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Critica série “MESSIAH” – A nova polêmica da Netflix

Messiah

Messiah –2020 chegou e com ele uma série polêmica de suspense, com base religiosa, a primeira grande estreia do ano na plataforma de streaming e promete chamar bastante atenção.”

Por Elenilson Nascimento e Anna Carvalho

Com a velocidade da luz, a Netflix vem cada vez mais entregando novas produções, mais interessantes, cheias de enredos inteligentes e com roteiros muito bem escritos. E fazer, muito bem feito, um novo programa de TV cujo enredo depende de milagres de uma personagem mais do que conhecida é algo desafiador. Desta vez, temos “Messiah”, uma série com a primeira temporada inteira lançada exatamente no dia 01 de janeiro de 2020, e já coberta de polêmicas. O título conta com 10 episódios já disponíveis, que têm uma duração que gira entre 40 e 50 minutos. E o elenco conta com o ator Mehdi Dehbi como seu protagonista. A série foi criada por Michael Petroni e produzida pela Lightworkers Media. E desde que teve o trailer liberado no Youtube foi bastante comentada e tornou-se o lançamento mais intrigante a estrear na Netflix em 2020.

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Toda a trama tem início com um evento “milagroso”. Na Síria, durante ataques do Estado Islâmico, com uma chuva de bombas, uma esquisita tempestade de areia atinge a cidade e evita que a organização terrorista realize mais um de seus atentados. Tal evento é automaticamente associado a um homem que se autodenomina uma espécie de Messiah. Daí, é possível perceber como a série já começa a tratar de um assunto delicado.  A série traz ainda componentes clichês sobre o tema: um Cristo moderno, um Messiah onipresente, um ativista confuso, o estoicismo, uma policial que aborta, um marido morto por câncer, fertilização e mais tragédias familiares. Por outro lado, como a obra também quer retratar o relacionamento entre Ocidente e Oriente, temos uma americana, a agente da CIA Eva Geller (Michelle Monaghan). E seu papel aqui é investigar o tal Messiah e descobrir se ele é um impostor querendo fundar uma nova igreja ou se realmente é o próprio Filho de Deus que, enfim, resolveu dar as caras nestes tempos tenebrosos.

E nesta ideia do “novo trabalho de Deus”, o Messiah leva uma multidão faminta para uma fronteira, ele próprio sendo responsável por eventuais mortes. Ponto para um certo diálogo entra a policial e o divino, pinçados sobre a verdade, morte, a necessidade copiosa do povo sedento por líderes que falam o que ele quer ouvir. Como foi profetizado que o verdadeiro Jesus retornaria para derrotar o Dajjal e restaurar a paz no mundo, o tal Messiah traz, então, a comiseração indiferente típica de grandes líderes, fala pouco, gesticula muito, tem resposta para tudo, frases feitas, também anda sobre as águas, recita o “Apanhador no Campo de Centeio”. E, atualizado, nada deveríamos dessa representação da Igreja Católica louro de olhos azuis. O Messiah dessa vez é mais povão, charmoso, com um certo ar de adolescente inconformado, respondão e muito inteligente. Óbvio, dotado de estereótipos, profecia, um quê de proselitismo, com um olhar forte, penetrante, pretensioso e alongado.

Messiah

A TRAMA – “Messiah” começa com dois jovens palestinos em Damasco, presos durante o ressurgimento do ISIL. Aqui, somos apresentados ao homem chamado Al Massih, que afirma ser o mensageiro de Deus e promete paz ao povo, que acaba os ajudando. Logo depois, ele leva seus 2000 seguidores (incluindo os dois meninos) pelo deserto da Síria, sem comida e água, até a fronteira com Israel. Então, isso chama a atenção da agente da CIA, Eva Geller, que decide rastrear o homem. À medida que a série avança, várias narrativas se tornam emaranhadas às do homem misterioso quando ele atravessa fronteiras e vai do Oriente Médio, até a América. Eles incluem um agente do Shin Bet; um reverendo latino do Texas chamado Felix (que aparece em crise e tentando tocar fogo na sua própria igreja), sua esposa e sua filha, Rebecca (*espero que ela acabe tendo um caso torrido com o tal Messiah), e a jornalista Miriam.

