência. Os crentes da Universal deveriam aprender um pouquinho com esse filme!

3 – “Guerra Mundial Z”. Filme de 2013, dirigido por Marc Foster, com protagonismo de Brad Pitt como Gerry Lane, um ex-investigador da ONU. Este filme traz uma reflexão muito próxima de uma pandemia, uma infestação viral (pessoas viram zumbis), dadas as devidas distâncias, a obra trata do caos ou da teoria do caos da nossa espécie humana e do seu ocaso, da sua fragilidade. Obviamente, ao ver o filme, me alcança o poder da reflexão sobre essa realidade de agora, até que o investigador descubra o paciente zero ou que os zumbis não atacam doentes, onde o mundo padece sob óbitos, impotência e destruição. Destaco também elementos muito tentadores num certo platonismo clássico: americanos salvando o mundo, Israel sendo um local ou um celeiro importante, ou ainda a figura romântica e reguladora da ONU como mediadora da situação de caos. No plano real, nada pode ser romantizado, essa é a realidade.

4 – “Melancolia”. Filme de 2011 dirigido por Lars Von Trier, com  Kirsten Dunst e Charlortte Gainsbourg. A obra trata também do fim do mundo, da aproximação do planeta Melancolia com a Terra. Duas irmãs, afastadas pelo tempo, têm reações completamente distintas ao saber que o mundo pode estar chegando ao fim com o planeta Melancolia se movimentando em direção à Terra. Uma aceita calmamente a situação, enquanto a outra se desespera. Este filme trata a escatologia sob viés mais personalista, psicológico, uma família desestruturada e a morte iminente. Aliás, muitos filmes tratam desse tema, há uma obsessão em tratar do fim do mundo, de como seria o fim do mundo. Parece que, as reflexões de H Arendt estão corretas, quando a mesma analisa o conceito de amor em Santo Agostinho, o milagre, a exortação como fim para automatismo do homem. No caso do filme, o fim do mundo iminente quebra os normatismos, o homem médio se debruça sobre o escatológico à salvo em filmes, e agora? Isso é real.

5 – “Cartas de Iwo Jima”. Produção de 2007 e com direção Clint Eastwood. O filme parte de centenas de cartas escritas por soldados japoneses durante uma batalha, na Segunda Guerra, se pode perceber o que se passou com o exército enquanto lutava para manter a estratégica ilha em seu poder. Os americanos precisavam dominar Iwo Jima para avançar contra o Japão, que estava em desvantagem tecnológica e física, mas que contava com o amor de seus moradores pela pátria e pelo imperador e a disposição de morrer por eles. Os soldados seguiam sob o comando do general Kuribayashi. Ele acreditava que, escondidos em túneis, eles poderiam ter chances de vencer a batalha, mas grande parte dos oficiais rechaçava seu plano, principalmente por ele já ter morado nos Estados Unidos. Dentre os que acreditavam nele estava o barão Nishi, um campeão olímpico de equitação, além do jovem soldado Saigo, que queria sair logo da ilha e voltar para casa para conhecer sua filha recém-nascida. Neste filme, existe uma participação maior dos personagens americanos, havendo diálogos entre coadjuvantes durante os conflitos, tornado o exército americano um personagem neutro na narrativa. É muito interessante as posições das câmeras durante as filmagens!

Negação pós-verdade nos tribunais, Deborah Lipstadt (Rachel Weisz) é uma historiadora judia que tem como linha de pesquisa o holocausto.
Negação pós-verdade nos tribunais, Deborah Lipstadt (Rachel Weisz) é uma historiadora judia que tem como linha de pesquisa o holocausto.

6 – “Negação”. Filme de 2016, direção de Mick Jackson. No enredo, o escritor David Irving enfrenta uma batalha legal contra a respeitada autora e historiadora Deborah Lipstadt (Rachel Weisz) depois que ela o acusa de negar a existência do holocausto. O filme reedita o morticinio nazista numa dialética entre um historiador e uma autora/historiadora judia. Incrível ver que o mundo ainda esquadra a Eugenia como modelo plácido de sistema, a negação da intenção nazista do descarte criminoso de corpos de judeus como último ato de sua execração sumária. Lembro-me de uma fita no Museu do Holocausto de uma mulher fazendo selfie diante de um ambiente que manteve a severidade do silêncio de sepulcro. Ver este filme garante que nós sejamos testemunhas do massacre, da Eugenia, do descarte, da atrocidade do nazismo que parece algo longínquo e não é. O historiador sendo questionado pela sua visão tendenciosa traz à tona a capacidade muito clara de certos desserviços prestados por autores que se afastam dos fatos e lidam com os faros queridos, pós verdade que seja. Os judeus, no filme, aparecem como povo que precisa ter sua história calcinada contada com as cores fortes da suástica. Ponto alto para o etnocentrismo de uma das personagens que ensina sua filha pequena uma música altamente racista. Para quem gosta de um bom debate em que a dialética é a grande ribalta, vale a pena. Com um adendo: o mal precisa ser conhecido para não ser repetido.

7 – “9 Canções”. Uma produção de 2004, com direção de Michael Winterbottom. No filme, uma estudante norte-americana Lisa conheceu Matt, um jovem inglês, num show de rock na Inglaterra. Figuras comuns e não necessariamente atraentes, os dois vivem uma tórrida relação e se encontram para ouvir música, terminando a noite na cama. Os dias seguem sempre da mesma maneira até que chega a hora em que a garota deve voltar a seu país natal. Ele, então, relembra as vezes em que se encontraram em dias de solidão numa expedição pela Antártida. O título do filme, “9 Canções”, refere-se ao número de vezes em que o casal manteve relações. Devido ao grande número de cenas de nudez e sexo, o set de filmagem era mantido com a mínima quantidade de pessoas possível. E o legal, além das cenas de sexo explicito, são os shows mostrados das bandas Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, The Dandy Warhols, Primal Scream, Super Furry Animals e Franz Ferdinand.

