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Crítica “Desperados”: comédia da Netflix une absurdos com relacionamentos

Desperados

“Desperados” é um dos lançamentos da Netflix e já se encontra entre os mais vistos da plataforma de streaming; será que vale a pena ver?

Um dos principais lançamentos da Netflix traz um pouco de tudo que o cliente da plataforma de streaming precisa em tempos de pandemia: é uma comédia escrachada, com toques de absurdo e reflexões sobre relacionamentos. De certa forma estas três ideias gerenciam os tempos atuais em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Uma comédia é neste momento uma boa válvula de escape para tanta notícia ruim. O absurdo acaba sendo uma analogia a muitas ações acontecidas recentemente por aqui (até chuva de gafanhotos tivemos) e por fim a reflexão sobre relacionamentos é uma das ações mais exercitadas em tempos de quarentena onde casais ficam 24 horas em casa.

Mas vamos propriamente ao filme.

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Em “Desperados” temos a jovem Wes (Nasim Pedrad) que precisa correr contra o tempo para apagar um e-mail constrangedor enviado ao recém namorado, antes que o destinatário (Robbie Amell), o abra. Wes toma um porre com as amigas e manda um e-mail recheado de xingamentos. Agora a única saída dela é ir para o México e apagar a mensagem antes que seu novo amor a leia.

Esta seria uma sinopse mais oficial da trama, que na verdade esconde os absurdos que o filme irá propor ao espectador. Wes é uma mulher branca, bonita, mas que está num mal momento de sua vida. Sem emprego, sua vida patina em outras áreas, inclusive no amor. Ela vai a encontro a cegas, e no primeiro desses, desastroso, quem gosta de roteiros já imaginaria que algo iria acontecer mais para frente, o que acaba acontecendo de fato.

No segundo desses encontros ela encontra o homem ‘perfeito’, e os dois já aproveitam para começar o romance, que é interrompido por alguns dias sem mensagens dele. Wes então, já desesperada, envia um e-mail junto com as amigas, destruindo o recém namorado. Porém, no momento em que as amigas enviam o e-mail ela recebe o telefonema dele, dizendo que não havia ligado porque havia sofrido um acidente e estaria no México, em um hospital.

O remorso, aliado ao sentimento de não ser mais uma rejeitada, faz Wes e suas duas amigas planejarem ir ao México, se hospedar no mesmo hotel, invadir o quarto do namorado, e ligar o notebook, e apagar a mensagem do e-mail. Simples assim.

Tudo isso acontece nos primeiros 10 minutos de filme e já contém toda a premissa da trama. A ideia é interessante e por mais que não seja muito original poderia render bons momentos. O problema é que “Desperados” abraça muito rápido o absurdo e já nas primeiras cenas do México o roteiro decide focar numa relação sexualizada de Wes com uma criança. Sem querer ser conservador, o que no cinema não deve ter espaço, a ideia é desenvolvida de forma tão simplista, que cada uma das cenas que envolvem ela e o menino parece sair de algum filme bobo do tipo American Pie (mas sem a qualidade dos mesmos).

Então chega um momento em que Wes e Sean (o rapaz do primeiro encontro, fracassado) vão para o mar e ela começa a brincar com um golfinho, que tão logo começa a praticar ações sexuais nela, culminando com uma cena marcante, do pênis do golfinho sendo roçado no rosto de Wes.

Tendo elementos de absurdo inseridos numa comédia de relacionamento, Desperados acaba perdendo bastante a credibilidade, que poderia não perder e continuar sendo um humor escrachado. Abraçar cenas tão sem noção, sem oferecer algo de bom ou de cômico, só serviu para enfraquecer um pouco a história.

A parte final, que busca entrar na ideia de reflexão sobre a vida, sobre o amor e sobre relacionamentos, melhora um pouco o resultado definitivo do filme, e o desfecho de Wes, que já estava desenhado nos primeiros minutos do filme, enfim se materializa.

A Netflix assim lança uma comédia razoável, com elementos infantis de absurdo, mas com pitadas bem interessantes de reflexões cômicas filosóficas sobre relacionamento.

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