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Crítica “DEVS”: série foca na relação entre livre-arbítrio e determinismo

DEVS

DEVS começa promissora, mas se perde durante a temporada, em meio a discussões filosóficas e existenciais que atrapalham a trama principal, que deveria ser de suspense e ação

Quem observa a premissa de DEVS, série que estreou semana passada no país através do canal fechado FOX Premium, certamente vai perceber que durante a temporada, caso assistam, ela acaba sendo transformada, saindo de um suspense focado em teorias da conspiração e busca de um assassino, para uma trama sobre a existência, sobre como a relação de causa e efeito convive ou não com o determinismo e com o livre-arbítrio.

Mas para entender isso melhor, vamos à premissa:

Em DEVS vemos Lily Chan (Sonoya Mizuno), uma engenheira de computação que inicia uma investigação sobre a DEVS, divisão secreta da companhia em que trabalha. Ela acredita que a empresa está por trás do assassinato de seu namorado, que ocorre já nos primeiros momentos da série. O principal alvo da investigação é Forest (Nick Offerman), o CEO da corporação que é obcecado pela tal divisão secreta, e que possui uma motivação pessoal para a existência desse projeto ultrassecreto.

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Olhando assim, parece que temos uma trama recheada de ação, suspense e reviravoltas de quebrar a cabeça, não? Pois não é o que vemos na série, que logo nos primeiros episódios já apresenta assassinos, motivações e tudo o mais. O que sobra então é uma discussão filosófica infinita sobre como nossos passos são determinados por uma relação completa e integral de causa e efeito, e assim o nosso livre arbítrio não passa de um mero coadjuvante nesse mundo.

Claro que na série teremos personagens, como o de Lily, que em algum momento irá confrontar esta ideia, e isso acontece já lá pro fim da temporada, e da série, que é aparentemente uma minissérie de temporada única.

Até então vemos uma trama até certo ponto boba, de Lily e seu antigo namorado, que agora é a única pessoa que pode ajuda-la a descobrir quem matou seu namorado. Só que isso ela descobre muito rápido, e assim o seu antigo namorado acaba se mostrando um personagem descartável, já que ele não agrega relevância na série, mesmo sabendo que ele é quem a resgata quando Lily é internada compulsoriamente numa clínica psiquiátrica.

Até nesta sequencia, que é meio surreal, a sua importância é diminuída.

Se o roteiro esclarece e finaliza muito cedo a parte do assassinato do namorado de Lily, ele também insere o elemento filosófico na trama, e esta parte, que talvez deixe a história mais arrastada e de difícil entendimento, é a melhor parte da trama, sobretudo para quem gosta de discussões existenciais. A computação quântica que é uma das principais protagonistas da série, nos mostra perspectivas bem surreais de mundo, e de como ela pode mudar tudo que entendemos do universo e de sua história.

O fato de podermos revisitar o passado é fascinante, e mais ainda é percebermos que todo o passado nos mostra que há uma relação determinista no universo, que se desenvolve 100% dentro da relação entre causa e efeito. Assim, é mostrado em um diálogo bem extenso e interessante de Lily e Katie.

Porém toda esta discussão filosófica não tem poder de manter os olhos do espectador sem piscar. Muito pelo contrário, para os poucos que gostam destes diálogos longos e difíceis, ótimo, mas para uma boa maioria, as grandes cenas da série dão sono.

No fim das contas, uma série que brilha na teoria, mas que peca na prática.

 

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