8 – “Me Chame Pelo Seu Nome”. Filme de 2017, com direção de Luca Guadagnino. O jovem Elio está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda com a chegada de Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai. A sinopse pode ser assim, mas o filme trata do despertar da sexualidade de um adolescente apaixonado por um homem mais velho na década de 80. O filme é muito bom e conserva a graça esteta de não tratar o óbvio do colóquio amoroso sob viés pornográfico, o grande ganho mesmo, é o amor num lugarejo da Italia que guarda a história em mais um encanto: pureza. A cabeça de Élio, a negação ao envolvimento inicial pelo acadêmico, tudo regado pela cultura pop da década de 80 desde o relógio de Élio, sua montagem new wave, até o debate sobre a sexualidade numa família em que erudição acolhe amor em toda sua extensão ilimitada. Ao meu ver, ante a pretensão de hoje da sexualidade estar a serviço e causas, há uma certa prestação de contas tão pouco subversiva, o olhar de togas, de precipícios e uma certa vulgaridade, o filme dá ao interlocutor uma narrativa que vence o erótico, a capacidade idílica de um amor puro entre dois rapazes.

Em Brasil Uma História Inconveniente, a polícia é mostrada como os novos capitães do mato, autorizada a matar pretos nas favelas.
Em Brasil Uma História Inconveniente, a polícia é mostrada como os novos capitães do mato, autorizada a matar pretos nas favelas.

9 – “Brasil: Uma História Inconveniente”. A escravidão no Brasil é tema de um documentário exemplar. Enquanto todo o mundo conhece a história da escravidão nos EUA, poucas pessoas percebem que o Brasil foi, na verdade, o maior participante do comércio de escravos. Quarenta por cento de todos os escravos que sobreviviam à travessia do Atlântico eram destinados ao Brasil, enquanto apenas 4% iam para os EUA. Chegou uma época em que a metade da população brasileira era de escravos. O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, em 1888. Este documentário, sobre o passado colonial do Brasil, foi realizado em 2000 por Phil Grabsky, para a BBC/History Channel. Ganhou um Gold Remi Award no Houston International Film Festival em 2001. Uma verdade inconveniente da história de Portugal. O documentário tem depoimentos dos historiadores João José Reis, Cya Teixeira, Marilene Rosa da Silva; do antropologista Peter Fry e outras pessoas que contam os efeitos de séculos de escravidão no Brasil de hoje. Este é um importante documentário sobre a história dos negros, história africana e estudos latino americanos.

10 – “Madame Satã”. Madame Satã foi o nome artístico adotado por João Francisco dos Santos em suas performances transformistas realizadas em algumas casas noturnas da Lapa (Rio de Janeiro) na década de 1930. Apesar de ter se tornado personagem peculiar em histórias diversas nos jornais cariocas, a história de João Francisco é bem real. Esta adaptação de 2003, com Lázaro Ramos no papel título, tem uma abertura com João sendo interrogado e fichado pela polícia e logo em seguida já passa para a rotina do personagem. Inicialmente João tem muitas características do típico estereótipo do malandro carioca: vive na boemia, é bom de briga e aplica pequenos golpes em pessoas desavisadas. Apesar disso ele também é declaradamente homossexual e deixa isso evidente em um diálogo memorável, onde diz: “Eu sou bicha porque eu quero, mas não deixo de ser homem por isso não”. Ao longo do filme vamos acompanhando a trajetória de João Francisco em diversas situações de sua vida instável e cheia e conflitos que o conduzem ao seu desabrochar como Madame Satã, realizando apresentações transformistas nas boates da periferia carioca. Este nome artístico foi retirado do filme homônimo dirigido por Cecil B. deMille

6 – A BOMBA: “Capitã Marvel”. O filme estreou em uma sexta-feira de 2019, dia internacional das mulheres. A data, que foi estrategicamente pensada, não poderia ser melhor escolhida: não haveria uma forma mais “honrosa” de comemorar o dia da mulher do que exibindo nas salas de cinema um filme com uma protagonista tão poderosa quanto essa, empoderando o sexo feminino. No entanto, o filme foi um fracasso total. A história foi baseada nas próprias HQs da Marvel e sofreu duras críticas, pois não conseguiu construir ganchos – com as últimas histórias da franquia, “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores: Ultimato”. O filme tem sua trama focada na forma como Carol Danvers – a Capitã Marvel, interpretada pela fraca Brie Larson -, descobrirá sobre seu passado enquanto busca por skrulls infiltrados no planeta Terra. Sua trajetória cruza caminho com a do agente Fury, retratado no filme de uma forma mais ingênua do que aquela que estamos habituados. Mas veja, como exemplo, a psicodelia de “Doutor Estranho”, o humor safado de “Homem-Formiga”, o clima de espionagem em “Capitão América: Soldado Invernal”, as aventuras espaciais coloridas de “Guardiões da Galáxia” e “Thor: Ragnarok”, ou ainda a excelente união entre ação e temática social de “Pantera Negra”, mas em “Capitã Marvel” nada disso foi mostrado. A Capitã Marvel, interpretada por Brie Larson, é sem sal porque não tem tempero qualquer. Soa como o Homem de Ferro, o primeirão, como um grande prólogo escrito para justificar a existência da personagem em aventuras melhores (espero!), mas que ali não condiz. Nada, além disso.

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