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Crítica “O Mundo de Sofia”: um dos livros mais deliciosos da história

O Mundo de Sofia
O Mundo de Sofia

O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia Autor: Gaarder, Jostein. Editora: Companhia das Letras. Assunto: Literatura norueguesa – Romance.

Sofia Amundsen está prestes a completar 15 anos, um belo dia ela é arrancada de seu cotidiano e confrontada com os grandes mistérios do universo, quando ao voltar pra casa encontra na caixa de correios um bilhete anônimo endereçado a ela contendo apenas uma pergunta: “Quem é você?”. A pergunta intrigante atiça sua curiosidade e ela começa questionar sobre a própria existência. Logo em seguida ela recebe mais um bilhete: “De onde vem o mundo?”. Uma tempestade rugia dentro de Sofia quando ela, pela terceira vez vai verificar a caixa de correspondências e encontra um cartão postal endereçado a Hilde Moller Knag, uma garota com a mesma idade que Sofia, enviado pelo pai da garota aos cuidados de Sofia.

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Em poucas horas Sofia tinha em suas mãos três enigmas: Quem havia posto as cartas na sua caixa de correio, como responder às difíceis perguntas das cartas e por fim descobrir quem era Hilde Moller Knag.

SINOPSE

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões-postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Moller Knag, garota a quem Sofia também não conhece. O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares só no Brasil. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente. Para comemorar esse grande sucesso, a Companhia das Letras lança agora nova tradução de “O mundo de Sofia” — feita diretamente do norueguês — e novo projeto gráfico para toda a coleção de Jostein Gaarder.

Crítica

A partir desses eventos o romance se desenvolve em dois planos distintos. Numa linguagem extraordinariamente viva, um professor de filosofia se encarrega de ir guiando Sofia pelos mistérios dos pensamentos filosóficos ocidentais de modo transparente e simples, que recebe em forma de cartas, fitas de vídeo e até mesmo através de conversas ambientadas.

O leitor por sua vez é envolvido em sobrevoos filosóficos, compreendendo assim as ideias e pensamentos antes impenetráveis, pois o autor usa todo e qualquer artifício pra elucidar até as mais complexas teses abstratas. O melhor meio de se aproximar da filosofia é através de perguntas filosóficas, tais como: Como o mundo foi criado? Há vida após a morte? Como devemos viver? Como podemos responder a essas perguntas? Será que existe uma vontade ou um sentido por detrás de tudo que ocorre?

Sofia mal consegue respirar por vezes, ante tanta informação, o curso de filosofia vai sendo ministrado em pequenas doses, mas mesmo assim é de tirar o fôlego e embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todos se tornam filósofos, pois a grande maioria vive achando que o mundo e o existir são coisas absolutamente banais. Eram tantas coisas que ela nunca havia parado pra pensar antes, ela não era mais uma criança, mas tampouco era adulta ainda e com as lições do filósofo ela havia sido arrancada do mundinho em que vivia para ver o mundo como se fosse a primeira vez. O filósofo a salvara.

Ela vai conhecer os mitos e a visão mitológica do mundo, os filósofos da natureza, os três filósofos de Mileto, a teoria atômica, a ciência da história e da medicina, Sócrates, Platão, a lógica, a ética… Tudo isso e muito mais emoldurado dentro do cotidiano da menina, ao mesmo tempo, ela descobre objetos pessoais de Hilde e fica ciente de que o Major (pai de Hilde) parece estar a par de tudo que Sofia faz ou pensa. A relação entre Sofia e o professor de filosofia vai sendo invadida por aquela história paralela, há uma certa percepção de que existe uma relação entre as aulas de filosofia que Sofia está recebendo e o presente que o Major vai dar à Hilde que também fará 15 anos no mesmo dia que Sofia. Finalmente quando Sofia está tendo uma aula sobre Berkeley, o presente chega às mãos de Hilde e é o momento em que o autor desvenda o segredo para o leitor e a partir dai uma nova história começa a ser contada.

Gaarder começou a dedicar-se à literatura infanto-juvenil em 1986 após trabalhar muitos anos como professor de filosofia no ensino secundário. Em O Mundo de Sofia ele transporta o leitor para um universo paralelo, volvendo o olhar para dentro de si ao mesmo tempo em que desperta a consciência para o mundo ao redor, utilizando uma linguagem simples e envolvente que aguça os sentidos e descortina diante dele uma nova realidade.

Em 1999 o romance foi adaptado para o cinema pelas mão do diretor norueguês Erik Gustavson.

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