Aliás, vale lembra aqui que grandes líderes têm consciência de suas dores, grandiosidade, dispersão e a beleza de não ter plano e, com seu carisma, levar a todos para uma fronteira, como que testando sua força, simples assim. Mas a série faz questionar tudo, e em um exemplo de forças, criar o caos, caos mundano, de instituições, anarquia, como se tantos profetas charlatães se fazem nessa lógica. E o ato de questionar é um ato de demonstrar poder, embora necessariamente não haja caminhos.

Do Islã ao Cristianismo, da Síria a Washington DC, o Messiah continua a realizar milagres e citar as palavras de Deus, conquistando milhares de seguidores de todo o país e além-fronteiras. Mas a agente da CIA está mais determinada do que nunca a descobrir quem é o homem misterioso por trás de líder popularesco e quais são suas verdadeiras intenções. Ela se une ao agente do FBI, Mathers, e descobre sobre a verdadeira identidade e passado de Al Massih. Mas o Messiah poderia ser um coach, analista de discurso, porém, atua nas dores da policial que o enfrenta num diálogo alegórico na cadeia. E o Messiah acaba preso, no cárcere, os homens temem profetas, talvez valorizem mais os falsos.

O assédio da imprensa mundial com aquela figura misteriosa.

Mas quando a agente da CIA Eva descobre informações sobre um homem misterioso ganhando atenção internacional através de atos de perturbação pública, ela inicia uma investigação particular sobre suas origens. Enquanto ele continua a cultivar seguidores (tanto nas redes sociais como fora delas) que alegam que ele está realizando milagres, e a mídia global fica cada vez mais seduzida por essa figura carismática. Então, a agente da CIA precisa urgente correr para desvendar o mistério de ele ser realmente uma entidade divina ou um vigarista enganoso capaz de desmantelar a ordem geopolítica do mundo. A Netflix, através deste seu mais recente suspense geopolítico, não apenas cruza as fronteiras culturais, mas as fronteiras do próprio gênero, apresentando algo realmente instigante, assim como em “A Caixa de Pássaros” (2018), que nos mantém alerta quando tentamos descobrir se realmente existe verdade no que vemos.

Aí entramos no psicológico do Messiah: metafísico, matéria prima de ativistas, de líderes carismáticos, pois ele é ambíguo, arrogante, afetado, usa de traços da vida íntima das pessoas para demonstrar poder, em uma estratégia de aproximação. Machado de Assis construía Deus e o diabo com as mesmas arrogâncias arquetípicas, abusando de hierarquia, uma certa maldade presunçosa, gosto pelo poder. É de Machado a frase: “A poesia é de Deus, a música de Satanás”. Ele sabe que tem poder, sendo blasé por isso, afetado, inclusive. Mas a série explora de forma produtiva a necessidade das pessoas acreditarem em algo, em um momento em que não podem confiar em nada. A série, então, não apenas nos faz questionar essas crenças, mas, mais importante, porque alguém escolhe acreditar, tecendo narrativas de várias camadas através das fronteiras e da fé.

O tal Messiah tem o ar daqueles que acham que o mundo deve algo a ele, ato infalível de estar acima para ajudar os fracos, os que estão abaixo, mesmo que não haja um plano efetivo previsto, aliás o próprio Jesus Cristo não era de paz, era de questionar, era anarquista, se vivesse hoje entre nós, estaria de amizade com a Greta Thunberg e tocando o terror no parquinho. Há episódios dele quebrando quinquilharias no templo em uma atitude de ódio, não dá para tratar de Deus sem tratar de humanidade, toda competência estratégica deveu-se a onipresença da sua alquimia com humano, da sua reflexão humana . Afinal, Jesus era, antes de ser divino, muito humano.

O Messiah tem o ar daqueles que acham que o mundo deve algo a ele.

