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Crítica “Judy”: atuação de Zellweger é magnífica e merece indicação ao Oscar

Judy
Judy

Dirigido por Rupert Goold. Roteirizado por Tom Edge. Elenco: Renée Zellweger, Rufus Sewell, Finn Wittrock, Michael Gambon, Jessie Buckley, Bella Ramsey, John Dagleish. Gemma-Leah Devereux.

Judy é o longa-metragem cinebiográfico que aborda os últimos anos da vida de uma das estrelas de cinema mais icônicas e importantes da sétima arte hollywoodiana, Judy Garland, a atriz de Nasce uma Estrela (1954), O Mágico de Oz (1939) entre tantos outros. Protagonizado por Renée Zellweger no papel da personagem-título, a obra recebeu duas indicações ao Óscar 2020, e a atriz é a favorita em sua categoria.

De fato o trabalho da atriz é magnífico e merecedor da indicação. Zellweger incorpora a maneira de andar, sentar e falar de Garland, enaltecendo o caráter humano de seus defeitos. O público certamente irá se emocionar com a vida pessoal e os problemas enfrentados, os quais colocam em foco e em xeque todo o glamour da Era de Ouro dos estúdios de Hollywood, o que aqui já não é mais tão dourado. É interessante, neste sentido, que a fotografia trabalhe de modo inverso, mostrando em cores quentes o seu passado com a presença do preto e do marrom em cenas específicas para retratar todo o caráter sombrio de um lugar superficialmente mágico, assim como a inocência do personagem e a ilusão do cinema hollywoodiano. Em contrapartida as cores mais frias no seu presente a fim de transmitir as consequências irreversíveis desse mundo e ambiente tóxicos.

O amor pelo cinema, pelo palco e pelas artes de um modo geral, já que Garland era também cantora, constitui um campo de fundo. O problema é que o roteiro não explora esse aspecto senão nos últimos minutos da narrativa, e, dessa forma, o filme simplesmente não parece coerente. Ora, a impressão que fica no começo é que a atriz foi forçada contra sua vontade ao entrar para o cinema e apenas no terceiro ato é que o amor pela indústria transparece.

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Além disso, vários temas foram deixados de lado ou mal resolvidos, demonstrando uma imensa incapacidade de seu roteirista em trazer algo mais consistente. A narrativa vai de um lado para o outro e para todos os cantos e, no final da sessão, fica difícil estabelecer exatamente qual é o legado de Judy Garland, ou seja, o que devemos reter quando saímos do cinema.  Os abusos psicológicos são evidentes, mas os sexuais na infância não são explorados diretamente, traumas amorosos e relacionamentos são muito rapidamente tratados, e uma vida pessoal em geral que não é resolvida para o espectador, como as amizades aleatórias que Judy faz em Londres ou o relação com sua filha mais velha, Liza Minnelli que não trazem nada de muito relevante. Não temos certeza do que acontece entre ela e os filhos, ou entre Garland e Mickey (Wittrock) ou mesmo sua assistente em Londres, Rosalyn (Buckley), a qual parece sempre querer dizer algo, mas nunca diz.

O longa é portanto um vazio narrativo que também fica prejudicado por uma direção desastrosa que não sabe utilizar os quadros apropriados para cada cena, deixando a protagonista ora fora de quadro, ora forçando momentos melodramáticos com excessivos close-ups, o que tira a naturalidade de muitas cenas que são impactantes, mas deveriam ser mais naturais. O filme inteiro é realizado de maneira a gritar todo o tempo para aparecer e emocionar, e sendo intenso demais acaba artificial demais.

Judy é uma clara tentativa de Oscar bait que deu errado e não é a boa atuação de Zellweger que salva esse longa.

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