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Cobertura – My French Film Festival | 2019 – Longa-Metragens (Parte 1)

Cobertura de Gabriella Tomasi do My French Film Festival

Embora os curta metragens se apresentassem com bastante diversidade e competência técnica, o mesmo infelizmente não se pode dizer o mesmo dos longa-metragens assistidos nessa primeira parte da cobertura. Como Meninos traz uma premissa maravilhosa baseada em fatos reais, em que se conta a história da primeira equipe feminina de futebol francesa a nível nacional.

Isso porque o roteiro traz uma narrativa completamente bizarra, que começa na redação de um jornal. Um jornalista que assume a organização de uma quermesse em conjunto com a secretária e decide simplesmente transformar aquele evento em turnês, recrutando meninas cujo interesse no esporte parece ser secundário para algumas, reforçando um estereótipo ridículo de que não há mulheres que tenham gosto pelo referido esporte.

Comme des Garcons
Comme des Garçons

O que é interessante, de fato, é que o preconceito e o machismo são bastante evidentes pela falta de esperança de todos ao redor em relação ao projeto.  Inclusive, pelo motivo de que as mulheres casadas precisariam de autorização por escrita de seus cônjuges para participar do grupo. O que acontece, lamentavelmente, é que para desenvolver estas questões delicadas optou-se por inúmeros clichês e fórmulas prontas que toda a comédia romântica utiliza, prejudicando a obra como um todo ao desenvolver saídas fáceis para um tema bem complexo. A título de exemplo, o suborno que precisaram fazer para autorizar uma das mulheres a jogar ou então as incontáveis pessoas que mudam sua opinião no último minuto para salvar o dia.

O próprio final remete a um tom de “felizes para sempre”, com sensação de dever cumprido como se o problema da questão de gênero fosse resolvido.

Mas o pior de tudo é pretender que uma história ressalte um movimento feminista que nem suas integrantes crêem nele, precisando, dessa forma, de personagens masculinos para fazer as coisas funcionarem. Por um lado, é muito bom ver que homens abraçam a causa e se tornam tão feministas quanto, utilizando de seu status para acabar com tabus… Continua a leitura

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9º edição do Olhar de Cinema