Além disso, à medida que a história se desenrola, várias perspectivas se entrelaçam, incluindo a de um oficial de inteligência israelense, a do já citado pregador do Texas e sua filha problemática, além de uma refugiada palestina e uma jornalista confusa, que cobre a história. O Deus do livro “O Fator Deus”, de Saramago, por exemplo, era um Deus criado por homens que matam em Seu nome, o Deus do Evangelho segundo Jesus Cristo do mesmo autor, não poupa o pecado original à Maria. Ambos iconoclastas. Ao mesmo tempo, mostra o mesmo agravante da humanidade, sedenta por líderes, por transgênicas, e o Messiah que vai a julgamento, sendo réu, a crucificação moderna não deveria ser na cruz, mas diante de uma toga. Aliás, em nossa tese, o calcanhar de Aquiles de Deus, Cristo é o homem, esse rascunho mal feito capitaneado entre o bem e o mal, ativismos de nós, os dois lados são de poder. E o Messiah medito na cela, porta animismos, por vezes acabamos lembrando da música da Marina Lima cujo refrão é: “Eu vi o rei. O rei nasce sabe quem é”. Na canção, os versos dizem que ele nunca se abriu para nós, só uma vez quando partiu. Todas as representações de Deus portam significativos ressentimentos, por um projeto tão audacioso de dar seu primogênito para um sacrifício em nome da humanidade. Humanidade de quem mesmo, essa é a grande questão.

As gravações de “Messiah” aconteceram entre junho de 2018 e março de 2019 no Novo México. Algumas das locações incluem Albuquerque, Mountainair, Estancia, Belen, Santa Fe e Clines Corners. E é exatamente isso que torna a série refrescante e reflexiva de nossos tempos conturbados, pois constrói uma narrativa convincente cheia de várias vozes distintas. É também como o “Messiah” consegue se tornar um thriller de suspense bastante emocionante. Além disso, que não exija um vilão sólido nem violência, mas usando o poder de uma ideia e quão destrutivo isso pode ser.  Às vezes, o Messiah parece infantil, falando de passarinho, entre metáforas de revistinhas de passa tempo, mas fica tácita a sua presunção, seu ar blasé, e ele é bastante blasé. E a impressão de que fala por alegoria incompreensível. Messiah se senta em uma cela com a presunção dispersa de um jovem hippie, com cabeleira de “Aquarius”, num nirvana, entre tempo de fazer a mágica com uma moeda diante de uma criança refugiada. A série é atual, com cortes cirúrgicos, rápidos, há diálogos demorados, inteligentes, socráticos, mas também há os gaps, a inteligência de frases comuns a um líder messiânico, lidar com uma rudeza líquida pede análise. Um Messiah moderno não pode cometer a famigerada prolixidade, pois o tempo é algo caro hoje.

Depois de um grave acidente, só os bons sobrevivem?

SPOILERS – O final da Primeira Temporada de “Messiah” é, em muitos aspectos, apropriadamente intitulado “O salário do pecado”, como a Bíblia diz que “O salário do pecado é a morte”. E no capítulo final da série, a morte rege a todos, assim como não apenas as pessoas morrem, mas também a inocência, a fé e a crença. E o pastor Felix, amargo e desiludido, enfim, acaba queimando sua igreja. Mas, como sempre, “Messiah” consegue oferecer uma reviravolta no final, porque o avião que transporta Al Massih de repente explode. Em seguida, bate em um campo de flores vermelhas – achei bem parecido com uma cena de “O Pequeno Príncipe”. O agente responsável pelo transporte do Messiah acorda e olha para Al Massih olhando para ele. Malik, um garoto local, diz a ele que ele foi ressuscitado dentre os mortos pelo Al Massih, assim como outro homem, enquanto todo mundo morreu. O outro homem, ajoelha-se e beija a mão de Massih, enquanto Avi parece incrédulo.

TEREMOS 2ª TEMPORADA? – Segundo fontes, a renovação depende inteiramente do desempenho da série com os assinantes da Netflix. Além disso, poderá levar meses para a Netflix decidir o futuro da série, mas se “Messiah” começar de forma fantástica no serviço de streaming, poderemos esperar notícias de renovação ainda mais cedo. E as teorias conspiratória sobre “Messiah” estão rolando na rede: com o final que se torna interessante por várias razões. Em primeiro lugar, era importante estabelecer no início do episódio que Malik tem uma imaginação ativa e adora contar histórias. Devido a isso, fica difícil para os espectadores ceder completamente ao que ele diz sobre Al Massih ressuscitar Aviram dentre os mortos. Mas também há o fato de que Al Massih conseguiu sobreviver ao acidente sem um arranhão, e foi visto tocando os corpos antes que eles acordassem. Torna-se ainda mais complicado quando se olha para a conexão de Al Massih com o terrorismo cultural, junto com seu passado real. O final, na verdade, não revela se Al Massih é ou não o Messiah, mas deixa para trás muitas ideias convincentes.

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